{"id":21231,"date":"2024-04-14T09:09:55","date_gmt":"2024-04-14T12:09:55","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/04\/14\/sp-pode-usar-dados-sobre-poluicao-do-ar-para-tracar-melhores-rotas-de-transito\/"},"modified":"2024-04-14T09:09:55","modified_gmt":"2024-04-14T12:09:55","slug":"sp-pode-usar-dados-sobre-poluicao-do-ar-para-tracar-melhores-rotas-de-transito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/04\/14\/sp-pode-usar-dados-sobre-poluicao-do-ar-para-tracar-melhores-rotas-de-transito\/","title":{"rendered":"SP pode usar dados sobre polui\u00e7\u00e3o do ar para tra\u00e7ar melhores rotas de tr\u00e2nsito"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/51357.jpg\" \/><\/p>\n<div id=\"\">&#13;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5861787\" style=\"width: 100%;max-width: 773px\" class=\"wp-caption alignnone\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">O professor da FSP-USP Thiago Nogueira durante palestra na FAPESP Week Illinois<\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es sobre o tr\u00e2nsito, em um futuro n\u00e3o muito distante ser\u00e1 poss\u00edvel decidir o melhor trajeto e hor\u00e1rio para se deslocar de carro em cidades como S\u00e3o Paulo com base em dados da qualidade do ar. Por meio de estudos apoiados pela Fapesp (projetos 16\/18438-0,\u00a016\/14501-0\u00a0e\u00a020\/08505-8), pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas (IAG) e da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica (FSP) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) est\u00e3o elaborando mapas que indicam as regi\u00f5es da cidade com maiores \u00edndices de polui\u00e7\u00e3o e os per\u00edodos de pico de emiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Alguns dos resultados dos projetos foram apresentados durante um painel de apresenta\u00e7\u00e3o de oportunidades de estudos sobre cidades inteligentes realizado nesta ter\u00e7a-feira (9), na abertura da Fapesp Week Illinois, em Chicago (Estados Unidos).<\/p>\n<p>Realizado pela Fapesp em parceria com o Sistema de Universidades de Illinois (UIS, na sigla em ingl\u00eas) \u2013 formado pelas universidades de Illinois em Chicago, em Urbana-Champaign e em Springfield \u2013 na sede do Discovery Partners Institute, em Chicago, o encontro tem o objetivo de criar oportunidades de coopera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica entre pesquisadores de S\u00e3o Paulo e do centro-oeste norte-americano.<\/p>\n<p>O evento re\u00fane pesquisadores vinculados a universidades e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa no Estado de S\u00e3o Paulo, do UIS, da regi\u00e3o dos Grandes Lagos da Am\u00e9rica do Norte \u2013 localizada na fronteira entre os Estados Unidos e o Canad\u00e1 \u2013 e de institui\u00e7\u00f5es parceiras do Canad\u00e1 e do M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Entre as \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o dos participantes est\u00e3o sa\u00fade e medicina, agricultura inteligente, clima, bioenergia, investimentos em institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e cidades inteligentes.<\/p>\n<p>\u201cAs cidades inteligentes usam tecnologias de informa\u00e7\u00e3o inovadoras para coletar dados que s\u00e3o usados para construir e operar sistemas urbanos conectados com o objetivo de melhorar a efici\u00eancia e aumentar a sustentabilidade e a resili\u00eancia\u201d, disse Teresa C\u00f3rdova, diretora do Great Cities Institute, da Universidade de Illinois em Chicago.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, algumas tecnologias-chave que est\u00e3o impulsionando o desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es voltadas a tornar as cidades em diferentes partes do mundo mais inteligentes s\u00e3o a fibra \u00f3ptica, sensores de sinais de r\u00e1dio e de frequ\u00eancias de telefones celulares.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, por exemplo, por meio de equipamentos port\u00e1teis, como contadores de part\u00edculas a laser e aparelhos de GPS instalados em carros, pesquisadores do IAG e da FSP-USP est\u00e3o medindo e obtendo dados georreferenciados da concentra\u00e7\u00e3o de material particulado a que motoristas e passageiros est\u00e3o expostos na cidade em diferentes trajetos e hor\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cCom base nos dados coletados durante esses estudos conseguimos construir mapas e identificar quais regi\u00f5es da cidade t\u00eam maior concentra\u00e7\u00e3o de poluentes\u201d, contou \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp\u00a0Thiago Nogueira, professor da FSP-USP.<\/p>\n<p>Os pesquisadores realizaram um estudo em que avaliaram a exposi\u00e7\u00e3o a poluentes atmosf\u00e9ricos durante deslocamentos por meio de diferentes tipos de transporte em S\u00e3o Paulo \u2013 incluindo carro, \u00f4nibus, metr\u00f4 e bicicleta \u2013 e regi\u00f5es da cidade. Os resultados revelaram que os moradores da regi\u00e3o oeste da capital est\u00e3o expostos a uma concentra\u00e7\u00e3o maior de um poluente atmosf\u00e9rico chamado carbono negro. J\u00e1 as com melhores condi\u00e7\u00f5es de qualidade do ar foram aquelas que apresentavam maior concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1reas verdes. Em contrapartida, as regi\u00f5es com qualidade intermedi\u00e1ria do ar tinham maior presen\u00e7a de edif\u00edcios altos.<\/p>\n<p>\u201cVimos que os pr\u00e9dios altos desfavorecem a dispers\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o do ar\u201d, disse Nogueira.<\/p>\n<p>Por meio de um projeto internacional, os pesquisadores tamb\u00e9m mediram os n\u00edveis de exposi\u00e7\u00e3o a material particulado em dez cidades globais, incluindo S\u00e3o Paulo. Os resultados do estudo indicaram que a exposi\u00e7\u00e3o aos poluentes fora do hor\u00e1rio de pico de tr\u00e2nsito foi 40% menor pela manh\u00e3 e 91% menos durante a noite. Os maiores \u00edndices de exposi\u00e7\u00e3o a altas concentra\u00e7\u00f5es de material particulado foram registrados em situa\u00e7\u00f5es em que o carro estava com as janelas abertas.<\/p>\n<p>Outra constata\u00e7\u00e3o feita por meio do estudo foi que os motoristas e passageiros de \u00f4nibus em S\u00e3o Paulo est\u00e3o expostos a n\u00edveis mais altos de poluentes atmosf\u00e9ricos do que os usu\u00e1rios de carro e de metr\u00f4. Os n\u00edveis de exposi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica nos meios de transporte em S\u00e3o Paulo, contudo, foram menores do que os registrados nas outras nove cidades participantes, localizadas na \u00c1frica, \u00c1sia e na Am\u00e9rica do Sul (leia mais em<em><strong>:<\/strong><\/em>\u00a0agencia.fapesp.br\/36652).<\/p>\n<p>\u201cApesar da cultura de que S\u00e3o Paulo \u00e9 uma cidade muito polu\u00edda, na compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses observamos que os n\u00edveis de exposi\u00e7\u00e3o a material particulado na capital paulista s\u00e3o mais baixos\u201d, afirmou Nogueira.<\/p>\n<p>Algumas das raz\u00f5es para essa diferen\u00e7a s\u00e3o que os combust\u00edveis utilizados no Brasil para abastecer os ve\u00edculos s\u00e3o mais limpos em compara\u00e7\u00e3o aos adotados nos pa\u00edses das outras nove cidades participantes. Al\u00e9m disso, a matriz energ\u00e9tica brasileira tem maior participa\u00e7\u00e3o de fontes renov\u00e1veis, explicou Nogueira.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m temos no Brasil o Proconve (Programa de Controle da Polui\u00e7\u00e3o do Ar por Ve\u00edculos Automotores), que vem, a cada etapa, estabelecendo a exig\u00eancia do uso de combust\u00edveis mais limpos e motores mais eficientes no pa\u00eds\u201d, disse Nogueira.<\/p>\n<p><strong>Desigualdade no acesso<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente, 70% das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) no mundo s\u00e3o provenientes das cidades, sendo que quase a metade \u00e9 originada dos transportes urbanos, em maior parte, pelos carros de transporte privativo, sublinhou\u00a0Mariana Giannotti, professora da Escola Polit\u00e9cnica da USP (Poli-USP) e coordenadora de transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica do Centro de Estudos da Metr\u00f3pole\u00a0(CEM) \u2013 um Centro de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPID) da Fapesp. \u201cNesse sentido, o transporte p\u00fablico representa uma \u00f3tima estrat\u00e9gia para enfrentar quest\u00f5es relacionadas \u00e0 sustentabilidade\u201d, avaliou a pesquisadora durante palestra no evento.<\/p>\n<p>Por meio de um estudo realizado no \u00e2mbito do CEM, a pesquisadora e colaboradores compararam o acesso ao transporte p\u00fablico em S\u00e3o Paulo, Nova York e Londres com base no tempo de viagem dos usu\u00e1rios e no custo das passagens. Os resultados indicam que Nova York possui uma pol\u00edtica de integra\u00e7\u00e3o que \u00e9 justa e contribui para aliviar a desigualdade no acesso ao transporte p\u00fablico da popula\u00e7\u00e3o. J\u00e1 em S\u00e3o Paulo a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente, comparou Giannotti.<\/p>\n<p>\u201cEm S\u00e3o Paulo, a desigualdade est\u00e1 sendo refor\u00e7ada pela forma como \u00e9 cobrada a tarifa dos usu\u00e1rios de transporte p\u00fablico. Normalmente, as pessoas gastam, em m\u00e9dia, entre 20% e 40% de sua renda na cidade com essa finalidade, enquanto os moradores de Nova York despendem entre 5% e 10%\u201d, comparou.<\/p>\n<p>Os maiores usu\u00e1rios de \u00f4nibus em S\u00e3o Paulo s\u00e3o pessoas de classes econ\u00f4micas mais baixas, principalmente negros, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas ricas, que vivem nos melhores lugares da capital paulista, t\u00eam acesso a transporte p\u00fablico de melhor qualidade e est\u00e3o pagando menos\u201d, comparou.<\/p>\n<p>Siga o canal \u201cGoverno de S\u00e3o Paulo\u201d no WhatsApp:<br \/>https:\/\/bit.ly\/govspnozap<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#13; O professor da FSP-USP Thiago Nogueira durante palestra na FAPESP Week Illinois Al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es sobre o tr\u00e2nsito, em um futuro n\u00e3o muito distante ser\u00e1 poss\u00edvel decidir o melhor trajeto e hor\u00e1rio para se deslocar de carro em cidades como S\u00e3o Paulo com base em dados da qualidade do ar. 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