{"id":19139,"date":"2024-03-10T19:28:01","date_gmt":"2024-03-10T22:28:01","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/03\/10\/delegacias-da-mulher-identificam-96-dos-autores-de-feminicidios-em-sp\/"},"modified":"2024-03-10T19:28:01","modified_gmt":"2024-03-10T22:28:01","slug":"delegacias-da-mulher-identificam-96-dos-autores-de-feminicidios-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/03\/10\/delegacias-da-mulher-identificam-96-dos-autores-de-feminicidios-em-sp\/","title":{"rendered":"Delegacias da Mulher identificam 96% dos autores de feminic\u00eddios em SP"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/WhatsApp-Image-2019-03-26-at-17.19.17.jpeg\" \/><\/p>\n<div id=\"\">&#13;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5087679\" style=\"width: 100%;max-width: 1000px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Fachada da Delegacia da Mulher em Santos<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em todo o estado de S\u00e3o Paulo, a pol\u00edcia conseguiu identificar 214 autores de feminic\u00eddios, ou seja, 96% do total de casos registrados no ano passado. Dos 221 crimes cometidos contra mulheres em 2023, 101 suspeitos foram presos em flagrante, e os demais foram indiciados durante as investiga\u00e7\u00f5es \u2013 apenas sete casos ainda t\u00eam autoria desconhecida.<\/p>\n<p>Segundo levantamento da Pol\u00edcia Civil, do total de feminic\u00eddios registrados no ano passado, apenas em 63 casos as v\u00edtimas tinham registrado ocorr\u00eancias anteriores contra os agressores.<\/p>\n<p>\u201cNosso desejo \u00e9 que esses crimes n\u00e3o ocorram. Mas, uma vez registrados, nosso dever \u00e9 fornecer uma resposta r\u00e1pida e eficaz \u00e0 sociedade para identificar e colocar esses criminosos atr\u00e1s das grades. No estado de S\u00e3o Paulo, agressores de mulheres n\u00e3o ficar\u00e3o impunes\u201d, afirmou o secret\u00e1rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica, Guilherme Derrite. \u201cEstamos investindo ainda mais em tecnologia e na amplia\u00e7\u00e3o das equipes especializadas para dar todo o suporte \u00e0s v\u00edtimas desses covardes.\u201d<\/p>\n<p>Segundo a delegada Jamila Ferrari, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher, os dados servem como um alerta para as autoridades. Em um contexto conjugal, a viol\u00eancia ocorre dentro de um ciclo que \u00e9 constantemente repetido e sempre come\u00e7a antes do crime. \u201cInfelizmente, por algum motivo, essa mulher n\u00e3o sabia ou tinha medo, ou vergonha, ou achou que nada iria acontecer e n\u00e3o procurou a pol\u00edcia\u201d, observou.<\/p>\n<p>Ainda segundo a delegada, esse contexto indica que \u00e9 preciso continuar incentivando as mulheres a registrarem as ocorr\u00eancias \u201cao menor e primeiro sinal de viol\u00eancia, mesmo que seja um xingamento ou amea\u00e7a\u201d. Desse modo, a pol\u00edcia poder\u00e1 agir, seja com um pedido de medida protetiva ou mesmo a pris\u00e3o do agressor.<\/p>\n<p>Segundo a Pol\u00edcia Civil, 11,1 mil estupros de vulner\u00e1vel e 3,3 mil estupros foram registrados em todo o estado em 2023, um aumento de 9,8% em rela\u00e7\u00e3o a 2022. \u201cA subnotifica\u00e7\u00e3o nesses casos ainda \u00e9 alta\u201d, alertou a coordenada das DDMs. \u201cS\u00e3o os crimes mais subnotificados que temos.\u201d O aumento das den\u00fancias impacta no crescimento no n\u00famero de casos, e \u00e9 essencial que a v\u00edtima procure os agentes de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O medo e a vergonha s\u00e3o os principais motivos que desestimulam a v\u00edtima a buscar apoio e denunciar o agressor. \u201cAl\u00e9m de machucar fisicamente, tamb\u00e9m traz uma viol\u00eancia psicol\u00f3gica muito grande, fazendo com que a mulher n\u00e3o procure ajuda\u201d, explicou Jamila. Para a delegada, o aumento das notifica\u00e7\u00f5es indica que as v\u00edtimas est\u00e3o sentindo confian\u00e7a para buscar socorro.<\/p>\n<p><strong>Prote\u00e7\u00e3o integrada<\/strong><\/p>\n<p>A 1\u00aa Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), na regi\u00e3o do Cambuci, esclareceu 93% dos casos de feminic\u00eddios ocorridos desde 2020 na \u00e1rea central da cidade de S\u00e3o Paulo. Foram 16 registros no per\u00edodo, com 15 casos solucionados e 14 suspeitos presos. Em um dos casos, o acusado conseguiu fugir do pa\u00eds, mas foi poss\u00edvel identific\u00e1-lo e solicitar a pris\u00e3o.<\/p>\n<p>O trabalho investigativo \u00e9 determinante para a resolu\u00e7\u00e3o dos casos. \u201cToda investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 voltada para o relacionamento daquela v\u00edtima com o poss\u00edvel agressor ou quem era aquela pessoa que ela se relacionava. N\u00f3s vamos atr\u00e1s desse suspeito para colher o maior n\u00famero de evid\u00eancias poss\u00edveis, com todos os m\u00e9todos de apura\u00e7\u00e3o que a Pol\u00edcia Civil p\u00f5e \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o\u201d, explica a delegada Cristine Nascimento Guedes Costa.<\/p>\n<p>Para a titular da 1\u00aa DDM, o principal trabalho da equipe nesses casos \u00e9 provar que o parceiro foi o autor do crime. \u201cTemos que vincular o suspeito \u00e0 ocorr\u00eancia para que a Justi\u00e7a aceite o pedido de pris\u00e3o, ent\u00e3o, o trabalho precisa ser robusto\u201d, frisou Cristine. \u201cTodas as nossas investiga\u00e7\u00f5es tiveram as pris\u00f5es convertidas em preventivas, tanto em flagrante quanto tempor\u00e1rias, e isso j\u00e1 mostra um \u00eaxito da investiga\u00e7\u00e3o por manter o autor preso.\u201d<\/p>\n<p>A 1\u00aa DDM funciona dentro da Casa da Mulher Brasileira, na regi\u00e3o central da capital. A unidade re\u00fane todos os servi\u00e7os de acolhimento e escuta qualificada e \u00e9 respons\u00e1vel por uma regi\u00e3o que compreende uma popula\u00e7\u00e3o de quase 800 mil pessoas.<\/p>\n<p>\u201cA gente consegue suprir a demanda, dar um retorno positivo para a mulher dentro da nossa estrutura. \u00c9 um atendimento que funciona 24 horas para dar o suporte a essa v\u00edtima de viol\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>As v\u00edtimas de viol\u00eancia que procuram a Casa da Mulher s\u00e3o atendidas por uma equipe multidisciplinar. Al\u00e9m da 1\u00aa DDM, o local conta com um juizado especializado em viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, Defensoria P\u00fablica, Minist\u00e9rio P\u00fablico e uma equipe da Guarda Civil Metropolitana para suporte ao cumprimento de medidas judiciais.<\/p>\n<p>\u201cO grande diferencial \u00e9 dar \u00e0 mulher atendimento integral, completo dentro da pr\u00f3pria estrutura\u201d, explicou a delegada. \u201cAqui dentro ela tem todas as demandas atendidas, inclusive com deferimento de medida protetiva. Isso evita que a mulher desista de seguir adiante com a den\u00fancia, pois tem no seu entorno toda prote\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia necess\u00e1ria\u201d, refor\u00e7ou.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo fechou o ano passado com 189 queixas de estupro, n\u00famero praticamente est\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o a 2022, quando 188 casos foram denunciados. A delegada explicou que a mulher sempre foi v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica e crimes sexuais e, por isso, ainda h\u00e1 subnotifica\u00e7\u00e3o de ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p>\u201cA realidade que temos hoje \u00e9 que a mulher tem esse empoderamento, ou seja, ela acredita que ela \u00e9 v\u00edtima da situa\u00e7\u00e3o, que ela n\u00e3o se colocou naquela situa\u00e7\u00e3o para passar pela viol\u00eancia sofrida. Quando a mulher acredita que \u00e9 v\u00edtima e vai ter respaldo do poder p\u00fablico, ela vem e denuncia.\u201d<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#13; Fachada da Delegacia da Mulher em Santos Em todo o estado de S\u00e3o Paulo, a pol\u00edcia conseguiu identificar 214 autores de feminic\u00eddios, ou seja, 96% do total de casos registrados no ano passado. 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