{"id":16397,"date":"2024-01-27T15:38:57","date_gmt":"2024-01-27T18:38:57","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/01\/27\/sp-cria-protocolo-para-padronizar-exames-moleculares-usados-no-diagnostico-da-covid-19\/"},"modified":"2024-01-27T15:38:57","modified_gmt":"2024-01-27T18:38:57","slug":"sp-cria-protocolo-para-padronizar-exames-moleculares-usados-no-diagnostico-da-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/01\/27\/sp-cria-protocolo-para-padronizar-exames-moleculares-usados-no-diagnostico-da-covid-19\/","title":{"rendered":"SP cria protocolo para padronizar exames moleculares usados no diagn\u00f3stico da Covid-19"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/Captura-de-Tela-31-e1706132924849.png\" \/><\/p>\n<div id=\"\">&#13;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5807434\" style=\"width: 100%;max-width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Objetivo do trabalho foi ajudar institui\u00e7\u00f5es que fazem testes de RT-qPCR a implementar uma ferramenta de controle de qualidade<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e colaboradores desenvolveram um protocolo para padronizar a atua\u00e7\u00e3o dos laborat\u00f3rios que realizam exames moleculares para diagn\u00f3stico de COVID-19. A t\u00e9cnica, conhecida como RT-qPCR, permite identificar em amostras biol\u00f3gicas o RNA do v\u00edrus causador da doen\u00e7a, o SARS-CoV-2.<\/p>\n<p>O trabalho teve como base um ensaio de profici\u00eancia para avaliar a capacidade diagn\u00f3stica de dez laborat\u00f3rios da rede p\u00fablica do Estado de S\u00e3o Paulo. Cada unidade recebeu cinco amostras preparadas em laborat\u00f3rio (n\u00e3o sendo, portanto, oriundas de pacientes). Algumas das amostras estavam livres de v\u00edrus e outras foram infectadas em tr\u00eas concentra\u00e7\u00f5es diferentes, de modo a aumentar a dificuldade do teste e a simular a variabilidade de carga viral encontrada em seres humanos.<\/p>\n<p>Os resultados,\u00a0divulgados\u00a0na revista\u00a0<em>Diagnostic Microbiology and Infectious Disease<\/em>, mostram que 95% das amostras que n\u00e3o continham o v\u00edrus foram analisadas corretamente, ou seja, apenas 5% tiveram um resultado falso positivo. J\u00e1 no caso das amostras infectadas pelo SARS-CoV-2, apenas 73% foram corretamente diagnosticadas.<\/p>\n<p>A pesquisa recebeu\u00a0apoio da Fapesp e foi conduzida pelo professor Igor Olivares, do Instituto de Qu\u00edmica de S\u00e3o Carlos (IQSC-USP).<\/p>\n<p>\u201cMe espantou um pouco descobrir que n\u00e3o existiu 100% de acerto nos resultados dos laborat\u00f3rios que participaram do ensaio de profici\u00eancia. Na pandemia ouv\u00edamos falar que o RT-qPCR era o \u2018m\u00e9todo ouro\u2019 e que o teste r\u00e1pido n\u00e3o seria t\u00e3o confi\u00e1vel. Mas a nossa pesquisa mostrou que, com amostras contaminadas e preparadas em laborat\u00f3rio (para mimetizar uma amostra de paciente), existia uma possibilidade de um diagn\u00f3stico incorreto\u201d, explica Olivares.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, o objetivo \u00e9 ajudar institui\u00e7\u00f5es que fazem testes de RT-qPCR a implementar uma ferramenta de controle de qualidade que permita avaliar frequentemente o seu desempenho e, assim, melhorar a qualidade dos seus resultados, ajustando equipamentos e investindo em treinamento t\u00e9cnico para os seus profissionais.<\/p>\n<p>\u201cO teste de profici\u00eancia tem um n\u00edvel de dificuldade maior que uma amostra normal, de um paciente. Quando voc\u00ea pega as amostras de diferentes pessoas, observa n\u00edveis diferentes de concentra\u00e7\u00e3o do v\u00edrus. Aqui, tivemos amostras em condi\u00e7\u00f5es controladas, tamb\u00e9m com concentra\u00e7\u00f5es diferentes, mas a ideia era fazer uma prova pr\u00e1tica\u201d, explica Olivares \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp.<\/p>\n<p>Agora, a expectativa \u00e9 que as institui\u00e7\u00f5es que participaram do ensaio de profici\u00eancia, al\u00e9m de outras que possivelmente se interessarem, possam utilizar gratuitamente a ferramenta. O procedimento j\u00e1 \u00e9 adotado regularmente em outros exames laboratoriais, conforme regulamenta\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa).<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 ent\u00e3o, isso ainda n\u00e3o tinha sido desenvolvido para a COVID-19, at\u00e9 porque era uma doen\u00e7a nova, fomos todos pegos de surpresa pela pandemia. Mas, a partir de agora, seria interessante que alguma institui\u00e7\u00e3o, algum \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico importante pudesse internalizar esse ensaio e criar ferramentas de monitoramento para os seus laborat\u00f3rios, talvez como um programa anual\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>Conforme Olivares, por quest\u00f5es de confidencialidade, os ensaios de profici\u00eancia n\u00e3o divulgam os nomes dos laborat\u00f3rios participantes por um motivo importante.<\/p>\n<p>\u201cA confiabilidade de um resultado de uma an\u00e1lise de laborat\u00f3rio \u00e9 extremamente importante por causa do impacto que pode gerar. Se estamos analisando amostras de um solo, por exemplo, o resultado de uma an\u00e1lise pode indicar uma contamina\u00e7\u00e3o e uma empresa pode pagar uma multa milion\u00e1ria por causa dessa amostra. Ou, no caso de um atleta suspeito de\u00a0<em>dopping<\/em>, o resultado da an\u00e1lise pode bani-lo ou absolv\u00ea-lo. Estes s\u00e3o apenas exemplos, mas s\u00e3o in\u00fameras \u00e1reas que podem ser impactadas com resultados incorretos de an\u00e1lises\u201d, afirma o professor da USP.<\/p>\n<p><strong>Como o estudo foi feito<\/strong><\/p>\n<p>Inicialmente, o objetivo do projeto era outro: desenvolver ensaios de profici\u00eancia no \u00e2mbito da agricultura e pecu\u00e1ria. Mas, como em muitas pesquisas durante a pandemia da COVID-19, o projeto recebeu mudan\u00e7as que foram aprovadas pela Fapesp e tomou uma nova rota. \u201cN\u00f3s tamb\u00e9m quer\u00edamos colaborar com os estudos sobre a doen\u00e7a\u201d, conta Olivares.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, os pesquisadores firmaram uma parceria com o Laborat\u00f3rio Federal de Defesa Agropecu\u00e1ria (LFDA-SP), do Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa), situado em Campinas.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dos laborat\u00f3rios que utilizam a t\u00e9cnica de RT-qPCR para o diagn\u00f3stico de doen\u00e7as em animais, como, por exemplo, a gripe avi\u00e1ria. Durante o primeiro ano da pandemia, o LFDA-SP contribuiu com o governo do Estado de S\u00e3o Paulo nos exames diagn\u00f3sticos nas fases mais cr\u00edticas e, por esse motivo, os pesquisadores firmaram a parceria. \u201cEles entraram com a estrutura e com o pessoal t\u00e9cnico e n\u00f3s, com recursos e reagentes, parte do material necess\u00e1rio\u201d, destaca Olivares.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora Dilmara Reischak, do LFDA de Campinas, o ideal \u00e9 que, ap\u00f3s receber os resultados do ensaio de profici\u00eancia, os laborat\u00f3rios que participaram do estudo revisitem todas as etapas cr\u00edticas do processo de an\u00e1lise. \u201cE se perguntem: por que o nosso resultado foi discordante? A partir da\u00ed, \u00e9 preciso fazer uma verdadeira investiga\u00e7\u00e3o, procurando identificar quais s\u00e3o as poss\u00edveis causas para aquele resultado insatisfat\u00f3rio\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Segundo ela, qualquer teste empregado sempre ter\u00e1 uma margem de erro. Alguns, no entanto, s\u00e3o mais sens\u00edveis, outros, mais espec\u00edficos e, outros, ainda, apresentam excelente sensibilidade e especificidade, mas nenhum ser\u00e1 completamente perfeito.<\/p>\n<p>\u201cUm resultado falso negativo, numa doen\u00e7a como a COVID, significa que uma pessoa infectada pelo v\u00edrus deixou de ser identificada pelo teste e continuou sua vida normalmente, podendo ter contaminado muitas outras pessoas. O resultado desse ensaio de profici\u00eancia nos mostrou exatamente isso: falsos negativos existem mesmo quando se usa uma t\u00e9cnica como a RT-qPCR, que tem alta sensibilidade e especificidade, e os laborat\u00f3rios precisam monitorar e tentar identificar as poss\u00edveis causas para minimizar a ocorr\u00eancia de falhas e a consequ\u00eancia para a sa\u00fade p\u00fablica\u201d, conclui a pesquisadora do LFDA.<\/p>\n<p>Siga o canal \u201cGoverno de S\u00e3o Paulo\u201d no WhatsApp:<br \/>https:\/\/bit.ly\/govspnozap<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#13; Objetivo do trabalho foi ajudar institui\u00e7\u00f5es que fazem testes de RT-qPCR a implementar uma ferramenta de controle de qualidade Pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e colaboradores desenvolveram um protocolo para padronizar a atua\u00e7\u00e3o dos laborat\u00f3rios que realizam exames moleculares para diagn\u00f3stico de COVID-19. 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