{"id":18713,"date":"2024-03-03T15:53:01","date_gmt":"2024-03-03T18:53:01","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/03\/03\/restauracao-de-areas-degradadas-no-semiarido-promove-volta-de-microrganismos-do-solo\/"},"modified":"2024-03-03T15:53:01","modified_gmt":"2024-03-03T18:53:01","slug":"restauracao-de-areas-degradadas-no-semiarido-promove-volta-de-microrganismos-do-solo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/03\/03\/restauracao-de-areas-degradadas-no-semiarido-promove-volta-de-microrganismos-do-solo\/","title":{"rendered":"Restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas no semi\u00e1rido promove \u2018volta\u2019 de microrganismos do solo"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/50912.jpg\" \/><\/p>\n<div id=\"\">&#13;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5825230\" style=\"width: 100%;max-width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Os pesquisadores fizeram uma revis\u00e3o de 18 estudos desenvolvidos no semi\u00e1rido, concentrado na Caatinga<\/figcaption><\/figure>\n<p>Estrat\u00e9gias aplicadas na restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas t\u00eam mostrado resultados promissores em terras do semi\u00e1rido brasileiro, melhorando tamb\u00e9m as propriedades microbianas do solo e contribuindo para a volta de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos nativos. Entre essas t\u00e9cnicas est\u00e3o a retirada ou a restri\u00e7\u00e3o do acesso de gado a determinadas regi\u00f5es de pasto; o cultivo de esp\u00e9cies para cobertura vegetal e a ado\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>terracing<\/em>, um procedimento que modifica a topografia em encostas ou inclina\u00e7\u00f5es para controlar a eros\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a recupera\u00e7\u00e3o das propriedades microbianas do solo, al\u00e9m do importante papel de manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade, a produtividade melhora, contribuindo com uma produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria sustent\u00e1vel. Esses s\u00e3o os resultados apontados em pesquisa\u00a0<strong>publicada<\/strong>\u00a0no\u00a0<em>Journal of Environmental Management<\/em>\u00a0por um grupo de cientistas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e das Federais do Piau\u00ed (UFPI), do Cear\u00e1 (UFC) e do Agreste de Pernambuco (Ufape). Os pesquisadores fizeram uma revis\u00e3o de 18 estudos desenvolvidos no semi\u00e1rido, concentrado na Caatinga.<\/p>\n<p>No Brasil, 16% do territ\u00f3rio \u00e9 suscet\u00edvel \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o. S\u00e3o mais de 1.400 munic\u00edpios (de um total de 5.570), distribu\u00eddos nos nove estados da regi\u00e3o Nordeste. Englobam cerca de 35 milh\u00f5es de brasileiros.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a biodiversidade da Caatinga \u00e9 variada, composta de quase 600 esp\u00e9cies de aves, 240 de peixes, mais de 170 de mam\u00edferos, entre outras. No bioma, os agricultores familiares est\u00e3o entre os mais expostos ao risco clim\u00e1tico, e os munic\u00edpios onde eles se concentram registraram perdas de produ\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Segundo\u00a0<strong>estudo<\/strong>\u00a0do Climate Policy Initiative da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (CPI\/PUC-Rio), o aumento da seca na Caatinga provoca uma queda maior na produtividade do feij\u00e3o (16%) e do milho (35%), por exemplo, em compara\u00e7\u00e3o aos demais biomas (6% e 16%, respectivamente). No caso da pecu\u00e1ria, a queda de 9% na produtividade na regi\u00e3o se contrap\u00f5e ao aumento de 1% nos outros biomas.<\/p>\n<p>\u201cBuscamos entender o microbioma e suas fun\u00e7\u00f5es para, a partir da\u00ed, enxergar ferramentas que auxiliem a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas no semi\u00e1rido. Vimos que as t\u00e9cnicas de restaura\u00e7\u00e3o t\u00eam feito com que a biodiversidade microbiana volte e, consequentemente, haja a retomada de fun\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos mais similares ao que eram naturalmente\u201d, explica \u00a0o professor\u00a0<strong>Lucas William Mendes<\/strong>, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena-USP).<\/p>\n<p>Um dos autores do artigo, Mendes recebe apoio da Fapesp por meio de dois projetos (<strong>19\/16043-7<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>20\/12890-4<\/strong>).<\/p>\n<p><strong>Para entender<\/strong><\/p>\n<p>O microbioma \u00e9 a cole\u00e7\u00e3o de todos os microrganismos, seus materiais gen\u00e9ticos, fun\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00e3o com o ambiente. Inclui bact\u00e9rias, fungos, arqueias, protistas e v\u00edrus encontrados no solo. Desempenha importante papel na ciclagem de nutrientes, na decomposi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria org\u00e2nica, al\u00e9m de estar ligado \u00e0 emiss\u00e3o de gases de efeito estufa e correlacionado com a sa\u00fade do solo, refletindo, assim, nas plantas.<\/p>\n<p>Alguns microrganismos envolvidos na forma\u00e7\u00e3o e estabiliza\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria org\u00e2nica rica em carbono contribuem para o sequestro do g\u00e1s e ajudam a mitigar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cCompreendendo como alguns microrganismos vivem e contribuem para o crescimento de plantas em \u00e1rea seca, \u00e9 poss\u00edvel descobrir novos inoculantes visando o desenvolvimento de vegeta\u00e7\u00e3o nessas regi\u00f5es\u201d, afirma Mendes.<\/p>\n<p>Por isso, entender como as t\u00e9cnicas de restaura\u00e7\u00e3o mexem com o microbioma permite n\u00e3o s\u00f3 compreender como est\u00e1 a qualidade da terra, mas tamb\u00e9m reduzir o uso de insumos artificiais e melhorar a agricultura por meio do potencial biotecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria sustent\u00e1vel vem ganhando cada vez mais destaque e, neste ano, \u00e9 um dos focos do grupo de trabalho que vai tratar de quest\u00f5es ligadas aos sistemas agr\u00edcolas no G20. Formado pelas 19 maiores economias do mundo mais a Uni\u00e3o Africana e a Uni\u00e3o Europeia, o G20 est\u00e1 sob a presid\u00eancia do Brasil desde o final do ano passado, e a C\u00fapula de L\u00edderes ser\u00e1 realizada em novembro, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Para os professores Erika Valente de Medeiros e Diogo Paes da Costa, da Ufape e autores do artigo, as pesquisas podem fornecer subs\u00eddios para orientar a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas direcionadas ao desenvolvimento sustent\u00e1vel e \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos da desertifica\u00e7\u00e3o. \u201cEssas iniciativas s\u00e3o fundamentais, especialmente ao incorporar o conceito de sa\u00fade global, que reconhece a interdepend\u00eancia entre a sa\u00fade dos ecossistemas, a diversidade microbiana do solo e o bem-estar humano\u201d, complementa Medeiros.<\/p>\n<p><strong>Impactos<\/strong><\/p>\n<p>No artigo, os pesquisadores mostraram que a desertifica\u00e7\u00e3o no semi\u00e1rido brasileiro \u00e9 influenciada por fatores naturais \u2013 baixa pluviosidade da regi\u00e3o, as altas taxas de evapora\u00e7\u00e3o e os solos fr\u00e1geis \u2013 e atividades humanas insustent\u00e1veis \u2013 como a cria\u00e7\u00e3o de gado ou uso para agricultura sem o manejo adequado. \u201cO estudo \u00e9 importante porque mostra o efeito negativo da desertifica\u00e7\u00e3o e indica pr\u00e1ticas efetivas de restaura\u00e7\u00e3o para recupera\u00e7\u00e3o da diversidade microbiana no solo\u201d, avalia o engenheiro agr\u00f4nomo\u00a0<strong>Ademir S\u00e9rgio Ferreira de Ara\u00fajo<\/strong>, primeiro autor do artigo e professor na UFPI.<\/p>\n<p>Adotando t\u00e9cnicas moleculares, como metagen\u00f4mica e metatranscript\u00f4mica, foi poss\u00edvel fazer o monitoramento e a avalia\u00e7\u00e3o dos impactos dos esfor\u00e7os de restaura\u00e7\u00e3o para o microbioma do solo.<\/p>\n<p>Nas \u00e1reas em que houve a cobertura com nova vegeta\u00e7\u00e3o, foram usados o c\u00e2nhamo (<em>Crotalaria juncea<\/em>) e o capim-momba\u00e7a (<em>Panicum maximum<\/em>) \u2013 planta de origem africana, disseminada nas regi\u00f5es tropicais e subtropicais, com alta produtividade de massa verde por hectare e elevado teor de prote\u00edna bruta, o que o torna um alimento de qualidade para o gado. \u201cCom cobertura das plantas, que muda a qu\u00edmica do solo, conseguimos ver que h\u00e1 melhora na pastagem da regi\u00e3o, podendo ampliar a quantidade de cabe\u00e7as de gado por hectare, aumentando a produtividade\u201d, diz Mendes.<\/p>\n<p>J\u00e1 as \u00e1reas de\u00a0<em>terracing<\/em>\u00a0ajudaram a controlar a eros\u00e3o, conservar a \u00e1gua e facilitar a agricultura. \u201c\u00c9 importante lembrar que a restaura\u00e7\u00e3o das propriedades microbianas do solo \u00e9 um processo complexo e demorado, exigindo compromisso e monitoramento de longo prazo. Da\u00ed a import\u00e2ncia de cada vez mais estudos nesta \u00e1rea\u201d, completa.<\/p>\n<p>O pesquisador tamb\u00e9m \u00e9 um dos autores de outro trabalho\u00a0<strong>publicado<\/strong>\u00a0em janeiro na revista\u00a0<em>Plant and Soil<\/em>, que destaca a necessidade de ado\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas que integrem abordagens biol\u00f3gicas com vari\u00e1veis ambientais \u2013 propriedades de ecossistemas, condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e tipos de solo.<\/p>\n<p>Liderado pelo pesquisador Brajesh Singh, da Western Sydney University (Austr\u00e1lia), e com olhar global, o estudo prop\u00f5e que, para apoiar essa abordagem, haja a integra\u00e7\u00e3o de novas ferramentas computacionais e de sat\u00e9lite com potencial para facilitar a implementa\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o, do monitoramento e da restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas.<\/p>\n<p><strong>Parceria<\/strong><\/p>\n<p>O professor\u00a0<strong>Arthur Prud\u00eancio de Ara\u00fajo Pereira<\/strong>, da UFC, destaca que os pr\u00f3ximos passos ser\u00e3o desenvolvidos por meio do projeto\u00a0<em>Caatinga Microbiome Initiative (CMI)<\/em>, uma iniciativa interinstitucional, criada em 2022, que envolve mais de 20 professores e pesquisadores do Brasil e do exterior, com o objetivo de estudar o microbioma da Caatinga e sua rela\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade do solo.<\/p>\n<p>\u201cConhecemos muito pouco sobre o papel do microbioma de solos da Caatinga, principalmente em \u00e1reas em desertifica\u00e7\u00e3o. Por isso a import\u00e2ncia da condu\u00e7\u00e3o de experimentos no \u00e2mbito do projeto.\u201d<\/p>\n<p>Siga o canal \u201cGoverno de S\u00e3o Paulo\u201d no WhatsApp:<br \/>https:\/\/bit.ly\/govspnozap<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#13; Os pesquisadores fizeram uma revis\u00e3o de 18 estudos desenvolvidos no semi\u00e1rido, concentrado na Caatinga Estrat\u00e9gias aplicadas na restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas t\u00eam mostrado resultados promissores em terras do semi\u00e1rido brasileiro, melhorando tamb\u00e9m as propriedades microbianas do solo e contribuindo para a volta de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos nativos. 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