{"id":10723,"date":"2023-11-04T09:32:15","date_gmt":"2023-11-04T12:32:15","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2023\/11\/04\/fapesp-participacao-de-moradores-e-eficaz-em-combate-a-riscos-de-desastre-ambiental\/"},"modified":"2023-11-04T09:32:15","modified_gmt":"2023-11-04T12:32:15","slug":"fapesp-participacao-de-moradores-e-eficaz-em-combate-a-riscos-de-desastre-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2023\/11\/04\/fapesp-participacao-de-moradores-e-eficaz-em-combate-a-riscos-de-desastre-ambiental\/","title":{"rendered":"Fapesp: participa\u00e7\u00e3o de moradores \u00e9 eficaz em combate a riscos de desastre ambiental"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/49952.jpg\" \/><\/p>\n<div id=\"\">&#13;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5765102\" style=\"width: 100%;max-width: 640px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Confer\u00eancia c\u00edvica sobre enchente realizada na cidade de Piraporinha, interior paulista (cr\u00e9dito: @ungustaf, S\u00e3o Paulo-SP)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Um mapa digital de \u00e1reas vulner\u00e1veis a inunda\u00e7\u00f5es nas cidades de S\u00e3o Paulo e Rio Branco (AC) montado por alunos de escolas p\u00fablicas; um hist\u00f3rico de enchentes registradas em um bairro pobre da capital paulista criado com base em relato dos pr\u00f3prios moradores; novos canais de comunica\u00e7\u00e3o implantados com a Defesa Civil para melhorar o sistema de alertas para a comunidade. Esses s\u00e3o alguns dos instrumentos de participa\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os que se mostraram eficazes em iniciativas para aumentar a resili\u00eancia a riscos de cat\u00e1strofes urbanas.<\/p>\n<p>Comp\u00f5em agora uma metodologia\u00a0publicada\u00a0em artigo na revista cient\u00edfica\u00a0<em>Global Environmental Change<\/em>. Resultado de pesquisa desenvolvida por mais de tr\u00eas anos, envolvendo 17 cientistas brasileiros e de outros pa\u00edses, o trabalho conclui que as solu\u00e7\u00f5es transformadoras de dados urbanos devem abranger n\u00e3o s\u00f3 o desenvolvimento e a implanta\u00e7\u00e3o de novas tecnologias digitais, mas tamb\u00e9m a coprodu\u00e7\u00e3o de entendimentos, perspectivas, pr\u00e1ticas sociais e arranjos de governan\u00e7a. Isso inclui uma combina\u00e7\u00e3o de ferramentas de an\u00e1lise de dados com uma ampla gama de m\u00e9todos participativos, possibilitando transforma\u00e7\u00f5es justas e sustent\u00e1veis.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas associadas ao crescimento de popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis em todo o mundo elevaram os impactos socioecon\u00f4micos e ambientais relacionados a cat\u00e1strofes.\u00a0Estima-se\u00a0que 1,81 bilh\u00e3o de pessoas (23% da popula\u00e7\u00e3o global) estejam diretamente expostas a riscos significativos de inunda\u00e7\u00f5es, das\u00a0quais 89% moram em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda.<\/p>\n<p>No Brasil, quatro em cada dez munic\u00edpios s\u00e3o considerados vulner\u00e1veis a desastres relacionados a inunda\u00e7\u00f5es ou deslizamentos, de acordo com dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que monitora atualmente 1.038 munic\u00edpios com acompanhamento di\u00e1rio e emiss\u00e3o de alertas quando h\u00e1 risco de chuva fora dos n\u00edveis m\u00e9dios, considerados \u201cnormais\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEsse artigo sintetiza a trajet\u00f3ria de um projeto, sua conclus\u00e3o e, em especial, sua continuidade como pol\u00edtica p\u00fablica de educa\u00e7\u00e3o ambiental em redu\u00e7\u00e3o de riscos de desastres com o Programa Cemaden Educa\u00e7\u00e3o. A principal contribui\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 a metodologia constru\u00edda, com um novo jeito de produzir os dados, incorporando tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e um processo de coprodu\u00e7\u00e3o com as comunidades e moradores. Tamb\u00e9m buscamos um olhar multidisciplinar, com um grupo envolvendo profissionais ligados a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, estudos urbanos, geografia, ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o ambiental, al\u00e9m de humanidades e desenvolvedores de software\u201d, sintetiza\u00a0Jo\u00e3o Porto de Albuquerque, pesquisador da Universidade de Glasgow (Esc\u00f3cia) e autor correspondente do artigo.<\/p>\n<p>Os resultados s\u00e3o parte do projeto \u201cDados \u00e0 Prova d\u2019\u00c1gua\u201d (WPD, na sigla em ingl\u00eas), desenvolvido por meio de parceria entre as universidades de Glasgow e Warwick (Reino Unido), Heidelberg (Alemanha), al\u00e9m de Cemaden e Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV). O grupo tem apoio da Fapesp, do Fundo de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Reino Unido e do Minist\u00e9rio para Educa\u00e7\u00e3o e Pesquisa da Alemanha, em coordena\u00e7\u00e3o com Research Funding Agency Cooperation in Europe (Norface), Belmont Forum e Conselho Internacional de Ci\u00eancia.<\/p>\n<p>O artigo recebeu financiamento da Fapesp\u00a0por meio de mais tr\u00eas projetos.<\/p>\n<p>Com a crise clim\u00e1tica, eventos extremos j\u00e1 t\u00eam ocorrido com mais frequ\u00eancia e intensidade, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Levantamento de janeiro deste ano feito pelo Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil (vinculado ao Minist\u00e9rio de Minas e Energia) mostrava que cerca de 3,93 milh\u00f5es de brasileiros moravam em 13.500 \u00e1reas de risco espalhadas pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>Relat\u00f3rio divulgado em 2018 por Cemaden e Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) j\u00e1 apontava 8,2 milh\u00f5es de moradores em regi\u00f5es sujeitas a deslizamentos de terra e inunda\u00e7\u00f5es em 872 munic\u00edpios.<\/p>\n<p>S\u00e3o essas regi\u00f5es as mais afetadas por chuvas, inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos, como os que atingiram o Estado do Rio Grande do Sul no in\u00edcio de setembro, com dezenas de mortos e destrui\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios munic\u00edpios, al\u00e9m do desastre registrado em cidades do litoral norte de S\u00e3o Paulo no in\u00edcio do ano, quando mais de 60 pessoas morreram e diversos preju\u00edzos econ\u00f4micos foram registrados.<\/p>\n<p><strong>Gera\u00e7\u00e3o de dados<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNosso trabalho tem uma aplica\u00e7\u00e3o muito clara em temas ligados \u00e0 emerg\u00eancia clim\u00e1tica e \u00e0 tomada de decis\u00e3o baseada em evid\u00eancias. Temos um problema concreto no Brasil e em v\u00e1rios outros pa\u00edses que \u00e9 a falta de dados, uma desigualdade que precisa ser considerada na constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. O projeto mostrou que h\u00e1 formas de mudar a maneira como o governo lida com a quest\u00e3o de dados, incluindo as pessoas e os territ\u00f3rios\u201d, afirma a professora da FGV\u00a0Maria Alexandra Cunha, coautora do artigo.<\/p>\n<p>A pesquisa j\u00e1 resultou em um aplicativo gratuito (dispon\u00edvel\u00a0para Android) que permite a coleta de dados em locais estrat\u00e9gicos por meio de ci\u00eancia cidad\u00e3 para obter informa\u00e7\u00f5es como o volume de chuva, a ocorr\u00eancia de alagamentos e o n\u00edvel da \u00e1gua de rios. Esses dados s\u00e3o transmitidos em tempo real para uma plataforma digital (com mapas interativos), que pode ser acessada por comunidades locais.<\/p>\n<p>A plataforma foi integrada ao website do programa\u00a0Cemaden Educa\u00e7\u00e3o, que trabalha com escolas e comunidades, e vem sendo usada como parte de uma campanha nacional de preven\u00e7\u00e3o de desastres.<\/p>\n<p>Visando amplificar os aprendizados do projeto para outras regi\u00f5es, foi criado um\u00a0Guia de Aprendizagem, que pode ser adotado para engajar estudantes e volunt\u00e1rios na produ\u00e7\u00e3o de dados e de conhecimento sobre desastres provocados pelo excesso de \u00e1gua ou falta de drenagem urbana.<\/p>\n<p>\u201cO Programa Cemaden Educa\u00e7\u00e3o criou metodologias participativas e transformadoras e conseguiu consolidar uma rede de escolas, jovens, moradores e comunidades locais. Projetos como o\u00a0\u2018Dados \u00e0 Prova d\u2019\u00c1gua\u2019 entram nesse processo. Isso nos ajuda a sair de estudo de caso e ganhar escala. Nossa expectativa \u00e9 que a metodologia seja cada vez mais aplicada\u201d, diz o pesquisador do Cemaden\u00a0Victor Marchezini, coautor do estudo.<\/p>\n<p><strong>Passos<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo do trabalho, os pesquisadores usaram inova\u00e7\u00f5es em dados dial\u00f3gicos, pautados pela linha do educador Paulo Freire e baseados na cria\u00e7\u00e3o de redes de constru\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n<p>Com isso, desenvolveram iniciativas ligadas a 1) an\u00e1lise situacional (baseada em experi\u00eancias vividas pela comunidade e temas geradores de debate); 2) dados geradores (levantando novos entendimentos por meio de dados); 3) compreens\u00e3o cr\u00edtica da realidade (mudando perspectivas de a\u00e7\u00e3o); 4) situa\u00e7\u00f5es-limite (identificando condi\u00e7\u00f5es de vida insustent\u00e1veis) e 5) in\u00e9ditos vi\u00e1veis (coproduzindo resultados que abrem caminhos para solu\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>Produziram interven\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas que contribu\u00edram para tornar as experi\u00eancias de moradores vis\u00edveis por meio de dados, fazendo com que as comunidades se envolvessem e compartilhassem\u00a0essas hist\u00f3rias e experi\u00eancias. Em um dos casos, um morador de Jaboat\u00e3o dos Guararapes (PE) chegou a escrever um poema, em formato de cordel, descrevendo as pr\u00e1ticas de dados das quais participaram.<\/p>\n<p>Os resultados, al\u00e9m de gerar informa\u00e7\u00f5es e dados produzidos pela comunidade, permitiram maior circula\u00e7\u00e3o e uso deles, abrindo novos caminhos de solu\u00e7\u00f5es e transforma\u00e7\u00f5es. \u201cUm primeiro passo para buscar solu\u00e7\u00e3o para os problemas \u00e9 torn\u00e1-los vis\u00edveis, produzindo dados, evid\u00eancias e conhecimento em cada comunidade. Nossa ideia \u00e9 que o projeto continue\u00a0levando a abordagem inclusive para outros pa\u00edses, como a Col\u00f4mbia, onde j\u00e1 temos trabalhado\u201d, completa Albuquerque.<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#13; Confer\u00eancia c\u00edvica sobre enchente realizada na cidade de Piraporinha, interior paulista (cr\u00e9dito: @ungustaf, S\u00e3o Paulo-SP) Um mapa digital de \u00e1reas vulner\u00e1veis a inunda\u00e7\u00f5es nas cidades de S\u00e3o Paulo e Rio Branco (AC) montado por alunos de escolas p\u00fablicas; um hist\u00f3rico de enchentes registradas em um bairro pobre da capital paulista criado com base em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-10723","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10723","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10723"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10723\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10723"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10723"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10723"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}