{"id":18244,"date":"2024-02-24T08:53:53","date_gmt":"2024-02-24T11:53:53","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/02\/24\/fapesp-tratamento-reduz-risco-de-inflamacoes-e-doencas-em-adolescentes-com-obesidade\/"},"modified":"2024-02-24T08:53:53","modified_gmt":"2024-02-24T11:53:53","slug":"fapesp-tratamento-reduz-risco-de-inflamacoes-e-doencas-em-adolescentes-com-obesidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/02\/24\/fapesp-tratamento-reduz-risco-de-inflamacoes-e-doencas-em-adolescentes-com-obesidade\/","title":{"rendered":"Fapesp: tratamento reduz risco de inflama\u00e7\u00f5es e doen\u00e7as em adolescentes com obesidade"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Pesquisa-de-obesidade.jpg\" \/><\/p>\n<div id=\"\">&#13;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5821476\" style=\"width: 100%;max-width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pesquisa da Unifesp envolveu 22 adolescentes com obesidade<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ap\u00f3s um ano de tratamento multidisciplinar envolvendo aconselhamento cl\u00ednico, nutricional, psicol\u00f3gico e exerc\u00edcio f\u00edsico, um grupo de 22 adolescentes com obesidade n\u00e3o apenas perdeu peso como viu diminuir em seu exame de sangue a concentra\u00e7\u00e3o de mediadores de inflama\u00e7\u00e3o e de doen\u00e7as cardiovasculares. Essas duas conquistas se traduziram na redu\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia \u00e0 insulina (e, portanto, do risco de diabetes), da gordura visceral e em um melhor controle do balan\u00e7o energ\u00e9tico (rela\u00e7\u00e3o entre ingest\u00e3o e gasto cal\u00f3rico) \u2013 fatores que promovem melhora global da sa\u00fade e impedem o \u201cefeito ioi\u00f4\u201d das dietas.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa,\u00a0financiada pela Fapesp, foram divulgados\u00a0no\u00a0<em>International Journal of Environmental Research and Public Health<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cNeste estudo, testamos um novo modelo de tratamento que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o intensivo quanto o original, j\u00e1 adotado em trabalhos anteriores do grupo e com efic\u00e1cia comprovada. Isso \u00e9 importante, pois, com menos frequ\u00eancia, o tratamento ganha em ades\u00e3o dos adolescentes e fica mais barato para ser implementado no Sistema \u00danico de Sa\u00fade\u201d, conta\u00a0Ana Raimunda D\u00e2maso, professora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre o modelo intensivo e o novo, proposto pelo artigo, est\u00e1 na redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de consultas e acompanhamentos. Antes os adolescentes tinham de ir \u00e0 universidade tr\u00eas vezes por semana para praticar atividade f\u00edsica com o aux\u00edlio de um professor, enquanto no atual eles foram orientados a praticar os exerc\u00edcios em casa.<\/p>\n<p>As orienta\u00e7\u00f5es nutricionais em grupo, antes realizadas uma vez por semana, ocorreram quinzenalmente no modelo semi-intensivo. E as orienta\u00e7\u00f5es nutricionais individuais foram abolidas, bem como as reuni\u00f5es mensais com os pais ou outros respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao apoio psicol\u00f3gico, o modelo intensivo preconizava sess\u00f5es em grupo e individuais \u2013 cada modalidade uma vez por semana. J\u00e1 no semi-intensivo foram feitos apenas encontros quinzenais em grupo. O atendimento m\u00e9dico individual mensal foi mantido.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, mesmo com um programa mais brando houve uma melhora significativa em rela\u00e7\u00e3o a dois horm\u00f4nios secretados pelo tecido adiposo: a leptina (fator-chave no controle do equil\u00edbrio energ\u00e9tico e de processos inflamat\u00f3rios) e a adiponectina (que tem a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria e protege a fun\u00e7\u00e3o pancre\u00e1tica).<\/p>\n<p>\u201cAdolescentes com obesidade grave geralmente apresentam estados de hiperleptinemia (produ\u00e7\u00e3o excessiva de leptina) e, ao mesmo tempo, redu\u00e7\u00e3o na secre\u00e7\u00e3o de adiponectina. Essa combina\u00e7\u00e3o acentua o estado pr\u00f3-inflamat\u00f3rio e o risco cardiometab\u00f3lico\u201d, explica D\u00e2maso.<\/p>\n<p>A terapia semi-intensiva conseguiu reverter esse quadro. A preval\u00eancia de adolescentes com hiperleptinemia caiu de 77,3% para 36,4%. Em um estudo anterior do grupo, em que foi usado o modelo intensivo de tratamento, a leptina dos adolescentes com obesidade havia passado de 75% para 55%.<\/p>\n<p>\u201cEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hiperleptinemia, portanto, os resultados foram at\u00e9 melhores no modelo semi-intensivo\u201d, afirma D\u00e2maso.<\/p>\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o do risco<\/strong><\/p>\n<p>A obesidade tem sido caracterizada por especialistas como uma doen\u00e7a inflamat\u00f3ria cr\u00f4nica. Quando tem in\u00edcio na adolesc\u00eancia o impacto negativo ao longo da vida \u00e9 ainda maior, pois a inflama\u00e7\u00e3o constante atua por mais tempo no organismo.<\/p>\n<p>No artigo, os pesquisadores ressaltam que uma das implica\u00e7\u00f5es mais preocupantes da obesidade na adolesc\u00eancia \u00e9 a associa\u00e7\u00e3o entre o excesso de tecido adiposo e o aumento no risco de desenvolvimento de doen\u00e7as metab\u00f3licas e cardiovasculares durante a adolesc\u00eancia e na idade adulta, o que piora substancialmente a qualidade de vida dos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais tempo uma pessoa permanecer com a obesidade grave durante a sua vida, maior \u00e9 a chance de morte prematura. O adolescente com obesidade extrema est\u00e1 com toda uma m\u00e1quina alterada e uma das principais ferramentas para reverter esse quadro, descobrimos, \u00e9 colocar a leptina para funcionar de novo\u201d, sublinha D\u00e2maso \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp.<\/p>\n<p>E a pesquisadora acrescenta: \u201c\u00c9 preciso desinflamar todo o sistema, reduzir estados de hiperleptinemia, o colesterol, melhorar a press\u00e3o arterial, diminuir a resist\u00eancia insul\u00ednica para evitar o diabetes e reduzir gordura visceral, al\u00e9m de outros biomarcadores de inflama\u00e7\u00e3o, evitando-se o risco cardiometab\u00f3lico. O controle da obesidade em adolescentes pode ainda melhorar a apneia do sono e reduzir transtornos do comportamento, como ansiedade, depress\u00e3o e bulimia, como observamos previamente em outros estudos\u201d.<\/p>\n<p>Trabalhos anteriores mostraram que uma alta concentra\u00e7\u00e3o de leptina na obesidade est\u00e1 associada ao aumento dos riscos cardiovasculares, dist\u00farbios comportamentais relacionados \u00e0 ingest\u00e3o de alimentos, inflama\u00e7\u00e3o e altera\u00e7\u00f5es na regula\u00e7\u00e3o neuroend\u00f3crina do balan\u00e7o energ\u00e9tico, com consequente preju\u00edzo \u00e0 perda de peso corporal.<\/p>\n<p>\u201cEntre os adolescentes que participaram do estudo, 77,3% apresentavam hiperlipidemia (altos n\u00edveis de gordura no sangue). Portanto, eles j\u00e1 estavam com altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas e pr\u00f3-inflamat\u00f3rias instaladas. Conseguimos revert\u00ea-las e trazer o balan\u00e7o energ\u00e9tico para uma condi\u00e7\u00e3o de normalidade\u201d, conta Deborah Cristina Landi Masquio, pesquisadora do Grupo de Estudos da Obesidade (GEO) da Unifesp. O trabalho \u00e9 fruto de sua tese de doutorado.<\/p>\n<p>\u201cO equil\u00edbrio entre os n\u00edveis de leptina e de adiponectina reduz o processo inflamat\u00f3rio caracter\u00edstico da obesidade e diminui o risco de v\u00e1rias doen\u00e7as relacionadas. Tudo isso est\u00e1 vinculado \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia insul\u00ednica. No estudo, 81,8% dos adolescentes tinham resist\u00eancia \u00e0 insulina e, no fim do tratamento, esse \u00edndice caiu para 50%\u201d, comemora Masquio.<\/p>\n<p>Os resultados mostraram ainda a redu\u00e7\u00e3o de dois biomarcadores de risco cardiovascular importantes (PAI-1 e ICAM-1). O PAI-1 \u00e9 considerado um importante inibidor do sistema fibrinol\u00edtico (que regula a coagula\u00e7\u00e3o do sangue), portanto, sua concentra\u00e7\u00e3o elevada pode levar a um estado pr\u00f3-tromb\u00f3tico que contribui para o desenvolvimento de doen\u00e7as cardiovasculares. J\u00e1 o biomarcador ICAM-1 \u00e9 uma glicoprote\u00edna associada ao processo de aterosclerose.<\/p>\n<p>\u201cEm adolescentes com diabetes, os n\u00edveis de PAI-1 est\u00e3o correlacionados com aumento de glicemia, triglicer\u00eddeos, colesterol total e espessura da veia car\u00f3tida\u201d, diz D\u00e2maso.<\/p>\n<p>A interven\u00e7\u00e3o interdisciplinar promoveu ainda redu\u00e7\u00e3o da circunfer\u00eancia da cintura e da gordura visceral dos adolescentes. \u201cEsse \u00e9 um desfecho importante, pois a adiposidade abdominal est\u00e1 intimamente relacionada \u00e0s comorbidades da obesidade, como altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas e inflama\u00e7\u00e3o\u201d, afirma D\u00e2maso.<\/p>\n<p>Siga o canal \u201cGoverno de S\u00e3o Paulo\u201d no WhatsApp:<br \/>https:\/\/bit.ly\/govspnozap<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#13; Pesquisa da Unifesp envolveu 22 adolescentes com obesidade Ap\u00f3s um ano de tratamento multidisciplinar envolvendo aconselhamento cl\u00ednico, nutricional, psicol\u00f3gico e exerc\u00edcio f\u00edsico, um grupo de 22 adolescentes com obesidade n\u00e3o apenas perdeu peso como viu diminuir em seu exame de sangue a concentra\u00e7\u00e3o de mediadores de inflama\u00e7\u00e3o e de doen\u00e7as cardiovasculares. 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