{"id":20696,"date":"2024-04-05T11:03:01","date_gmt":"2024-04-05T14:03:01","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/04\/05\/agencia-minas-gerais-centros-de-triagem-e-reabilitacao-contribuem-dia-a-dia-com-a-conservacao-da-fauna-silvestre-em-minas\/"},"modified":"2024-04-05T11:03:01","modified_gmt":"2024-04-05T14:03:01","slug":"agencia-minas-gerais-centros-de-triagem-e-reabilitacao-contribuem-dia-a-dia-com-a-conservacao-da-fauna-silvestre-em-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/04\/05\/agencia-minas-gerais-centros-de-triagem-e-reabilitacao-contribuem-dia-a-dia-com-a-conservacao-da-fauna-silvestre-em-minas\/","title":{"rendered":"Ag\u00eancia Minas Gerais | Centros de Triagem e Reabilita\u00e7\u00e3o contribuem, dia a dia, com a conserva\u00e7\u00e3o da fauna silvestre em Minas"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<section class=\"news-related \/ col-md-4 col-lg-3 \/ margin-md-bottom-2 margin-left-1 \/ pull-right \/ hidden-xs hidden-sm\">\n<header>\n<p class=\"text-title-section \/ margin-bottom-1\">Relacionadas<\/p>\n<\/header>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t<main><\/p>\n<hr class=\"row margin-md-bottom-2\"\/>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/main><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<\/section>\n<p>Em um amplo espa\u00e7o, um macaco da esp\u00e9cie bugio, recolhido no Sul de Minas, em 2023, observa com tranquilidade a atividade de outros animais ao redor, como araras, tucanos e iguanas. Ao mesmo tempo, uma siriema \u00e9 alimentada por uma equipe formada por veterin\u00e1rios, bi\u00f3logos e cuidadores. Esta \u00e9 a rotina dos Centros de Triagem e Reabilita\u00e7\u00e3o de Animais Silvestres (Cetras), estruturas essenciais no recebimento, reabilita\u00e7\u00e3o e soltura da fauna silvestre.<\/p>\n<p>Presentes em cinco cidades de diferentes regi\u00f5es de Minas, os Cetras recebem animais oriundos de apreens\u00f5es, al\u00e9m de entregas volunt\u00e1rias de pessoas que mant\u00eam animais ilegalmente e se arrependem, e de esp\u00e9cies recolhidas, seja em \u00e1rea urbana ou em estradas.\u00a0<\/p>\n<p>Os profissionais tamb\u00e9m tratam de filhotes e animais feridos recolhidos pela popula\u00e7\u00e3o. S\u00e3o milhares de animais recebidos, reabilitados e devolvidos \u00e0 natureza anualmente.<\/p>\n<p>\u201cNossa estrutura \u00e9 uma forma de conserva\u00e7\u00e3o, \u00e9 para onde vir\u00e3o os animais e ser\u00e3o atendidos, criados e recuperados para poder voltar novamente \u00e0 natureza para desempenhar as fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas que eles desempenham normalmente\u201d, explicou a m\u00e9dica-veterin\u00e1ria do Instituto Estadual de Florestas (IEF), \u00c9rika Proc\u00f3pio.<\/p>\n<p><strong>Cidades<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da capital Belo Horizonte, h\u00e1 estruturas do Cetras instaladas em Juiz de Fora e Montes Claros. Estas tr\u00eas possuem gest\u00e3o compartilhada entre o IEF e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama).\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 outras duas, localizadas em Divin\u00f3polis e Patos de Minas, s\u00e3o geridas exclusivamente pelo Governo de Minas. H\u00e1, ainda, mais unidades a serem entregues \u00e0 popula\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>\u201cChegaremos a dez Cetras nos pr\u00f3ximos anos. Essa \u00e9 uma importante a\u00e7\u00e3o desenvolvida pelo Governo de Minas para fazer com que a causa animal tenha cada vez mais e melhores cuidados e que a gente possa agir para a melhoria da qualidade da biodiversidade no estado\u201d, afirmou o diretor-geral do IEF, Breno Lasmar.<\/p>\n<p><strong>Recupera\u00e7\u00e3o e reabilita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Quando um animal d\u00e1 entrada nos Cetras, seja por apreens\u00e3o, entrega volunt\u00e1ria ou por recolhimento, ele \u00e9 avaliado por veterin\u00e1rios e bi\u00f3logos. Uma avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, f\u00edsica e comportamental \u00e9 feita e, ap\u00f3s a primeira etapa, o animal recebe uma marca\u00e7\u00e3o. A partir da triagem, a equipe poder\u00e1 saber se o referido animal poder\u00e1 avan\u00e7ar para uma etapa de reabilita\u00e7\u00e3o ou se precisar\u00e1 passar por outro tipo de tratamento.<\/p>\n<p>\u201cEsse processo \u00e9 variado e depende de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo, do tempo em que esse animal estava em cativeiro ou dos ferimentos que esse animal apresenta quando chega. Pode variar entre semanas at\u00e9 anos&#8221;, explica \u00c9rika Proc\u00f3pio.<\/p>\n<p>Ela detalha ainda que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter uma estimativa exata de quanto tempo o animal vai ficar no Cetras, o que depende muito da avalia\u00e7\u00e3o inicial e do \u00eaxito que o animal ter\u00e1 durante o processo de reabilita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3rias<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 casos marcantes que ficaram na hist\u00f3ria dos Cetras, como o dos filhotes de tamandu\u00e1s recuperados ainda na barriga da m\u00e3e, v\u00edtima fatal de um atropelamento. Neste caso, a equipe recebeu o corpo da m\u00e3e e retirou os filhotes ainda com vida.<\/p>\n<p>Nos dias seguintes, eles receberam a amamenta\u00e7\u00e3o e ensino sobre como ser um animal selvagem. O saldo foi positivo, como relatou \u00c9rika.<\/p>\n<p>\u201cTemos um projeto no IEF que \u00e9 o de soltura com monitoramento. Teve um dos animais que cuidamos desde filhote, fizemos o processo de reabilita\u00e7\u00e3o, soltamos na natureza e esse filhote que virou adulta teve um filhote na natureza&#8221;, conta.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 um caso bem marcante, ressalta ela, pois o animal passou por v\u00e1rias etapas, desde filhote, cuidado inicial e reabilita\u00e7\u00e3o, at\u00e9 conseguir se estabelecer na natureza e reproduzir.<\/p>\n<p>Animais com sequelas permanentes ou com outras caracter\u00edsticas que impe\u00e7am o retorno \u00e0 natureza s\u00e3o encaminhados para locais devidamente autorizados, conforme a legisla\u00e7\u00e3o vigente.<\/p>\n<p><strong>\u00c1reas de soltura<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 os animais reabilitados pelo Cetras s\u00e3o soltos, prioritariamente, nas \u00c1reas de Soltura de Animais Silvestres (ASAs).\u00a0<br \/>&#13;<br \/>\nS\u00e3o \u00e1reas particulares, que as pessoas colocam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para receber os animais e ajudar nas a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Para inscrever uma propriedade rural como \u00c1rea de Soltura de Animais Silvestres junto ao IEF \u00e9 necess\u00e1rio certificar-se de que possui condi\u00e7\u00f5es de implantar o viveiro de aclimata\u00e7\u00e3o com no m\u00ednimo 24m\u00b2 de \u00e1rea constru\u00edda e de fornecer alimenta\u00e7\u00e3o di\u00e1ria aos animais, entre outras exig\u00eancias.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica veterin\u00e1ria explica que a pessoa interessada entra em contato com o IEF por um link no site. A partir desse link, ser\u00e1 feito o georreferenciamento da \u00e1rea e avaliadas as respectivas potencialidades.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Depois disso, a gente faz uma vistoria no local para ver se \u00e9 uma \u00e1rea adequada e solicita a constru\u00e7\u00e3o de um viveiro de aclimata\u00e7\u00e3o, onde os animais ficar\u00e3o um per\u00edodo no pr\u00e9-soltura para se recuperarem da viagem e se adaptarem ao ambiente\u201d, descreve.<\/p>\n<p>As taxas de soltura de animais recebidos no Cetras BH, por exemplo, s\u00e3o em torno de 60% a 65%.<\/p>\n<p>Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre as \u00c1reas de Soltura, clique aqui.<\/p>\n<p><strong>Origem dos animais<\/strong><\/p>\n<p>Os animais silvestres d\u00e3o entrada em unidades do Cetras principalmente apreendidos pelos \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica, como a Pol\u00edcia Militar do Meio Ambiente. Em maioria, s\u00e3o v\u00edtimas do tr\u00e1fico. Mas eles tamb\u00e9m podem ser recolhidos pelos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos nos ambientes rurais e urbanos e ainda podem ser entregues de maneira volunt\u00e1ria pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O \u00edndice de animais que chegam at\u00e9 o Cetras de Belo Horizonte por meio de apreens\u00e3o \u00e9 de 70%, de acordo com a m\u00e9dica-veterin\u00e1ria do IEF. A estrutura da capital mineira, inclusive, \u00e9 a que mais recebe animais em todo o estado. Foram cerca de 3,6 mil somente em 2023, sendo que as cinco unidades, juntas, recepcionaram 9,7 mil animais no ano passado.<\/p>\n<p>Entre as esp\u00e9cies que est\u00e3o no topo da lista de apreens\u00e3o, est\u00e3o p\u00e1ssaros como o trinca-ferro e o can\u00e1rio chapinha, al\u00e9m de papagaios e araras.\u00a0<\/p>\n<p>Geralmente, estes animais s\u00e3o transportados em pequenas caixas dentro de porta-malas de ve\u00edculos. \u201cCada recupera\u00e7\u00e3o de animais que chegam muito feridos \u00e9 uma grande vit\u00f3ria para n\u00f3s\u201d, resumiu \u00c9rika Proc\u00f3pio.<\/p>\n<p><strong>Entrega volunt\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>Caso o respons\u00e1vel n\u00e3o queira mais permanecer com seu animal, ele poder\u00e1 entreg\u00e1-lo nos Cetras ou pass\u00e1-lo a outra pessoa mediante termo de transfer\u00eancia acompanhado dos documentos de origem, conforme legisla\u00e7\u00e3o vigente.<\/p>\n<p>J\u00e1 o animal silvestre ou ex\u00f3tico obtido irregularmente n\u00e3o pode ser regularizado. A \u00fanica op\u00e7\u00e3o \u00e9 a entrega volunt\u00e1ria aos \u00f3rg\u00e3os ambientais.\u00a0<\/p>\n<p>Neste caso, conforme Decreto Federal 6.514, de 2008, e Decreto Estadual n\u00ba 47.383, de 2018, a entrega volunt\u00e1ria isenta o cidad\u00e3o de qualquer penalidade e ele sequer \u00e9 obrigado a se identificar no momento da transfer\u00eancia do animal ao Cetras.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma forma de ela se regularizar perante a sociedade e n\u00e3o ficar com um animal ilegal e incorrendo \u00e0s san\u00e7\u00f5es administrativas e criminais se esse animal for apreendido\u201d, disse a m\u00e9dica veterin\u00e1ria do IEF.<\/p>\n<p>A Lei Federal 9.605, de fevereiro de 1998, tamb\u00e9m conhecida como Lei de Crimes Ambientais, prev\u00ea deten\u00e7\u00e3o de seis meses a um ano e multa para quem capturar, vender e ter dep\u00f3sito de fauna silvestre sem autoriza\u00e7\u00e3o ambiental (art. 29). J\u00e1 para quem introduz fauna ex\u00f3tica (art. 31), multa e deten\u00e7\u00e3o de tr\u00eas meses a um ano.<\/p>\n<p>Outra puni\u00e7\u00e3o \u00e9 prevista no Decreto Federal 6.514, de 2008, com multa de R$ 500 por indiv\u00edduo com esp\u00e9cie n\u00e3o constante de listas oficiais de risco ou amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, e R$ 5 mil por indiv\u00edduo de esp\u00e9cie constante nas listas oficiais de fauna brasileira amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, inclusive na rela\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o sobre o Com\u00e9rcio Internacional das Esp\u00e9cies da Flora e Fauna Selvagens Amea\u00e7adas de Extin\u00e7\u00e3o (Cites).<\/p>\n<p>Para quem introduz e mant\u00e9m a guarda de esp\u00e9cie da fauna ex\u00f3tica, a multa \u00e9 de R$ 2 mil. Ser\u00e1 acrescido a cada esp\u00e9cie excedente o valor de R$ 200, nas ocasi\u00f5es em que o animal n\u00e3o estiver em listas oficiais de esp\u00e9cies em risco ou amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Quando o animal constar nas listas oficiais, inclusive na Cites, o acr\u00e9scimo ser\u00e1 de R$ 5 mil por indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Em Minas Gerais, as puni\u00e7\u00f5es est\u00e3o previstas no Decreto n\u00ba 47.383, de mar\u00e7o de 2018.\u00a0<\/p>\n<p><strong>O que fazer quando encontrar um animal silvestre<\/strong><\/p>\n<p>Afinal, o que fazer caso se deparar com um animal silvestre dentro de cidades ou em estradas?\u00a0<\/p>\n<p>O primeiro passo \u00e9 ter cuidado, uma vez que por mais manso que o animal possa parecer, ele tem um instinto e vai tentar se defender, caso se sinta acuado. Portanto, a principal dica \u00e9 que seja feito o contato com a Pol\u00edcia Militar de Meio Ambiente, Corpo de Bombeiros ou IEF, para que o recolhimento do animal seja feito at\u00e9 o Cetras mais pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Em Minas, um caso que marcou foi registrado em 2019, quando uma on\u00e7a-pintada foi flagrada nas ruas de Juiz de Fora.\u00a0<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, foi feito um trabalho em conjunto entre o IEF, Ibama e Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) para que fosse feita a captura do animal. Ap\u00f3s a a\u00e7\u00e3o ter sido conclu\u00edda, a on\u00e7a foi realocada para o Parque Estadual do Rio Doce, onde foi acompanhada por v\u00e1rios especialistas.<\/p>\n<p>\u201cNeste caso era um animal de vida livre e que estava em busca de um novo territ\u00f3rio e se deparou com um centro urbano. Isso acontece e \u00e9 comum. \u00c0 medida que os animais v\u00e3o perdendo o habitat deles, eles tentam explorar um novo territ\u00f3rio e, ocasionalmente, entram em centros urbanos\u201d, concluiu \u00c9rika Proc\u00f3pio.<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relacionadas Em um amplo espa\u00e7o, um macaco da esp\u00e9cie bugio, recolhido no Sul de Minas, em 2023, observa com tranquilidade a atividade de outros animais ao redor, como araras, tucanos e iguanas. Ao mesmo tempo, uma siriema \u00e9 alimentada por uma equipe formada por veterin\u00e1rios, bi\u00f3logos e cuidadores. 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