{"id":18185,"date":"2024-02-23T10:11:26","date_gmt":"2024-02-23T13:11:26","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/02\/23\/cidadania-faz-encontro-em-territorios-para-discutir-atendimento-as-mulheres-indigenas-agencia-de-noticias-do-governo-de-mato-grosso-do-sul\/"},"modified":"2024-02-23T10:11:26","modified_gmt":"2024-02-23T13:11:26","slug":"cidadania-faz-encontro-em-territorios-para-discutir-atendimento-as-mulheres-indigenas-agencia-de-noticias-do-governo-de-mato-grosso-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/02\/23\/cidadania-faz-encontro-em-territorios-para-discutir-atendimento-as-mulheres-indigenas-agencia-de-noticias-do-governo-de-mato-grosso-do-sul\/","title":{"rendered":"Cidadania faz encontro em territ\u00f3rios para discutir atendimento \u00e0s mulheres ind\u00edgenas \u2013 Ag\u00eancia de Noticias do Governo de Mato Grosso do Sul"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para al\u00e9m de traduzir, ao p\u00e9 da letra, o que a legisla\u00e7\u00e3o garante de direitos para mulheres ind\u00edgenas. Entender contextos, culturas e a diversidade de povos \u00e9 o que tem levado a cidadania a percorrer territ\u00f3rios ouvindo mulheres terena, guarani e kaiow\u00e1.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O primeiro, de tr\u00eas encontros Cidadania e Mulher, foi realizado no s\u00e1bado (17) pela SEC (Secretaria de Estado da Cidadania), por meio da Subsecretaria de Pol\u00edticas P\u00fablicas para Mulheres em parceria com a Coordenadoria Estadual da Mulher do Tribunal de Justi\u00e7a de MS dentro do projeto \u201cVozes Protegidas\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No p\u00e1tio da escola Tengatui Marangatu, na aldeia Jaguapiru, em Dourados, mulheres ind\u00edgenas tiveram voz e vez de falar sobre direitos, atendimento e situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia de g\u00eanero vivenciadas na comunidade.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_466203\" aria-describedby=\"caption-attachment-466203\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption id=\"caption-attachment-466203\" class=\"wp-caption-text\">Dona Edith Martins, ind\u00edgena guarani em a\u00e7\u00e3o da Cidadania na aldeia Jaguapiru. (Foto: Paula Maciulevicius)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das falas mais potentes \u00e9 da ind\u00edgena guarani, Edith Martins, de 69 anos, que se levantou para narrar o que tem vivido nas \u00faltimas d\u00e9cadas. \u201cTrabalho desde os meus 13 anos na organiza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. Sou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">nhandesy <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">(rezadeira), e eu lido com crian\u00e7a, adolescente e anci\u00e3o igualmente. Para as mulheres, \u00e9 bom a tradu\u00e7\u00e3o da Maria da Penha, mas o principal aqui para n\u00f3s era a educa\u00e7\u00e3o mesmo, e trabalho\u201d.<\/span><\/p>\n<h4><b>\u201cEu me importo\u201d<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os dizeres da camiseta da professora Cris Terena estampam a preocupa\u00e7\u00e3o dela como mulher, professora e ind\u00edgena. H\u00e1 mais de tr\u00eas anos ela faz parte da Comiss\u00e3o de Mulheres Ind\u00edgenas, que vem trabalhando com a educa\u00e7\u00e3o e atrav\u00e9s dela trazendo outras discuss\u00f5es para o centro das aldeias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA gente foi criando assim um espa\u00e7o de fala, fomos desabafando, falando, compartilhando das nossas experi\u00eancias de viol\u00eancia e come\u00e7amos a nos meter, a gente usa essa palavra mesmo \u2018se meter\u2019 na quest\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da nossa aldeia, para que as lideran\u00e7as se importassem com as nossas den\u00fancias\u201d, contextualiza.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Da etnia terena, a professora da aldeia Jaguapiru recorda que o acolhimento \u00e0s mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia muitas vezes passa pelos bra\u00e7os da rede formada pelas pr\u00f3prias ind\u00edgenas na comunidade.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_466204\" aria-describedby=\"caption-attachment-466204\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption id=\"caption-attachment-466204\" class=\"wp-caption-text\">Cris Terena, professora ind\u00edgena que tem um trabalho importante no combate \u00e0 viol\u00eancia de g\u00eanero na Reserva Ind\u00edgena de Dourados. (Foto: Paula Maciulevicius)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSocorriamos as mulheres na nossa casa e lev\u00e1vamos at\u00e9 a delegacia, hoje a lideran\u00e7a j\u00e1 solicita o apoio da Pol\u00edcia. Mas a maior dificuldade da mulher ind\u00edgena \u00e9 ter coragem de denunciar mesmo, sentir seguran\u00e7a em denunciar. Porque aqui, para n\u00f3s, a quest\u00e3o da viol\u00eancia \u00e9 muito mais s\u00e9ria, n\u00e3o temos uma pol\u00edtica de seguran\u00e7a, e quando a gente n\u00e3o tem essa rede de prote\u00e7\u00e3o mesmo, as mulheres n\u00e3o veem que vale a pena denunciar\u201d, conta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Seguran\u00e7a, rede de prote\u00e7\u00e3o, atendimento, acolhimento, trabalho, autonomia, renda e moradia. S\u00e3o muitos os termos e voc\u00e1bulos que permeiam a garantia de direitos que sim, j\u00e1 avan\u00e7ou, mas que ainda precisa chegar a todas as mulheres ind\u00edgenas de MS.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Cris Terena, \u00e9 preciso adequar os materiais de campanha no enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher para a realidade ind\u00edgena j\u00e1 existentes e formular novos voltados especificamente aos povos origin\u00e1rios.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cExplicar atrav\u00e9s da cartilha de uma forma que elas possam compreender o que est\u00e1 sendo colocado, os tipos de viol\u00eancia, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a f\u00edsica, e reafirmar nesse material que a v\u00edtima vai ter o caso resolvido, porque n\u00e3o adianta nada ter uma lei, ela precisa estar muito clara de que sim, a mulher ind\u00edgena vai ter apoio e vai ser resolvida a situa\u00e7\u00e3o dela\u201d, completa.<\/span><\/p>\n<h4><b>Rede de atendimento<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em uma roda, cada uma das mulheres se apresentou e, as que t\u00eam um trabalho voltado ao atendimento das mulheres ind\u00edgenas, trouxe relatos, como a defensora P\u00fablica de Defesa da Mulher de Dourados, In\u00eas Batisti Dantas, ao ressaltar que encontros como estes refor\u00e7am o quanto ainda h\u00e1 para se discutir e trabalhar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAs mulheres t\u00eam d\u00favidas, at\u00e9 pelo entrave da l\u00edngua, n\u00e3o conseguem entender exatamente no que consiste a Lei Maria da Penha, os direitos que ela tem, e onde se socorrer em cada caso especificamente. Por outro lado, tamb\u00e9m falta um mais de n\u00f3s profissionais, da rede em si, e do sistema de justi\u00e7a, de saber mais sobre as quest\u00f5es culturais, a tradi\u00e7\u00e3o deles aqui dentro da aldeia. N\u00e3o s\u00f3 o que est\u00e1 no papel, porque isso muitas vezes interfere no processo judicial\u201d, pontua a defensora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Coordenadora do Centro de Atendimento \u00e0 Mulher \u201cViva Mulher\u201d, de Dourados, B\u00e1rbara Marques Rodrigues \u00e9, antes de qualquer t\u00edtulo, ind\u00edgena guarani, psic\u00f3loga que lida diariamente com a quest\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_466206\" aria-describedby=\"caption-attachment-466206\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption id=\"caption-attachment-466206\" class=\"wp-caption-text\">Encontro deu voz e vez \u00e0s mulheres ind\u00edgenas que relatassem o atendimento em caso de viol\u00eancia de g\u00eanero. (Foto: Paula Maciulevicius)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para B\u00e1rbara, estar no territ\u00f3rio ind\u00edgena com um encontro destes \u00e9 garantir a maior ades\u00e3o das mulheres ind\u00edgenas na constru\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuando eu levo as reclama\u00e7\u00f5es que ou\u00e7o delas por trabalhar na rede de atendimento \u00e9 como se elas fossem invis\u00edveis. Ent\u00e3o, \u00e9 muito importante que as vozes das mulheres que moram aqui na comunidade ind\u00edgena sejam ouvidas por voc\u00eas. As legisla\u00e7\u00f5es precisam compreender que as mulheres ind\u00edgenas est\u00e3o num contexto diferente das mulheres n\u00e3o ind\u00edgenas principalmente nas quest\u00f5es religiosas, conflito com terras, que s\u00e3o onde estas mulheres sofrem viol\u00eancia tamb\u00e9m\u201d, descreve.<\/span><\/p>\n<h4><b>\u201cMulher e Cidadania\u201d<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os encontros ainda ser\u00e3o realizados em Amambai, no pr\u00f3ximo dia 24 e em Paranhos, no primeiro final de semana de mar\u00e7o na comunidade ind\u00edgena de Paranhos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A subsecret\u00e1ria de Pol\u00edticas P\u00fablicas para Mulheres, Manuela Nicodemos Bailosa explica esta \u00e9 uma s\u00e9rie de escutas qualificadas com as mulheres ind\u00edgenas de MS, junto ao Tribunal de Justi\u00e7a, rede especializada de atendimento \u00e0 mulher em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o da Defensoria P\u00fablica, UFGD, UEMS.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEsta primeira foi uma reuni\u00e3o com muita representatividade, com muitos olhares sobre a viol\u00eancia contra a mulher ind\u00edgena. A nossa miss\u00e3o \u00e9 a de fazer a escuta, de reunir elementos socioculturais para que o projeto da Secretaria da Cidadania com o Tribunal de Justi\u00e7a possa ser efetivado, que \u00e9 al\u00e9m da tradu\u00e7\u00e3o fria da Lei Maria da Penha para as l\u00ednguas maternas ind\u00edgenas, faze ruma constru\u00e7\u00e3o de materiais pedag\u00f3gicos e informativos sobre o contexto da viol\u00eancia\u201d, finaliza Manuela.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_466208\" aria-describedby=\"caption-attachment-466208\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption id=\"caption-attachment-466208\" class=\"wp-caption-text\">Encontro Cidadania e Mulher iniciou na aldeia Jaguapiru, em Dourados, para ouvir ind\u00edgenas quanto \u00e0 defesa e garantia dos direitos. (Foto: Paula Maciulevicius)<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Paula Maciulevicius, Comunica\u00e7\u00e3o da SEC.<\/em><br \/><em>Fotos: Paula Maciulevicius<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para al\u00e9m de traduzir, ao p\u00e9 da letra, o que a legisla\u00e7\u00e3o garante de direitos para mulheres ind\u00edgenas. 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