{"id":15751,"date":"2024-01-18T09:05:56","date_gmt":"2024-01-18T12:05:56","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/01\/18\/secretaria-da-cidadania-tem-o-desafio-de-levar-oportunidade-para-as-pessoas-em-ms-agencia-de-noticias-do-governo-de-mato-grosso-do-sul\/"},"modified":"2024-01-18T09:05:56","modified_gmt":"2024-01-18T12:05:56","slug":"secretaria-da-cidadania-tem-o-desafio-de-levar-oportunidade-para-as-pessoas-em-ms-agencia-de-noticias-do-governo-de-mato-grosso-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/01\/18\/secretaria-da-cidadania-tem-o-desafio-de-levar-oportunidade-para-as-pessoas-em-ms-agencia-de-noticias-do-governo-de-mato-grosso-do-sul\/","title":{"rendered":"Secretaria da Cidadania tem o desafio de levar oportunidade para as pessoas em MS \u2013 Ag\u00eancia de Noticias do Governo de Mato Grosso do Sul"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Viviane Luiza, hoje secret\u00e1ria da rec\u00e9m-criada pasta da Cidadania, conta que quando adolescente ao chegar em casa desanimada sua m\u00e3e a perguntou quantos carros da cor vermelha ela tinha visto pelo caminho. Ela respondeu que n\u00e3o sabia dizer, mas que provavelmente tinha passado por alguns. E a m\u00e3e respondeu, ent\u00e3o, que as oportunidades s\u00e3o como os carros vermelhos, que \u00e0s vezes, podem passar sem que a gente perceba.<\/p>\n<p>Para a nova secret\u00e1ria de Estado da Cidadania, Viviane Luiza da Silva, empossada no cargo no \u00faltimo dia 3 de janeiro, e mestre em Desenvolvimento Local pela UCDB (Universidade Cat\u00f3lica Dom Bosco) e Ph.D. em Antropologia pela University of Manitoba, no Canad\u00e1, as oportunidades aparecem quando a cidadania \u00e9 exercida como pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p>\n<p>A nova pasta \u00e9 fruto do desmembramento da, at\u00e9 ent\u00e3o, Setescc (Secretaria de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania), na qual Viviane Luiza era secret\u00e1ria-adjunta. A SEC (Secretaria de Estado de Cidadania), criada em dezembro de 2023, j\u00e1 nasce com oito subsecretarias (Povos Origin\u00e1rios, Juventude, LGBTQIA+, Pessoas com Defici\u00eancia, Pessoas Idosas, Assuntos Comunit\u00e1rios, e Atendimento \u00e0 Mulher), que estavam abrigadas na Setesc, mas t\u00eam v\u00ednculo tem\u00e1tico com o eixo da Cidadania.<\/p>\n<p>Em seu discurso de posse, declarou que a cidadania tinha sa\u00eddo do dicion\u00e1rio e se tornado a primeira secretaria do Pa\u00eds dedicada, exclusivamente, a gerar emancipa\u00e7\u00e3o e pertencimento.<\/p>\n<p>Vindo de uma fam\u00edlia pobre, Viviane soube \u201cembarcar\u201d nas oportunidades que a vida lhe foi apresentando, e assim, como ela mesma define, se agarrando aos estudos como uma ferramenta transformadora de uma realidade da menina criada na periferia da capital de Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p>O curr\u00edculo da secret\u00e1ria Viviane Luiza \u00e9 vasto e rico. Como pesquisadora do Museu de Etnografia de Viena, a nova secret\u00e1ria sul-mato-grossense contribuiu para tr\u00eas projetos relevantes na etnografia do Brasil: Natterer, Patrim\u00f4nio Bororo e Mario Baldi, destacando-se como co-autora no livro &#8220;Mario Baldi &#8211; Fot\u00f3grafo austr\u00edaco entre \u00cdndios Brasileiros&#8221;.<\/p>\n<\/p>\n<p>J\u00e1 como idealizadora de centros culturais em comunidades ind\u00edgenas, Viviane Luiza tem contribu\u00eddo para a promo\u00e7\u00e3o e fortalecimento da cultura material e imaterial por meio de objetos ind\u00edgenas, al\u00e9m de desempenhar papel crucial no assessoramento para a cria\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es das mulheres artistas ind\u00edgenas nas comunidades Kadiw\u00e9u e Terena, impulsionando a economia sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Na entrevista abaixo, a secret\u00e1ria Viviane descreve como foi esta constru\u00e7\u00e3o at\u00e9 chegar nas especializa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias fora do Brasil e qual o trabalho sugerido \u00e0 frente da nova Secretaria de Cidadania.<\/p>\n<p><strong>Secret\u00e1ria, quem \u00e9 a profissional e a pessoa Viviane Luiza?<\/strong><\/p>\n<p>A profissional \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o da Viviane Luiza como pessoa. Como eu disse no discurso de posse, eu venho de uma fam\u00edlia de origem muito pobre. E a constru\u00e7\u00e3o da Viviane Luiza e profissional vem de todo o trabalho e reconhecimento por meio dos meus pais, que me orientaram na vida em rela\u00e7\u00e3o a \u00e9tica, a ser determinada e n\u00e3o desistir na primeira porta fechada. E a Viviane profissional vem dessa jun\u00e7\u00e3o, da menina l\u00e1 dos Rouxin\u00f3is, de uma fam\u00edlia mineira, que se mudou para S\u00e3o Paulo. Eu nasci em S\u00e3o Paulo e em 2023 completei 40 anos de Mato Grosso do Sul. Ent\u00e3o, eu tenho nas minhas origens, ra\u00edzes humildes e pobres, E n\u00f3s nos v\u00edamos assim, \u00e0 margem da sociedade. E eu acredito muito, at\u00e9 hoje, que o estudo pode abrir as portas. Certamente, n\u00e3o s\u00e3o todas as pessoas que estudam que as portas est\u00e3o abertas.<\/p>\n<p>A minha m\u00e3e sempre dizia que as oportunidades podem passar e as pessoas podem n\u00e3o perceb\u00ea-las porque estamos com uma n\u00e9voa da exclus\u00e3o social. Para gente olhar as oportunidades independente de onde elas apare\u00e7am e que n\u00f3s precis\u00e1vamos estar sens\u00edveis as portas que se abrissem.<\/p>\n<p>A profissional Viviane veio dessa constru\u00e7\u00e3o de trabalho desde os meus 14 anos, acreditando que eu poderia fazer a diferen\u00e7a, at\u00e9 ent\u00e3o, apenas na minha vida.<\/p>\n<p>Foi quando eu descobri a pol\u00edtica p\u00fablica, quando eu consegui o passe de estudante e que me permitiu ir para uma outra escola privada. Esta possibilidade de pol\u00edtica p\u00fablica, do passe estudantil, chegou l\u00e1 no meu bairro. Nem acredit\u00e1vamos que seria poss\u00edvel e foi assim que eu rompi algumas ideias de que a pobreza poderia ser a grande limita\u00e7\u00e3o da minha vida.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, foi assim que comecei a seguir o caminho do estudo e do trabalho. Cursei Hist\u00f3ria e me lembro at\u00e9 hoje quando meu pai me perguntou o que eu queria com o curso de Hist\u00f3ria, olha s\u00f3?!<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o tem a ver com esta colcha de retalhos que a vida vai costurando. As viv\u00eancias e experi\u00eancias nos moldam. E foi assim que cheguei at\u00e9 a gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria, acreditando muito nas Ci\u00eancias Sociais, no desenvolvimento humano, fazendo est\u00e1gio no Museu do Dom Bosco, conhecido como Museu do \u00cdndio, onde me permitiu galgar os passos,\u00a0 que eu trilhei at\u00e9 hoje na minha vida profissional, passando pelo doutorado em Antropologia.<\/p>\n<p>Desde aquele momento, em 2004, trabalhando com as pol\u00edticas p\u00fablicas nas comunidades ind\u00edgenas, seja no Mato Grosso, no Norte do Brasil e aqui no Mato Grosso do Sul, at\u00e9 ser convidada pelo Museu de Viena para ser uma das pesquisadoras para fazer a identifica\u00e7\u00e3o de materiais coletados em terras brasileiras por mais de 30 anos, no Brasil Imp\u00e9rio. Trabalhei l\u00e1 de 2008 a 2012 fazendo toda a cataloga\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as brasileiras.<\/p>\n<p><strong>Secret\u00e1ria, qual fato ou cena a deixa indignada, choca e te motiva a pensar: isto tem que mudar?<\/strong><\/p>\n<p>Sempre digo ao governador Eduardo Riedel, enquanto secret\u00e1ria de Estado, que h\u00e1 muita possibilidade de fazer diferente. O que mais me motiva \u00e9 a possibilidade de fazer a diferen\u00e7a na vida das pessoas nas periferias, das comunidades quilombolas, dos ind\u00edgenas, das mulheres, me vendo como uma mulher e t\u00e3o determinada e percebendo que \u00e9 poss\u00edvel fazer bem feito, fazer diferente, pra fazer dar certo. Olhar os recortes, os grupos sociais e perceber uma gama de possibilidades.<\/p>\n<p>O plano do Governo \u00e9 o crescimento do Estado integrado com o desenvolvimento humano, sem deixar ningu\u00e9m para tr\u00e1s. Esta \u00e9 uma m\u00e1xima que me move porque isto \u00e9 cidadania. Quando o governador Riedel fala esta frase \u00e9 olhar para todos os grupos sociais que nos fazem sul-mato-grossensenses.<\/p>\n<figure id=\"attachment_462085\" aria-describedby=\"caption-attachment-462085\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption id=\"caption-attachment-462085\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Como j\u00e1 mencionado na sua forma\u00e7\u00e3o, a senhora teve experi\u00eancias fora do Brasil. Existem converg\u00eancias entre a pol\u00edtica aplicada nos pa\u00edses em que voc\u00ea atuou e o Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Quando olhamos as possibilidades, especificamente, no Mato Grosso do Sul, percebo uma transforma\u00e7\u00e3o social como ocorre, por exemplo, no Canad\u00e1, com a preven\u00e7\u00e3o contra o feminic\u00eddio, contra o preconceito, ou seja, as pol\u00edticas p\u00fablicas que podem antecipar algo que n\u00f3s poder\u00edamos depois dizer que n\u00e3o \u00e9 mais a preven\u00e7\u00e3o, e sim, a solu\u00e7\u00e3o de um problema.<\/p>\n<p>\u00c9 trabalhar as pol\u00edticas p\u00fablicas que temos aqui junto com todos esses recortes sociais, e isso \u00e9 a cidadania de uma forma de unidade. E esta \u00e9 uma experi\u00eancia que vejo tamb\u00e9m dentro dos Estados Unidos, onde passei quatro anos e fiz parte de um conselho de cidades, que era a unidade Cidadania. E n\u00e3o trabalhar em segmentos, mas a unidade, o ser humano, o cidad\u00e3o e a cidad\u00e3 daquele espa\u00e7o e as demandas sugeridas pelas pessoas. E n\u00e3o apenas pelo gestor p\u00fablico.<\/p>\n<p>Eu vejo isso muito pr\u00f3ximo do nosso Mato Grosso do Sul e do Brasil. Como experi\u00eancia aqui no Estado, vejo muito a quest\u00e3o da preven\u00e7\u00e3o e olhar as pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes para isso seja atingido a aten\u00e7\u00e3o plena a cada pessoa sul-mato-grossense.<\/p>\n<p><strong>Secret\u00e1ria, a senhora afirmou que a Cidadania saiu do dicion\u00e1rio. Mas, como ela \u00e9 exercida e como incentiv\u00e1-la?\u00a0 E o que \u00e9 Cidadania? Quais os profissionais a pasta ir\u00e1 colocar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e \u00e0 frente das pol\u00edticas p\u00fablicas?<\/strong><\/p>\n<p>Eu tenho falado internamente e para outros \u00f3rg\u00e3os do Governo que n\u00f3s somos quatros entes: Judici\u00e1rio, Legislativo, Executivo e o Civil &#8211; a sociedade. E \u00e9 para ela que trabalhamos e que sinta a gest\u00e3o p\u00fablica para um mundo mais equitativo e um Mato Grosso do Sul onde as pessoas se sintam pertencentes a esta cidadania.<\/p>\n<p>Se formos buscar a palavra no dicion\u00e1rio nada mais \u00e9 que o exerc\u00edcio social, a garantia dos direitos e dos deveres. Mas, \u00e9 muito al\u00e9m disso. \u00c9 o exerc\u00edcio do dia a dia, o \u201csomos&#8221;. Sou eu, voc\u00ea, somos todos que fazem com que a sociedade seja e se sinta pertencida e que trabalhe para o bem comum.<\/p>\n<p>Sobre o que os profissionais dispon\u00edveis na pasta, n\u00f3s temos oito subsecretarias. Desde o in\u00edcio de 2023, no in\u00edcio da nossa gest\u00e3o trabalhamos para fazer a diferen\u00e7a dentro destes grupos sociais e movimentos que se olham e se sentem pertencidos \u00e0 essa pasta. Desta forma, tra\u00e7amos um planejamento com profissionais, seja matem\u00e1ticos, assistentes sociais, p\u00f3s-graduados em gest\u00e3o p\u00fablica trabalhando na transversalidade com todas as pastas. Profissionais para olhar as diferen\u00e7as e sermos iguais.<\/p>\n<p><strong>Em outros Estados tamb\u00e9m existem secretarias exclusivas para as mulheres, negros e outros grupos. Qual a diferen\u00e7a entre elas e a nossa Secretaria de Cidadania?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 a unidade. Porque se n\u00f3s pens\u00e1ssemos em secretarias exclusivas de oito representatividades ainda n\u00e3o estar\u00edamos tudo dentro da Cidadania. Porque n\u00f3s temos o homem, a crian\u00e7a, os brancos\u2026Ent\u00e3o, essa Secretaria de Cidadania \u00e9 a unidade. Ela trabalha, sim, os recortes e os grupos sociais, mas pensando o todo. Olhar o cidad\u00e3o e a cidad\u00e3 e traz\u00ea-los como unidade. N\u00f3s somos cidadania.<\/p>\n<p>Trabalhamos os recortes para que tenhamos mais equidade, inclus\u00e3o social e desenvolvimento humano. Como eu disse, temos quatro entes, e o quarto \u00e9 o mais importante: o cidad\u00e3o e cidad\u00e3.<\/p>\n<\/p>\n<p><strong>De que forma a Secretaria da Cidadania vai colocar a transversalidade em pr\u00e1tica com as demais pastas? J\u00e1 est\u00e3o previstas a\u00e7\u00f5es em conjunto e quais?<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1, sim. Estamos trabalhando desde o ano passado em conjunto com a Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o) e Funtrab (Funda\u00e7\u00e3o do Trabalho) no desenvolvimento de uma tecnologia social, que foi um projeto piloto junto com as mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia e que s\u00e3o atendidas na Cidadania, no Centro Especializado em Atendimento \u00e0s Mulheres. E neste projeto, olhamos cada mulher, cada especificada, cada anseio desta mulher que procurou o servi\u00e7o do Estado. E trazendo, ent\u00e3o, junto \u00e0 Semadesc e Funtrab para aplicar esta a\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma entrega de cidadania, com indicadores, n\u00fameros, ou seja, fazendo a articula\u00e7\u00e3o e a media\u00e7\u00e3o com cada cidad\u00e3 e grupo social, e trazendo \u00e0s pastas esses anseios e colocando em pr\u00e1tica a \u201cunidade Governo\u201d, trabalhando para todos e com todos.<\/p>\n<p>Eu digo que o nosso dever enquanto Cidadania e Assist\u00eancia Social \u00e9 olhar o todo e entender como n\u00f3s podemos trabalhar para estes grupos mais vulner\u00e1veis saiam da \u201cfaixa vermelha\u201d.<\/p>\n<p>N\u00f3s conseguimos desenvolver um programa chamado \u201cCidadania em Rede\u201d, na qual trabalhamos essa transversalidade.<\/p>\n<p>Mas, voltando aos temas Cidadania e Assist\u00eancia Social, eu sempre utilizo o exemplo do atendimento dentro de um hospital. Quando damos entrada por algum motivo de sa\u00fade no hospital, nos deparamos com as alas: vermelha, que \u00e9 a de risco e emerg\u00eancia. Temos as alas amarela, laranja e verde. A Assist\u00eancia Social \u00e9 o grupo que trabalha com os grupos de extrema vulnerabilidade e que est\u00e1 com a pulseira vermelha, que \u00e9 cuidado, uma aten\u00e7\u00e3o plena. E os demais com pulseira laranja, a Cidadania est\u00e1 ali para mudar esta pulseira de amarela para verde e trazendo todos os recursos do Governo junto com os seis eixos de a\u00e7\u00e3o (<strong>Sensibiliza\u00e7\u00e3o e Conscientiza\u00e7\u00e3o; Amplia\u00e7\u00e3o e fortalecimento da Rede de Atendimento; Capacita\u00e7\u00e3o continuada e permanente; Garantia de direitos e acesso \u00e0 Justi\u00e7a; Governan\u00e7a e Intersetorialidade; e Inser\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica<\/strong>) e os links com as ODS\u00b4s (Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da ONU) para que tenhamos uma edifica\u00e7\u00e3o e as pessoas entendam a diferen\u00e7a entre Cidadania e Assist\u00eancia Social.<\/p>\n<p>A Cidadania \u00e9 o direito pleno, que passa pela Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, Seguran\u00e7a P\u00fablica, ou seja, ela transita entre todas as pastas. E com este olhar muito peculiar que \u00e9 a Cidadania. A pasta da Cidadania \u00e9 intersetorial, interministerial e otimiza os servi\u00e7os p\u00fablicos e a gest\u00e3o p\u00fablica de uma forma mais eficaz e humana e para que todos se sintam pertencentes ao governo.<\/p>\n<p><strong>A Secretaria da Cidadania vem carregada de simbolismos e causas caras, contra o preconceito em geral e em defesa da mulher, ind\u00edgenas, negros, idosos, gays, e outros grupos. Na sua opini\u00e3o como o Estado deve combater e coibir pr\u00e1ticas criminosas? <\/strong><\/p>\n<p>Desde o ano passado, quando olhamos os relat\u00f3rios sobre preconceitos, feminic\u00eddio, abusos e viol\u00eancia, percebemos que era preciso criar um programa. E ele foi inclu\u00eddo no PPA (Plano Plurianual) 2024-2027, que \u00e9 o \u201cPrograma Cidadania em Rede\u201d, que passa pela sensibiliza\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o. A nossa sociedade precisa se conscientizar sobre a import\u00e2ncia de cuidarmos uns dos outros. E isto \u00e9 Cidadania, um direito\u00a0 de cada um poder ser livre e n\u00e3o ter medo, por exemplo, de uma mulher estar \u00e0 noite num terminal de \u00f4nibus e ter a certeza que nada vai acontecer a ela porque a vida dela est\u00e1 sendo garantida.<\/p>\n<p>O trabalho passa pela intersetorialidade, passa pela forma\u00e7\u00e3o continuada de toda a comunidade sul-mato-grossense, o direito e a garantia \u00e0 Justi\u00e7a e a inser\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. \u00c9 uma participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3. E o governador Eduardo Riedel rompe um paradigma e cria a primeira secretaria da Cidadania. E o nosso papel \u00e9 a conscientiza\u00e7\u00e3o e a efetividade das pol\u00edticas p\u00fablicas.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Nesta pol\u00edtica de combater abusos, como voc\u00ea observa o trabalho integrado com as for\u00e7as de seguran\u00e7a p\u00fablica?<\/strong><\/p>\n<p>A Seguran\u00e7a P\u00fablica tem sido nossa grande parceira para que trabalhemos juntos, come\u00e7ando dentro de casa, por meio de cursos preparat\u00f3rios que os policiais civis e militares participam e compreendam os grupos e recortes sociais e que toda a sociedade se sinta integrada com a seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>O papel da Cidadania \u00e9 pensar de forma muito concreta para um policiamento cidad\u00e3o. E isto passa pela humaniza\u00e7\u00e3o e pela conscientiza\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o. Temos resultados, por exemplo, dentro das comunidades ind\u00edgenas os conselhos de seguran\u00e7a comunit\u00e1ria, que est\u00e3o l\u00e1 dentro e sabem o que est\u00e1 acontecendo e que transmitem junto com a pol\u00edcia civil e militar uma seguran\u00e7a no territ\u00f3rio ind\u00edgena.<\/p>\n<\/p>\n<p><strong>A senhora acredita e observa que o mercado de trabalho est\u00e1 olhando esses grupos sociais, al\u00e9m do que est\u00e1 previsto em leis?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito muito que estamos nesta constru\u00e7\u00e3o. A garantia em lei ainda \u00e9 necess\u00e1ria, isso \u00e9 de suma import\u00e2ncia para a conscientiza\u00e7\u00e3o e a sensibiliza\u00e7\u00e3o, porque do contr\u00e1rio n\u00e3o haveria necessidade de Casa de Leis. Mas, percebo que os empres\u00e1rios e os gestores est\u00e3o sensibilizados de que o capacitismo n\u00e3o passa por uma defici\u00eancia. Temos pessoas com defici\u00eancia visual que s\u00e3o excelentes programadores\u00a0 de inform\u00e1tica. Temos fot\u00f3grafos com S\u00edndrome de Down. Qualquer defici\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o e precisamos entender que a limita\u00e7\u00e3o passa pela nossa cabe\u00e7a e falta do nosso conhecimento.\u00a0<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m percebo isso nos Estados Unidos, onde pessoas que poderiam estar aposentadas est\u00e3o trabalhando em supermercados, em bancos, porque a experi\u00eancia daquele cidad\u00e3o ou cidad\u00e3 \u00e9 muito bem-vinda para a efetividade do trabalho seja muito melhor e ainda mais de me sentir representada.<\/p>\n<p>A comunidade LGBTQIA+ tem contribu\u00eddo muito com o setor tur\u00edstico, seja na compra de pacotes de viagens e passeios no Mato Grosso do Sul ou trabalhando dentro desta cadeia produtiva. Se reconhecer e ter este sentimento de pertencimento ao entrar num hotel faz toda a diferen\u00e7a e mostra que o Estado est\u00e1 olhando para os grupos sociais e que n\u00e3o s\u00e3o eles que limitam a capacidade profissional. Isto tem sido trabalhado junto com a Cidadania e com o poder privado essa sensibiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apresentamos a tecnologia social para grandes grupos empresariais, Abrasel, a FIEMS (Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de Mato Grosso do Sul), a Escola de Sa\u00fade, no sentido de olharmos todos esses recortes sociais e que possam estar inseridos dentro da empregabilidade do Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p><strong>O empoderamento feminino, a parada do orgulho gay, as religi\u00f5es de matriz africana, a inclus\u00e3o de idosos e pessoas com defici\u00eancia no mercado de trabalho s\u00e3o todas manifesta\u00e7\u00f5es e atitudes atreladas \u00e0 pasta da Cidadania. Mas, como de fato podemos observar daqui pra frente a cultura destes grupos de forma inclusiva na sociedade?<\/strong><\/p>\n<p>A cultura \u00e9 a forma mais popular da Cidadania, de f\u00e1cil acesso e entendimento. N\u00e3o tem como n\u00e3o participar das manifesta\u00e7\u00f5es culturais. Na Antropologia se diz que a cultura \u00e9 a humanidade porque a nossa raiz passa pela cultura e tradi\u00e7\u00e3o. E nesses grupos de representatividade t\u00e3o grande e que fazem a identidade do Mato Grosso do Sul nos movem com orgulho e pertencimento.<\/p>\n<p>Fortalecer os movimentos culturais e celebra\u00e7\u00f5es nos fazem ainda mais cidad\u00e3os e cidad\u00e3s do Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p>N\u00f3s fizemos o planejamento de 2024 com todos os secret\u00e1rios e temos muitos desafios \u00e0 frente para que os grupos sociais se sintam contemplados e a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 seja de fato e de direito.<\/p>\n<p>Acredito que dentro do Governo do Estado, com unidade de governo, para que, por exemplo, as mulheres tenham maior acessibilidade na empregabilidade, no empreendedorismo. Fizemos uma conversa e convidamos as matrizes africanas para entender quais s\u00e3o as necessidades.<\/p>\n<p>O governador Eduardo Riedel fala muito em trabalhar de dentro pra fora. Isso na Antropologia significa ouvir e entender as demandas, e trabalhar as pol\u00edticas p\u00fablicas para que a sociedade se reconhe\u00e7a naqueles anseios.<\/p>\n<p><strong>Para finalizar, qual a mensagem para a sociedade em rela\u00e7\u00e3o ao enfrentamento e inclus\u00e3o social? Podemos nos surpreender com algo inovador e o legado cidad\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>O Governo iniciou com uma gest\u00e3o de resultados. E a cidadania \u00e9 tamb\u00e9m um legado, com uma Secretaria que olha as pessoas, que entende as demandas e trabalha incessantemente, desde janeiro de 2023, enquanto eu estava adjunta, para que os direitos sejam garantidos.<\/p>\n<p>A cidadania \u00e9 participa\u00e7\u00e3o e exerc\u00edcio social. Eu convido cada cidad\u00e3o e cidad\u00e3 a participar desta gest\u00e3o do Governo de Mato Grosso do Sul para que fa\u00e7amos diferente para cada vida.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o tenho como n\u00e3o lembrar da Viviane menina, l\u00e1 dos Rouxin\u00f3is, onde n\u00e3o tinha asfalto e para chegar no centro da cidade, como minha m\u00e3e dizia, n\u00e3o pod\u00edamos trazer o barro da periferia. Ent\u00e3o, nosso dever \u00e9 olhar as regi\u00f5es perif\u00e9ricas dos 79 munic\u00edpios e traz\u00ea-los para a Secretaria de Cidadania.<\/p>\n<p><em>Alexandre Gonzaga, Comunica\u00e7\u00e3o do Governo de MS<br \/><\/em><em>Fotos: \u00c1lvaro Rezende<\/em><\/p>\n<p><strong>ATEN\u00c7\u00c3O<\/strong>: confira aqui o <span style=\"color: #0000ff;\">pack imprensa<\/span> com imagens da entrevista<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viviane Luiza, hoje secret\u00e1ria da rec\u00e9m-criada pasta da Cidadania, conta que quando adolescente ao chegar em casa desanimada sua m\u00e3e a perguntou quantos carros da cor vermelha ela tinha visto pelo caminho. Ela respondeu que n\u00e3o sabia dizer, mas que provavelmente tinha passado por alguns. 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