{"id":11414,"date":"2023-11-15T08:25:04","date_gmt":"2023-11-15T11:25:04","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2023\/11\/15\/no-museu-onde-a-memoria-dos-cururueiros-faz-morada-seu-sebastiao-reencontra-irmaos-da-viola-de-cocho-portal-do-governo-de-mato-grosso-do-sul\/"},"modified":"2023-11-15T08:25:04","modified_gmt":"2023-11-15T11:25:04","slug":"no-museu-onde-a-memoria-dos-cururueiros-faz-morada-seu-sebastiao-reencontra-irmaos-da-viola-de-cocho-portal-do-governo-de-mato-grosso-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2023\/11\/15\/no-museu-onde-a-memoria-dos-cururueiros-faz-morada-seu-sebastiao-reencontra-irmaos-da-viola-de-cocho-portal-do-governo-de-mato-grosso-do-sul\/","title":{"rendered":"No museu onde a mem\u00f3ria dos cururueiros faz morada, seu Sebasti\u00e3o reencontra irm\u00e3os da viola de cocho \u2013 Portal do Governo de Mato Grosso do Sul"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para al\u00e9m de qualquer edi\u00e7\u00e3o do Festival Am\u00e9rica do Sul, quando a programa\u00e7\u00e3o se finda, sempre um legado fica, e em 2023 n\u00e3o foi diferente. Na mem\u00f3ria do povo pantaneiro, mais ainda daqueles nascidos quando Mato Grosso era um s\u00f3, a hist\u00f3ria ficou eternizada ali: no reencontro de cururueiros de Lad\u00e1rio e Santo Ant\u00f4nio de Leverger.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rua Afonso Pena, n\u00famero 2046, bairro Almirante Tamandar\u00e9, Lad\u00e1rio, Mato Grosso do Sul. Passava das 16h quando os 10 cururueiros do Mato Grosso desceram da van, adentraram o endere\u00e7o no pen\u00faltimo dia de Festival, e foram recebidos pelo anfitri\u00e3o de Lad\u00e1rio, Sebasti\u00e3o de Souza Brand\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aos 79 anos, o \u00fanico mestre cururueiro de Mato Grosso do Sul na ativa se juntou aos seus em uma recep\u00e7\u00e3o calorosa, emocionando quem presenciava a cena como testemunha da hist\u00f3ria.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Irm\u00e3os de viola de cocho, Sebasti\u00e3o e os cururueiros do Mato Grosso trocaram abra\u00e7os, elogios \u00e0s respectivas violas, e relembraram o passado. \u201cCamarada, eu faz hora que quero voc\u00ea aqui. Que prazer voc\u00ea estar aqui na minha resid\u00eancia. Aqui \u00e9 pequenininho, mas \u00e9 nosso\u201d, diz Sebasti\u00e3o ao mestre cururueiro de Mato Grosso, Alcides Ribeiro dos Santos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAh! Com quem eu falo na internet \u00e9 com esse rapaz aqui, e eu quero ouvir voc\u00ea tocando\u201d, diz ao mais novinho de todos, Jos\u00e9 Rodolfo de Carvalho Almeida.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"gallery-1\" class=\"gallery galleryid-456449 gallery-columns-2 gallery-size-large\">\n<figure class=\"gallery-item\">\n<div class=\"gallery-icon landscape\"><\/div>\n<\/figure>\n<figure class=\"gallery-item\">\n<div class=\"gallery-icon landscape\"><\/div>\n<\/figure><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora esta tenha sido a primeira vez que se viam, a devo\u00e7\u00e3o ao cururu e \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es uniu, mesmo, aqueles separados por gera\u00e7\u00f5es. \u201cE esse senhor aqui n\u00e3o \u00e9 parente de Vitalino, n\u00e3o?\u201d, questiona seu Sebasti\u00e3o ao cumprimentar um a um dos cururueiros. \u201cSou eu mesmo\u201d, responde. \u201cEita, rapaz! Muito prazer em conhec\u00ea-lo, olha\u2026\u201d e dali j\u00e1 se engata uma prosa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por serem da terra do pai de seu Sebasti\u00e3o, tamb\u00e9m mestre de viola de cocho, \u00e9 f\u00e1cil encontrar conhecidos que carregam tra\u00e7os de quem Sebasti\u00e3o conviveu num passado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em poucos minutos de conversa, de quebra o mestre do lado de c\u00e1 se atenta para uma coisa. \u201cEu estou perdendo o meu sotaque, porque fica muito tempo sem ver, eu chego a perder o ritmo\u201d, justifica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Registrada no Livro dos Saberes em dezembro de 2004 como o 5\u00ba bem de natureza imaterial a ser eternizado pelo Iphan (Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional), a viola de cocho \u00e9 patrim\u00f4nio imaterial brasileiro, e seus mestres, os detentores dos saberes, da viv\u00eancia e da cultura pantaneira.<\/span><\/p>\n<p><b>Reencontro<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O encontro de pessoas e reencontro de hist\u00f3rias, cultura e tradi\u00e7\u00f5es marca a inaugura\u00e7\u00e3o oficial da Sala da Mem\u00f3ria Mestre Sebasti\u00e3o Brand\u00e3o, localizada na casa do mestre, o grande anfitri\u00e3o deste Festival Am\u00e9rica do Sul.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com receio de n\u00e3o conseguir falar de tanta emo\u00e7\u00e3o, seu Sebasti\u00e3o abre a cerim\u00f4nia falando da emo\u00e7\u00e3o de ver quem ele tanto queria encontrar. \u201cVoc\u00eas s\u00e3o para mim meus irm\u00e3os. Eu agrade\u00e7o muito voc\u00eas terem vindo, e eu quero sentar num banquinho ali e ouvir voc\u00eas cantar, porque talvez eu n\u00e3o vou aguentar\u201d, antecipa.<\/span><\/p>\n<div id=\"gallery-2\" class=\"gallery galleryid-456449 gallery-columns-1 gallery-size-large\">\n<figure class=\"gallery-item\">\n<div class=\"gallery-icon landscape\"><\/div>\n<\/figure><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para quem nasceu e cresceu tendo como identidade um s\u00f3 Mato Grosso, a divis\u00e3o do Estado fica s\u00f3 na geografia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDividiram o nosso estado de Mato Grosso. Virou Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mas a nossa tradi\u00e7\u00e3o, a nossa cultura, n\u00e3o. Isso n\u00e3o dividiu, e essa cultura n\u00f3s n\u00e3o devemos deixar ningu\u00e9m roubar de n\u00f3s. A viola de cocho\u00a0 \u00e9 registrada como patrim\u00f4nio imaterial nacional. Ela \u00e9 do Brasil, mas ela mora na casa dela: Mato Grosso e Mato Grosso do Sul \u00e9 a casa dela\u201d, enfatiza.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao olhar a fam\u00edlia do mestre Alcides, que j\u00e1 est\u00e1 na sexta gera\u00e7\u00e3o de cururueiros, seu Sebasti\u00e3o narra a luta que tem travado para que do lado sul-mato-grossense, o cururu e a viola de cocho n\u00e3o fiquem s\u00f3 no passado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu perdi os meus companheiros, que Deus o tenha, e eu fiquei assim, sem parceiro para cantar. Venho lutando com o meu neto para deixar minha semente. Ele ainda n\u00e3o est\u00e1 bem l\u00e1, mas est\u00e1 chegando. Mas vai chegar\u201d, profetiza o av\u00f4.<\/span><\/p>\n<p><b>Sala da Mem\u00f3ria<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A inaugura\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas fazer o descerramento da placa perante autoridades. \u00c9 quando se entrega, por completo, uma obra para a sociedade. Neste caso, a placa reconhece &#8211; como se precisasse &#8211; o local como espa\u00e7o cultural, fruto de um projeto executado com fomento do FIC\/MS (Fundo de Incentivo \u00e0 Cultura) do Governo do Estado, investimento do bolso da fam\u00edlia Brand\u00e3o, muito suor e trabalho de toda uma equipe que enxerga e valoriza o patrim\u00f4nio hist\u00f3rico de Mato Grosso do Sul.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00f3s, da ger\u00eancia, enquanto Funda\u00e7\u00e3o de Cultura, este \u00e9 um dos momentos mais emocionantes para a gente que trabalha com o patrim\u00f4nio cultural. Este encontro, fazer a inaugura\u00e7\u00e3o, todo o trabalho da nossa equipe, \u00e9 um dos momentos mais emocionantes que n\u00f3s temos\u201d, agradeceu a gerente de Patrim\u00f4nio Cultural da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura do Estado, Melly Sena.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Representando os cururueiros de Mato Grosso, o mestre Jos\u00e9 Rodolfo de Carvalho Almeida agradeceu o convite, al\u00e9m de reconhecer a import\u00e2ncia hist\u00f3rica do momento. Jovem, ele explica que hoje tem a miss\u00e3o de levar a viola de cocho adiante.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMinha tia teve um papel importante nesse incentivo na minha inf\u00e2ncia de estar no cururu e estar nas rodas de siriri. Quero agradecer a todos voc\u00eas aqui de Corumb\u00e1 pelo acolhimento, pela recep\u00e7\u00e3o maravilhosa que tiveram comigo, com os meus companheiros, e dizer que estamos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. O que precisarem de n\u00f3s, estamos bem ali, do outro lado da divisa, mas com o cora\u00e7\u00e3o unido pelo mesmo objetivo e prop\u00f3sito, que \u00e9 o de levar adiante a nossa tradi\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Superintendente do Iphan, Jo\u00e3o Henrique Santos, entregou uma homenagem aos cururueiros, um documento que declara que o Iphan tem ci\u00eancia do not\u00f3rio saber e engajamento destes mestres nas manifesta\u00e7\u00f5es culturais registradas como patrim\u00f4nio cultural brasileiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA gente sabe que as refer\u00eancias <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">culturais<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> n\u00e3o obedecem os limites geogr\u00e1ficos, ent\u00e3o a gente vai estar sempre tratando e cultuando a mesma cultura, a mesma mem\u00f3ria e as mesmas refer\u00eancias que \u00e9 o rio Paraguai que nos unem enquanto irm\u00e3os pantaneiros\u201d.<\/span><\/p>\n<p><em>Paula Maciulevicius, Ascom FAS 2023<br \/>Fotos: Bruno Rezende<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para al\u00e9m de qualquer edi\u00e7\u00e3o do Festival Am\u00e9rica do Sul, quando a programa\u00e7\u00e3o se finda, sempre um legado fica, e em 2023 n\u00e3o foi diferente. 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