{"id":27674,"date":"2024-10-07T19:05:31","date_gmt":"2024-10-07T22:05:31","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/10\/07\/semana-pra-danca-e-encerrada-com-espetaculo-premiado-pela-associacao-paulista-de-criticos-de-arte\/"},"modified":"2024-10-07T19:05:31","modified_gmt":"2024-10-07T22:05:31","slug":"semana-pra-danca-e-encerrada-com-espetaculo-premiado-pela-associacao-paulista-de-criticos-de-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2024\/10\/07\/semana-pra-danca-e-encerrada-com-espetaculo-premiado-pela-associacao-paulista-de-criticos-de-arte\/","title":{"rendered":"Semana pra Dan\u00e7a \u00e9 encerrada com espet\u00e1culo premiado pela Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Cr\u00edticos de Arte"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>A Semana pra Dan\u00e7a foi encerrada na noite de domingo (6) no Armaz\u00e9m Cultural, em Campo Grande, com o espet\u00e1culo \u201cOu 9 ou 80\u201d, da Clarin Cia de Dan\u00e7a, formada por bailarinos do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo. Eleito melhor espet\u00e1culo de dan\u00e7a presencial de 2021 pelo Pr\u00eamio APCA (Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Cr\u00edticos de Artes), a apresenta\u00e7\u00e3o tra\u00e7a um paralelo entre as duas cidades ao abordar as nove mortes em um baile funk em Parais\u00f3polis (SP), e os 80 tiros disparados no carro de uma fam\u00edlia em Guadalupe (RJ), que resultaram na morte de um homem.<\/p>\n<p>Kelson Barros, diretor da Clarin Cia de Dan\u00e7a, explicou o que o espet\u00e1culo retrata. \u201cO espet\u00e1culo aborda dois tr\u00e1gicos epis\u00f3dios, que conectam o Rio e S\u00e3o Paulo. O &#8216;9&#8217; refere-se \u00e0s mortes ocorridas na dispers\u00e3o do baile em Parais\u00f3polis, e &#8217;80&#8217; aos tiros disparados pelo ex\u00e9rcito contra a fam\u00edlia de um m\u00fasico em Guadalupe. Usamos isso como ponto de partida; \u00e9 um trabalho de den\u00fancia que, ao mesmo tempo, \u00e9 de alegria. A gente volta para a tristeza, mas j\u00e1 est\u00e1 alegre novamente, seguindo como \u00e9 a vida perif\u00e9rica\u201d.<\/p>\n<p>Para a Companhia, ser convidada para a Semana pra Dan\u00e7a foi uma enorme alegria. \u201c\u00c9 mais um Estado que visitamos. Este espet\u00e1culo \u00e9 aceito em outros festivais. Quando falamos que \u00e9 um espet\u00e1culo de passinho e funk, enfrentamos muito preconceito, mesmo sem que as pessoas saibam. Ao ouvir a palavra &#8216;funk&#8217;, j\u00e1 pensam que haver\u00e1 mulheres peladas ou drogas, mas, ao assistirem, percebem que n\u00e3o \u00e9 nada disso. Fico muito feliz em participar de festivais\u201d, detalha Kelson.<\/p>\n<p>O bailarino Felipe Silva, conhecido como Pablinho MJ, contou que a dan\u00e7a o salvou de destinos piores, que levaram seus amigos a caminhos complicados na periferia. \u201cEu evolu\u00ed muito r\u00e1pido no passinho, comecei em 2013 e fui me destacando, at\u00e9 participar de uma companhia de dan\u00e7a. Me sinto realizado na Clarin. A dan\u00e7a \u00e9 tudo para mim; \u00e9 cura, paz, \u00e9 quando esque\u00e7o meus problemas. Ela me salvou, porque onde eu venho h\u00e1 muita coisa que pode infectar a mente. J\u00e1 perdi muitos amigos para o crime, e dan\u00e7ar hoje me resgatou. Sou de Manguinhos, favela da zona norte do Rio de Janeiro. Nunca tinha vindo a Campo Grande, gostei muito, \u00e9 um lugar quente. O carioca adora calor; \u00e9 um prazer apresentar o passinho aqui\u201d.<\/p>\n<p>A bailarina Juju ZL, do extremo leste da capital paulista, compartilhou sua experi\u00eancia com o preconceito que o estilo de dan\u00e7a funk ainda sofre. \u201cSempre dancei, desde a inf\u00e2ncia, mas, na dan\u00e7a profissional, foi em festas LGBTQIAPN+ pretas, onde comecei a competir, ganhar e participar de alguns trabalhos. Participar da Clarin \u00e9 fant\u00e1stico; poucas vezes temos a chance de mostrar a seriedade de ser dan\u00e7arina do funk, um movimento musical marginalizado, e da dan\u00e7a, especialmente a joga\u00e7\u00e3o, que sofre muito preconceito e \u00e9 vista como n\u00e3o profissionalizada. A Clarin respeita nossa viv\u00eancia, e isso \u00e9 muito importante para mim\u201d.<\/p>\n<p>Juju ZL tamb\u00e9m falou sobre o preconceito que enfrenta por ser uma bailarina gorda, negra e da periferia. \u201cEnfrento diversos preconceitos. Para mim, esses preconceitos atravessam nossos corpos. Encontrar um lugar de trabalho que n\u00e3o me discrimine \u00e9 libertador. Onde venho, as pessoas t\u00eam preconceito em nos contratar, acham que vamos demorar ou que ficaremos cansados. O sistema nos marginaliza ainda mais. Ser um corpo gordo e preto na dan\u00e7a \u00e9 libertador. H\u00e1 companhias que n\u00e3o t\u00eam o acolhimento que a Clarin oferece. \u00c9 absurdo poder trabalhar com o que amo, sabendo que esses recortes podem excluir algumas pessoas. \u00c9 incr\u00edvel como a dan\u00e7a nos leva a lugares que nunca imaginamos; conhecer festivais e cidades \u00e9 fant\u00e1stico. Se n\u00e3o fosse pela dan\u00e7a, nunca estaria aqui\u201d.<\/p>\n<p>Na plateia, Iara Caroline, acad\u00eamica de teatro na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), disse que o espet\u00e1culo trouxe uma s\u00e9rie de emo\u00e7\u00f5es. \u201cEu ri, chorei, me emocionei, me diverti, pensei, fiquei aflita e ofegante. \u00c9 incr\u00edvel a capacidade deles de colocar tantas coisas em t\u00e3o pouco tempo. Estou muito grata, foi um presente, melhorou meu dia e minha semana. Precisamos de mais iniciativas como essa. Participei de algumas oficinas da Semana pra Dan\u00e7a e fui a alguns espet\u00e1culos. A iniciativa foi espl\u00eandida, necess\u00e1ria. Precisamos de mais investimentos, porque a arte \u00e9 fundamental para viver\u201d.<\/p>\n<p>Ianara Ribeiro, estudante de contabilidade, tamb\u00e9m prestigiou o espet\u00e1culo e participou da Mostra de Coreografias com o Conex\u00e3o Urbana. \u201cAchei o espet\u00e1culo maravilhoso, incr\u00edvel, tocante e emocionante. Me representou muito e trouxe muitas refer\u00eancias. Adorei, foi perfeito. A Semana pra Dan\u00e7a foi incr\u00edvel; quero parabenizar a organiza\u00e7\u00e3o. A proposta do evento \u00e9 maravilhosa, incentivar a cultura de todas as formas, e entregou muito mais do que eu esperava, e eu esperava bastante!\u201d<\/p>\n<p>Os artistas da dan\u00e7a e acad\u00eamicos do curso de dan\u00e7a da UEMS, Karen Escobar, Alisson Muniz e Laura Gabriela, prestigiaram o espet\u00e1culo de encerramento da Semana pra Dan\u00e7a. \u201cEstou extremamente feliz por ter presenciado a arte na sua forma mais pura. Adorei o espet\u00e1culo; foi t\u00e3o tocante, profundo, e ver a cultura do funk aqui presente, ainda mais uma cultura que tende a ser apagada, \u00e9 muito bom. \u00c9 muito forte e importante; estou muito feliz\u201d, disse Karen.<\/p>\n<p>Alisson comentou sobre a experi\u00eancia. \u201cFico feliz por ter recebido a companhia e por ter vivenciado um pouco da cultura do Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo no que diz respeito ao passinho. \u00c9 \u00f3timo ver esse contexto cultural sendo apresentado nacionalmente e ganhando espa\u00e7os, al\u00e9m de valorizar a cultura perif\u00e9rica\u201d. Laura achou a Companhia Clarin muito potente: \u201cTrataram de assuntos s\u00e9rios, trag\u00e9dias, de uma forma muito respeitosa, sem perder a pot\u00eancia e a energia da favela. Estou encantada com o trabalho deles\u201d.<\/p>\n<p>A Semana pra Dan\u00e7a foi realizada pelo Colegiado Estadual de Dan\u00e7a de MS e Associa\u00e7\u00e3o Arado Cultural, com investimento da FCMS (Funda\u00e7\u00e3o de Cultura de Mato Grosso do Sul), Setesc (Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura) e Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p><em>Karina Lima, Comunica\u00e7\u00e3o Setesc<br \/><\/em><em>Fotos: Lucas Castro\/Setesc<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Semana pra Dan\u00e7a foi encerrada na noite de domingo (6) no Armaz\u00e9m Cultural, em Campo Grande, com o espet\u00e1culo \u201cOu 9 ou 80\u201d, da Clarin Cia de Dan\u00e7a, formada por bailarinos do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo. 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