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Smart City completa um ano de funcionamento e muda a forma de cuidar da segurança em João Pessoa

Há cidades que crescem. E há cidades que aprendem a enxergar o próprio crescimento. Em João Pessoa, essa transformação ganhou um novo olhar a partir da implantação do projeto Smart City, desenvolvido pela Inovatec-JP em parceria com a Prefeitura Municipal. Um ano depois do início do projeto, a tecnologia já está espalhada pelos bairros, acompanhando o trânsito, auxiliando a segurança, monitorando a infraestrutura e criando novas possibilidades de participação para o cidadão.

Presidente da Inovatec, Edvaldo Vasconcelos, destaca que o primeiro ano do Smart City representa apenas o começo de uma transformação que pretende mudar a maneira como a Capital paraibana é cuidada e administrada. O projeto nasceu em agosto de 2025 e tem como meta chegar a 3 mil câmeras instaladas em toda a cidade, além de integrar outros equipamentos e serviços inteligentes.

“Foi extremamente positiva essa integração do Smart City de João Pessoa. Somos a segunda cidade do Brasil a implantar, depois de São Paulo. Aqui temos em torno de 280 pessoas por câmera. Já em São Paulo são 600 pessoas por câmeras. Hoje, João Pessoa é a cidade mais monitorada do Brasil.”, afirma Edvaldo.

Já são 2.521 câmeras instaladas, o equivalente a 84% da meta prevista. Desse total, 1.903 possuem tecnologia de reconhecimento facial e 479 são equipamentos com leitura de placas, capazes de identificar veículos a uma distância de até um quilômetro. Há ainda as câmeras PTZ, que podem ser movimentadas e reposicionadas de acordo com a necessidade.

Tecnologia a serviço da segurança – O Smart City mudou a forma como a Prefeitura de João Pessoa atua na segurança urbana, afirma o secretário de Segurança Urbana e Cidadania (Semusb), João Almeida. “Antes, muitas vezes o poder público precisava agir apenas depois que o problema acontecia. Hoje, com inteligência e monitoramento em tempo real, conseguimos identificar situações de risco, antecipar ocorrências e tomar decisões mais rápidas e estratégicas”, ressaltou.

As câmeras inteligentes, integradas ao Centro de Monitoramento, permitem acompanhar a cidade de forma permanente, identificar comportamentos suspeitos, localizar veículos e pessoas quando há interesse das forças de segurança e fornecer informações que orientam a atuação das equipes em campo. Isso reduz significativamente o tempo de resposta das equipes da Guarda Civil Metropolitana, que passam a ser acionadas com mais precisão, chegando rapidamente aos locais das ocorrências e aumentando a eficiência das intervenções.

“O resultado é uma segurança pública mais moderna, baseada em dados e integrada. O Smart City fortaleceu o trabalho da Guarda Civil Metropolitana, ampliou a capacidade de prevenção, melhorou a proteção dos prédios públicos e dos espaços urbanos e também passou a contribuir diretamente com as demais forças de segurança”, acrescentou João Almeida.

Ferramenta estruturada – A estrutura do Smart City conta com um Centro de Controle Operacional (CCO), onde o monitoramento ligado à segurança funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. O espaço possui acesso restrito e utiliza recursos de reconhecimento facial e leitura de placas. Quando o sistema identifica uma pessoa que possui registro de delitos e está pendente perante a Justiça, por exemplo, o alerta pode ser visualizado no mapa e uma guarnição mais próxima é acionada para verificar a ocorrência.

O monitoramento, porém, vai muito além da segurança. A tecnologia também é utilizada pela Superintendência de Executiva de Mobilidade Urbana (Semob-JP) para acompanhar o trânsito, identificar acidentes e auxiliar na organização do fluxo de veículos. A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec-JP) também integra a estrutura, enquanto a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) utiliza o sistema para acompanhar problemas como iluminação pública e equipamentos danificados.

Assim, as câmeras deixam de ser apenas olhos espalhados pela cidade e passam a funcionar como parte de uma grande rede de informações capaz de ajudar o poder público a tomar decisões mais rápidas.

Uma cidade inteligente é mais do que câmeras – Para Edvaldo Vasconcelos, talvez a principal mudança trazida pelo projeto esteja justamente na compreensão de que Smart City não é apenas um emaranhado de conexões tecnológicas.  “É uma metodologia, um formato que, trazido para que dentro dessa metodologia, faz com que a gente traga o bem-estar para a população”, resume.

A proposta envolve iluminação inteligente, semáforos inteligentes, câmeras de vigilância, totens e outras soluções que podem ser incorporadas gradualmente. O próximo passo será aproximar ainda mais o cidadão dessa estrutura. A previsão é que, a partir de outubro ou novembro, moradores possam cadastrar câmeras instaladas em frente às suas casas ou prédios para que elas também possam integrar o sistema Smart City.

A ideia é transformar o cidadão em parte ativa da rede de proteção da cidade. “Então, o cidadão vai ser atuante dentro da cidade de João Pessoa. Não é só um rostinho bonito, a gente tem a efetividade clara e objetiva”, afirma Edvaldo.

Tecnologia que também ajuda o cidadão – A inteligência do sistema pode chegar ainda a situações do cotidiano que, à primeira vista, parecem distantes de um projeto de cidade inteligente. Um exemplo citado por Edvaldo é o monitoramento de problemas relacionados ao fornecimento de energia. Caso uma ocorrência de alta ou baixa tensão seja registrada e provoque danos, as informações captadas pelo sistema podem auxiliar na produção de um laudo que ajude o cidadão a buscar o ressarcimento junto à concessionária responsável.

O presidente da Inovatec lamenta apenas a falta de uma solução, que só pode partir da conscientização dos cidadãos: o vandalismo. “Equipamentos danificados precisam ser substituídos, o que provoca atrasos e deixa temporariamente determinada área sem o monitoramento previsto”.

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