{"id":26622,"date":"2024-08-31T06:40:39","date_gmt":"2024-08-31T09:40:39","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/08\/31\/privada-de-liberdade-comunidade-lgbtqia-agora-tem-ala-exclusiva-para-garantir-cidadania-em-presidio\/"},"modified":"2024-08-31T06:40:39","modified_gmt":"2024-08-31T09:40:39","slug":"privada-de-liberdade-comunidade-lgbtqia-agora-tem-ala-exclusiva-para-garantir-cidadania-em-presidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/08\/31\/privada-de-liberdade-comunidade-lgbtqia-agora-tem-ala-exclusiva-para-garantir-cidadania-em-presidio\/","title":{"rendered":"Privada de liberdade, comunidade LGBTQIA+ agora tem ala exclusiva para garantir cidadania em pres\u00eddio"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cidadania e seguran\u00e7a p\u00fablica de m\u00e3os dadas para garantir os direitos da popula\u00e7\u00e3o, mesmo aquelas que est\u00e3o em priva\u00e7\u00e3o de liberdade. No m\u00eas de agosto, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul inaugurou a primeira ala LGBTQIA+, que abriga <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">69 <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">detentas e detentos no Instituto Penal de Campo Grande.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m da ala exclusiva para a comunidade, tamb\u00e9m foi entregue o espa\u00e7o destinado aos cursos profissionalizantes na \u00e1rea de beleza que ser\u00e3o ofertados em parceria com o Sebrae.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das travestis que tomam \u00e0 frente na hora de reivindicar tamb\u00e9m \u00e9 a primeira a narrar a mudan\u00e7a de estrutura e no trato. Entre idas e vindas desde 2014, nos \u00faltimos quatro anos, o endere\u00e7o dela \u00e9 o n\u00famero 2732 da Rua Indian\u00e1polis, no Noroeste.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_488905\" aria-describedby=\"caption-attachment-488905\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption id=\"caption-attachment-488905\" class=\"wp-caption-text\">Travesti de 34 anos narra como as mudan\u00e7as chegaram ao Instituto Penal de Campo Grande. (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Agepen)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cFaz tempo que a gente tenta ter um espa\u00e7o s\u00f3 para n\u00f3s, mas nunca teve essa possibilidade como agora. Me falaram que n\u00e3o tem cadeia no Brasil inteiro, que tem um espa\u00e7o s\u00f3 para LGBT e nosso ainda vai ter sal\u00e3o\u201d, comemora a travesti, de 34 anos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Antes, as mulheres trans, travestis e homens gays que pediam, ficavam isolados do restante em celas dentro do Instituto Penal. Agora, al\u00e9m das celas, o pavilh\u00e3o permite que elas tenham a \u201cliberdade\u201d dentro do regime fechado na penitenci\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00e3o querendo justificar o erro que a gente cometeu l\u00e1 fora, mas tem muitas meninas que se tivessem oportunidade, n\u00e3o precisavam estar presas. Faz unha, maquiagem, cabelo, henna, sobrancelha, mega hair, tudo. Agora, com essa chance, acredito que a gente vai se profissionalizar e, quando sair, vai ter uma profiss\u00e3o e n\u00e3o vai precisar ir pra rua mais, porque vai ter uma profiss\u00e3o que a gente gosta e sabe exercer\u201d, enfatiza.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_488906\" aria-describedby=\"caption-attachment-488906\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption id=\"caption-attachment-488906\" class=\"wp-caption-text\">Al\u00e9m de ala, espa\u00e7o feito de conteiner foi adequado para receber cursos de beleza. (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Agepen)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na pr\u00e1tica, a ala exclusiva significa seguran\u00e7a, que \u00e9 dever constitucional do Estado proteger a integridade f\u00edsica e moral dos presos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cJ\u00e1 vem h\u00e1 muito tempo esse pedido para a ala LGBT, mas nunca tinha sa\u00eddo do papel. A\u00ed veio a psic\u00f3loga do Instituto Penal e a nova dire\u00e7\u00e3o, e n\u00f3s conseguimos essa oportunidade. N\u00e3o tem o que falar melhor do que gratid\u00e3o e liberdade, porque a gente pode se casar, se beijar, se abra\u00e7ar. \u00c9 o nosso espa\u00e7o, e isso \u00e9 libertador\u201d, descreve a travesti.\u00a0<\/span><\/p>\n<h4><b>Mudan\u00e7as\u00a0<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em visita t\u00e9cnica, no \u00faltimo dia 21 de agosto, a Secretaria de Estado da Cidadania, por meio da Subsecretaria de Pol\u00edticas P\u00fablicas para Popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+, e a Agepen conferiram as melhorias estruturais que est\u00e3o sendo implementadas no Instituto Penal de Campo Grande.\u00a0<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_488903\" aria-describedby=\"caption-attachment-488903\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption id=\"caption-attachment-488903\" class=\"wp-caption-text\">Em visita t\u00e9cnica, Secretaria da Cidadania e Agepen dialogaram com a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria LGBT+. (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Agepen)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diretor do Instituto Penal de Campo Grande, Leoney Martins, explica que o aprimoramento na rotina da unidade para adaptar uma ala exclusiva \u00e0 comunidade LGBTQIA+ vem cumprir com as determina\u00e7\u00f5es do CNPCP (Conselho Nacional de Pol\u00edtica Criminal e Penitenci\u00e1ria), previstas na Resolu\u00e7\u00e3o Conjunta n\u00ba 1, de 15 de abril de 2024.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cE nessa mesma esteira da resolu\u00e7\u00e3o, a gente disponibilizou um espa\u00e7o para ofertar cursos espec\u00edficos para este p\u00fablico e para que eles al\u00e9m de fazer o curso, apliquem o que aprenderam neles mesmos\u201d, ressalta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Coordenadora do Centro Estadual de Cidadania LGBT+, vinculado \u00e0 Secretaria de Estado da Cidadania, Gaby Antonietta, enfatiza que a adequa\u00e7\u00e3o garante n\u00e3o s\u00f3 a seguran\u00e7a da comunidade como tamb\u00e9m oportuniza programas de remi\u00e7\u00e3o de pena.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cConversamos com as lideran\u00e7as, em sua maioria mulheres trans e\u00a0 travestis, que se mobilizam para dar voz e levar para a diretoria e equipe psicossocial, as necessidades de cada preso, de cada interno. Dialogando, elas relataram os benef\u00edcios que todos t\u00eam colhido atrav\u00e9s dessas melhorias, e agradeceram muito o trabalho da Cidadania em parceria com a Agepen, e o quanto cada visita t\u00e9cnica que realizamos \u00e9 fundamental para essas conquistas\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quem lida diariamente com quem vive cumprindo a pena, em priva\u00e7\u00e3o de liberdade, relata que todo processo de ressocializa\u00e7\u00e3o \u00e9 um desafio. No entanto, quando se trata da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria LGBT+, ele \u00e9 ainda maior com a chamada \u201cexclus\u00e3o da exclus\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_488904\" aria-describedby=\"caption-attachment-488904\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption id=\"caption-attachment-488904\" class=\"wp-caption-text\">Ala garante seguran\u00e7a \u00e0 uma popula\u00e7\u00e3o que acaba exclu\u00edda dentro do pr\u00f3prio pres\u00eddio. (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Agepen)<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cOs pr\u00f3prios custodiados n\u00e3o aceitam a popula\u00e7\u00e3o LGBT. O medo de ser LGBT na rua, por exemplo, \u00e9 existente, n\u00e3o d\u00e1 pra ignorar isso, mas dentro da unidade prisional, ele \u00e9 uma constante. Ent\u00e3o, o conv\u00edvio coletivo tira toda e qualquer forma de tentativa de trabalho, de um processo ressocializador da popula\u00e7\u00e3o LGBT\u201d, explica a psic\u00f3loga e policial penal do IPCG (Instituto Penal Campo Grande), Patricia Gabriela Magalh\u00e3es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Espa\u00e7os como uma ala exclusiva e um local onde a comunidade LGBTQIA+ pode ser profissionalizada traz dignidade e \u00e9 um passo para a reintegra\u00e7\u00e3o social.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cTer um local onde se possa acordar sem medo, circular preservando suas caracter\u00edsticas de g\u00eanero, em que voc\u00ea possa come\u00e7ar a reconhecer o significado da dignidade humana, \u00e9 o que extrai a ess\u00eancia do processo ressocializador, da reintegra\u00e7\u00e3o social. Por isso, h\u00e1 import\u00e2ncia em buscar ferramentas para que a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria possa ser devolvida \u00e0 sociedade de forma diferente, e este espa\u00e7o simboliza uma esperan\u00e7a\u201d, reflete Patr\u00edcia.<\/span><\/p>\n<p><em>Paula Maciulevicius, Comunica\u00e7\u00e3o da Cidadania<br \/>Keila Oliveira e Tatyane Santinoni, Comunica\u00e7\u00e3o Agepen<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidadania e seguran\u00e7a p\u00fablica de m\u00e3os dadas para garantir os direitos da popula\u00e7\u00e3o, mesmo aquelas que est\u00e3o em priva\u00e7\u00e3o de liberdade. No m\u00eas de agosto, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul inaugurou a primeira ala LGBTQIA+, que abriga 69 detentas e detentos no Instituto Penal de Campo Grande. 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