{"id":18314,"date":"2024-02-25T21:19:56","date_gmt":"2024-02-26T00:19:56","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/02\/25\/fapesp-mais-de-mil-especies-representam-metade-das-arvores-tropicais-do-planeta\/"},"modified":"2024-02-25T21:19:56","modified_gmt":"2024-02-26T00:19:56","slug":"fapesp-mais-de-mil-especies-representam-metade-das-arvores-tropicais-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/02\/25\/fapesp-mais-de-mil-especies-representam-metade-das-arvores-tropicais-do-planeta\/","title":{"rendered":"Fapesp: mais de mil esp\u00e9cies representam metade das \u00e1rvores tropicais do planeta"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/A-copa-de-uma-arvore-de-catore-em-frutificacao-plantas.jpg\" \/><\/p>\n<div id=\"\">&#13;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5821984\" style=\"width: 100%;max-width: 772px\" class=\"wp-caption alignnone caption-hide\"><\/figure>\n<p>A imensa maioria das 46 mil esp\u00e9cies de \u00e1rvores tropicais \u00e9 extremamente rara, n\u00e3o passando de 10% dos indiv\u00edduos desse bioma. Por outro lado, metade das \u00e1rvores dos tr\u00f3picos pertence a apenas 1.053 esp\u00e9cies (ou 2,24%). As estimativas foram apresentadas em artigo publicado na revista <em>Nature<\/em>, assinado por um cons\u00f3rcio internacional de pesquisadores, incluindo um brasileiro apoiado pela Fapesp.<\/p>\n<p>\u201cAs esp\u00e9cies dominantes t\u00eam papel fundamental na estrutura da floresta. Elas proveem recursos para outras plantas, fungos e animais. Uma das contribui\u00e7\u00f5es do estudo foi apontar algumas poucas esp\u00e9cies que representam uma grande parte dos indiv\u00edduos. Com isso, podemos fazer medi\u00e7\u00f5es e ter estat\u00edsticas mais confi\u00e1veis de como o ecossistema funciona\u201d, explica\u00a0Bruno Garcia Luize, que realizou o trabalho como parte de seu p\u00f3s-doutorado no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp), com\u00a0bolsa da Fapesp.<\/p>\n<p>Os autores utilizaram bancos de dados p\u00fablicos sobre a composi\u00e7\u00e3o de por\u00e7\u00f5es de floresta na Amaz\u00f4nia, \u00c1frica e Sudeste Asi\u00e1tico. Normalmente com um hectare, essas \u00e1reas s\u00e3o chamadas de parcelas. Uma parte das parcelas amaz\u00f4nicas analisadas no estudo foi estabelecida e teve os dados inclu\u00eddos nos bancos de dados por Luize, durante o mestrado no Instituto de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa), em Manaus, e no doutorado no Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), em Rio Claro, tamb\u00e9m com\u00a0bolsa da Fapesp.<\/p>\n<p>No total, 1.097 parcelas na Amaz\u00f4nia, 368 na \u00c1frica e 103 no Sudeste Asi\u00e1tico foram analisadas, totalizando uma amostragem de pouco mais de 1 milh\u00e3o de \u00e1rvores com di\u00e2metro de pelo menos 10 cent\u00edmetros em grandes maci\u00e7os florestais. Do total de \u00e1rvores, 93,3% foram identificadas por esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>\u201cNa Amaz\u00f4nia, estamos bem avan\u00e7ados nessas redes de invent\u00e1rios florestais colaborativos, que possibilitam fazer infer\u00eancias e extrapola\u00e7\u00f5es como essa. Com os dados de outras florestas tropicais, temos agora uma dimens\u00e3o mais global\u201d, conta o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Hiperdominantes<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m de determinar a porcentagem de esp\u00e9cies hiperdominantes, como s\u00e3o chamadas as que comp\u00f5em metade dos indiv\u00edduos de cada floresta tropical, os pesquisadores conseguiram determinar os nomes das mais prov\u00e1veis de serem as mais comuns em cada uma das \u00e1reas analisadas.<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia, por exemplo, algumas das poss\u00edveis hiperdominantes identificadas foram o matamat\u00e1 (<em>Eschweilera coriacea<\/em>), com casca grossa e que pode chegar a 35 metros de altura; duas esp\u00e9cies de a\u00e7a\u00ed (<em>Euterpe oleracea<\/em>\u00a0e\u00a0<em>E. precatoria<\/em>), conhecido pelo fruto e pelo palmito bastante consumidos no Brasil; e o parapar\u00e1 (<em>Jacaranda copaia<\/em>), \u00fanica esp\u00e9cie de jacarand\u00e1 amplamente distribu\u00edda na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Entre as \u00e1rvores amaz\u00f4nicas, as hiperdominantes s\u00e3o 2,2% das esp\u00e9cies. As mesmas propor\u00e7\u00f5es foram observadas na por\u00e7\u00e3o coberta de floresta tropical do continente africano, nas partes oeste, central e leste (2,2% das esp\u00e9cies representam 50% de todas as \u00e1rvores), e no Sudeste Asi\u00e1tico, do Myanmar, no oeste, a Sulawesi, no leste da \u00c1sia (2,3%). A consist\u00eancia na propor\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies hiperdominantes chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores por indicar uma quantidade razo\u00e1vel de esp\u00e9cies que podem ser mais bem conhecidas em curto a m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p>Segundo as estimativas, 299 esp\u00e9cies comp\u00f5em 50% dos 344 bilh\u00f5es de \u00e1rvores presentes na Amaz\u00f4nia. Na parte tropical do continente africano, s\u00e3o 104 esp\u00e9cies compondo metade dos 113 bilh\u00f5es de \u00e1rvores tropicais em doss\u00e9is fechados. Para o Sudeste Asi\u00e1tico, os pesquisadores chegaram ao n\u00famero de 278 esp\u00e9cies respons\u00e1veis por metade dos 129 bilh\u00f5es de \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Luize ressalva que n\u00e3o entraram no estudo outras florestas tropicais, como a Mata Atl\u00e2ntica e a floresta de Choc\u00f3, na Am\u00e9rica do Sul, al\u00e9m de dados da Am\u00e9rica Central, Nova Guin\u00e9 e Micron\u00e9sia, n\u00e3o dispon\u00edveis durante a execu\u00e7\u00e3o do estudo. Uma estimativa mais robusta ser\u00e1 poss\u00edvel, conta, quando essas regi\u00f5es forem inclu\u00eddas.<\/p>\n<p>O pesquisador lembra, por\u00e9m, que o levantamento traz importantes indica\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies que podem ser foco de estudos de autoecologia, em que se analisa como interagem com outras esp\u00e9cies e o ambiente.<\/p>\n<p>\u201cIsso sem contar estimativas de armazenamento de carbono dessas \u00e1rvores, informa\u00e7\u00e3o essencial para os c\u00e1lculos de emiss\u00e3o e captura dos gases de efeito estufa respons\u00e1veis pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, explica.<\/p>\n<p>Segundo Simon Lewis, professor da University College of London e um dos coordenadores do estudo, focar em algumas centenas de \u00e1rvores comuns, em vez dos milhares de esp\u00e9cies sobre as quais n\u00e3o se conhece quase nada, pode possibilitar novas maneiras de entender as florestas tropicais.<\/p>\n<p>\u201cIsso n\u00e3o quer dizer renegar a import\u00e2ncia das esp\u00e9cies raras, elas precisam de aten\u00e7\u00e3o especial para serem protegidas. Por\u00e9m, ganhos r\u00e1pidos e importantes em conhecimento devem vir das pesquisas sobre as esp\u00e9cies mais comuns\u201d, disse o pesquisador em um informe \u00e0 imprensa.<\/p>\n<p>Coordenado por pesquisadores da universidade brit\u00e2nica, o trabalho tem 356 autores. Al\u00e9m de Luize, participaram pelo Brasil cientistas do Inpa, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e Unicamp, al\u00e9m de universidades e institutos de pesquisa federais e estaduais em Estados amaz\u00f4nicos e em outras regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p>Siga o canal \u201cGoverno de S\u00e3o Paulo\u201d no WhatsApp:<br \/>https:\/\/bit.ly\/govspnozap<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#13; A imensa maioria das 46 mil esp\u00e9cies de \u00e1rvores tropicais \u00e9 extremamente rara, n\u00e3o passando de 10% dos indiv\u00edduos desse bioma. 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