{"id":16179,"date":"2024-01-24T12:57:01","date_gmt":"2024-01-24T15:57:01","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/01\/24\/estudo-de-sp-desvenda-via-molecular-importante-para-o-controle-do-envelhecimento\/"},"modified":"2024-01-24T12:57:01","modified_gmt":"2024-01-24T15:57:01","slug":"estudo-de-sp-desvenda-via-molecular-importante-para-o-controle-do-envelhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/01\/24\/estudo-de-sp-desvenda-via-molecular-importante-para-o-controle-do-envelhecimento\/","title":{"rendered":"Estudo de SP desvenda via molecular importante para o controle do envelhecimento"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Vermes-da-especie-C.jpeg\" \/><\/p>\n<div id=\"\">&#13;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5806417\" style=\"width: 100%;max-width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Vermes da esp\u00e9cie C. elegans foram o modelo experimental utilizado na pesquisa<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma das formas pelas quais c\u00e9lulas de diferentes tecidos se comunicam \u00e9 por meio da troca de mol\u00e9culas de RNA. Em experimentos com vermes da esp\u00e9cie\u00a0<em>Caenorhabditis elegans<\/em>, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) observaram que, quando essa via de comunica\u00e7\u00e3o est\u00e1 desregulada, a longevidade do organismo \u00e9 reduzida. O achado,\u00a0divulgado\u00a0na revista\u00a0<em>Gene<\/em>, traz uma nova compreens\u00e3o sobre o processo de envelhecimento e as doen\u00e7as associadas.<\/p>\n<p>\u201cEstudos anteriores j\u00e1 haviam demonstrado que alguns tipos de RNA podem ser transferidos de uma c\u00e9lula para outra, mediando uma comunica\u00e7\u00e3o intertecidual \u2013 assim como ocorre com prote\u00ednas e metab\u00f3litos, por exemplo. Isso \u00e9 considerado um mecanismo de sinaliza\u00e7\u00e3o entre \u00f3rg\u00e3os ou entre c\u00e9lulas vizinhas e participa de processos de v\u00e1rias doen\u00e7as (fisiopatologia) e do funcionamento normal do organismo. O que n\u00e3o estava claro at\u00e9 agora e conseguimos provar foi que altera\u00e7\u00f5es no padr\u00e3o dessa \u2018conversa\u2019 que ocorre por meio das mol\u00e9culas de RNA podem afetar o envelhecimento\u201d, afirma o professor do Instituto de Biologia da Unicamp Marcelo Mori, coautor do artigo.<\/p>\n<p>O trabalho foi feito no \u00e2mbito do\u00a0Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades\u00a0(OCRC) \u2013 um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID) da Fapesp sediado na Unicamp. A investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contou com financiamento por meio de um projeto\u00a0coordenado por Mori.<\/p>\n<p>\u201cEsse mecanismo de comunica\u00e7\u00e3o precisa estar bem ajustado para conferir ao organismo um tempo de vida adequado. Observamos no estudo que, se porventura algum tecido aumenta a sua capacidade de absorver alguns tipos de RNA do meio extracelular (de fora da c\u00e9lula), isso acaba tendo um impacto na longevidade do organismo\u201d, diz.<\/p>\n<p>Segundo Mori, foi poss\u00edvel demonstrar que a redu\u00e7\u00e3o no tempo de vida ocorreu n\u00e3o apenas pela perturba\u00e7\u00e3o na comunica\u00e7\u00e3o via RNA entre tecidos de um mesmo organismo, mas tamb\u00e9m pelo aumento da capacidade de capta\u00e7\u00e3o de RNAs oriundos do ambiente \u2013 provenientes de bact\u00e9rias da microbiota, por exemplo. Os pesquisadores criaram a alcunha de InExS (sigla em ingl\u00eas para desequil\u00edbrio de RNA sist\u00eamico intercelular\/extracelular) para se referir \u00e0 desregula\u00e7\u00e3o na transfer\u00eancia de RNAs entre tecidos e tamb\u00e9m com o meio ex\u00f3geno.<\/p>\n<p><strong>Quebrando as regras<br \/><\/strong>O pesquisador conta que a investiga\u00e7\u00e3o sobre o mecanismo de transporte de RNA entre c\u00e9lulas foi inspirada pela descoberta do fen\u00f4meno de RNA de interfer\u00eancia (RNAi), que rendeu o pr\u00eamio Nobel de Fisiologia e Medicina aos cientistas norte-americanos Andrew Fire e Craig Mello em 2006. Em seus experimentos, eles conseguiram, usando o RNA de interfer\u00eancia, \u201cdesligar\u201d genes de forma precisa.<\/p>\n<p>Ao injetar um RNA dupla fita no\u00a0<em>C. elegans<\/em>, os vencedores do Nobel conseguiam silenciar genes. \u201cE observaram que o mecanismo de silenciamento afetava genes em outros tecidos, n\u00e3o apenas onde houve a aplica\u00e7\u00e3o, e era transmitido para gera\u00e7\u00f5es seguintes\u201d, relata Mori.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de possibilitar a elucida\u00e7\u00e3o dos mecanismos pelos quais ocorre a transfer\u00eancia de RNAs entre c\u00e9lulas de um organismo e entre o organismo e o ambiente, a descoberta do RNAi relativizou um dogma central da biologia molecular. At\u00e9 ent\u00e3o, acreditava-se que o fluxo de informa\u00e7\u00f5es do c\u00f3digo gen\u00e9tico seria uma via de m\u00e3o \u00fanica, partindo do DNA, passando pelo RNA e culminando em prote\u00ednas.<\/p>\n<p>No estudo ganhador do Nobel, descobriu-se que mol\u00e9culas de RNA dupla fita conseguem impedir esse processo que vai do DNA \u00e0 prote\u00edna. O RNAi destr\u00f3i o RNA mensageiro, silenciando genes espec\u00edficos sem precisar alterar a sequ\u00eancia do DNA. Ficou claro ent\u00e3o que o RNA tamb\u00e9m pode ter uma fun\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria sobre o genoma. Vale lembrar que o genoma humano consiste em aproximadamente 30 mil genes. No entanto, apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o deles \u00e9 usada em cada c\u00e9lula para sintetizar prote\u00ednas. Grande parte exerce papel regulat\u00f3rio (afetando a express\u00e3o de outros genes).<\/p>\n<p><strong>Equil\u00edbrio \u00e9 tudo<br \/><\/strong>\u201cQuer\u00edamos entender como esse processo poderia interferir nas fun\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas importantes relacionadas ao envelhecimento. Em\u00a0<em>C. elegans<\/em>, essa transfer\u00eancia de RNA entre c\u00e9lulas foi caracterizada por uma via que envolve prote\u00ednas denominadas SID (respons\u00e1veis por diferentes est\u00e1gios de absor\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de RNAs). Observamos que existia um padr\u00e3o de express\u00e3o g\u00eanica dessa via em tecidos espec\u00edficos, que mudava ao longo do envelhecimento. O RNA mensageiro que codifica a prote\u00edna SID-1 (fundamental para fazer a internaliza\u00e7\u00e3o do RNA para dentro das c\u00e9lulas), por exemplo, aumentava em alguns tecidos, enquanto diminu\u00eda em outros\u201d, diz Mori.<\/p>\n<p>Para entender melhor o papel dos RNAs como mol\u00e9culas sinalizadoras intertecidos, os pesquisadores realizaram experimentos em que a fun\u00e7\u00e3o da prote\u00edna SID-1 foi modificada em tecidos espec\u00edficos de\u00a0<em>C. elegans<\/em>, como c\u00e9lulas neuronais, do intestino e musculares. Para isso, eles manipularam a express\u00e3o da prote\u00edna nesses tecidos.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que os mutantes com perda de fun\u00e7\u00e3o da SID-1 eram t\u00e3o saud\u00e1veis quanto os vermes do tipo selvagem. No entanto, a superexpress\u00e3o de SID-1 no intestino, m\u00fasculo ou neur\u00f4nios tornava a vida dos vermes mais curta. A redu\u00e7\u00e3o do tempo de vida tamb\u00e9m foi observada pela superexpress\u00e3o de outras prote\u00ednas da via de transporte de RNAs, como SID-2 e SID-5\u2033, diz.<\/p>\n<p>O pesquisador explica que a desregula\u00e7\u00e3o pode estar justamente na distribui\u00e7\u00e3o do RNA para os tecidos. \u201cPara desregular a distribui\u00e7\u00e3o de RNAs no corpo dos vermes, aumentamos a express\u00e3o de SID-1 em tecidos espec\u00edficos (intestino, m\u00fasculo ou neur\u00f4nios). Com isso, observamos que a canaliza\u00e7\u00e3o para um \u00f3rg\u00e3o espec\u00edfico leva \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da longevidade\u201d, conta.<\/p>\n<p>\u201cMostramos tamb\u00e9m que esse desbalan\u00e7o na transfer\u00eancia de RNAs acarreta a perda de fun\u00e7\u00e3o da via de produ\u00e7\u00e3o de microRNAs (pequenas mol\u00e9culas de RNA com fun\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria). \u00c9 como se o fato de um n\u00famero maior de RNAs transportado para esses tecidos gerasse uma esp\u00e9cie de competi\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o de microRNAs acabasse perdendo a disputa. J\u00e1 havia sido demonstrado que a perda da fun\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de microRNAs leva a uma diminui\u00e7\u00e3o do tempo de vida\u201d, completa.<\/p>\n<p>O grupo da Unicamp tamb\u00e9m investigou a rela\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia de RNAs ex\u00f3genos, ou seja, entre o ambiente e o organismo. Como nos experimentos anteriores, a superexpress\u00e3o de SID-2, que capta RNAs do ambiente pelo intestino, e o excesso de RNAs produzidos por bact\u00e9rias que servem como fonte alimentar e microbiota para os vermes resultaram no encurtamento do tempo de vida.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que os RNAs ex\u00f3genos podem ser usados pelos vermes para monitorar os microrganismos do ambiente, mas, quando em excesso e sendo captados pelos tecidos, podem levar a um efeito delet\u00e9rio. Quando for\u00e7amos as bact\u00e9rias, em laborat\u00f3rio, a expressar mais RNAs dupla fita, houve uma redu\u00e7\u00e3o no tempo de vida dos vermes. Esse processo que envolve uma transfer\u00eancia excessiva de RNA interfere na homeostase e na produ\u00e7\u00e3o de RNAs end\u00f3genos, acelerando o envelhecimento\u201d, completa.<\/p>\n<p>Siga o canal \u201cGoverno de S\u00e3o Paulo\u201d no WhatsApp:<br \/>https:\/\/bit.ly\/govspnozap<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#13; Vermes da esp\u00e9cie C. elegans foram o modelo experimental utilizado na pesquisa Uma das formas pelas quais c\u00e9lulas de diferentes tecidos se comunicam \u00e9 por meio da troca de mol\u00e9culas de RNA. 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