{"id":37076,"date":"2025-05-16T21:33:39","date_gmt":"2025-05-17T00:33:39","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2025\/05\/16\/documentario-sobre-fe-docura-e-resistencia-no-pantanal-tera-premiere-no-festival-america-do-sul\/"},"modified":"2025-05-16T21:33:39","modified_gmt":"2025-05-17T00:33:39","slug":"documentario-sobre-fe-docura-e-resistencia-no-pantanal-tera-premiere-no-festival-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2025\/05\/16\/documentario-sobre-fe-docura-e-resistencia-no-pantanal-tera-premiere-no-festival-america-do-sul\/","title":{"rendered":"Document\u00e1rio sobre f\u00e9, do\u00e7ura e resist\u00eancia no Pantanal ter\u00e1 premiere no Festival Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p dir=\"ltr\">Em Corumb\u00e1, no cora\u00e7\u00e3o do Pantanal, h\u00e1 uma cidade inteira que, ao som dos atabaques e do perfume dos doces coloridos, vira terreiro. E n\u00e3o apenas um terreiro de ch\u00e3o batido, mas um terreiro de f\u00e9 espalhado pelas casas, pelas ruas, pelas ladeiras, pelas m\u00e3os que partilham, pelos olhos que se emocionam. \u00c9 neste cen\u00e1rio onde o sagrado e o cotidiano se entrela\u00e7am que nasce \u201cLouva\u00e7\u00e3o \u00e0 Ibejada\u201d, m\u00e9dia-metragem documental dirigido por Thayn\u00e1 Cambar\u00e1, que estreia em maio com exibi\u00e7\u00f5es gratuitas pela cidade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O pr\u00e9-lan\u00e7amento integra a programa\u00e7\u00e3o do Festival Am\u00e9rica do Sul e acontece no s\u00e1bado, \u00e0s 16h, com entrada gratuita.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">O filme \u00e9 um mergulho sensorial e afetivo na celebra\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Cosme e Dami\u00e3o, uma das festas mais populares e vigorosas da regi\u00e3o, onde crian\u00e7as correm pelas ruas em busca dos saquinhos de doces enquanto promessas s\u00e3o renovadas em sil\u00eancio dentro dos barrac\u00f5es. Mais do que um registro de uma festa, \u201cLouva\u00e7\u00e3o \u00e0 Ibejada\u201d \u00e9 uma carta de amor ao povo corumbaense, um retrato da resist\u00eancia cotidiana, da do\u00e7ura como pol\u00edtica, da f\u00e9 como gesto de partilha.<\/p>\n<blockquote>\n<p dir=\"ltr\">\u201cEssa festa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 devo\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m resist\u00eancia. Cosme e Dami\u00e3o nos lembram que a f\u00e9 se manifesta no gesto mais simples: partilhar. Ver as crian\u00e7as esperando os saquinhos, os mais velhos preparando com carinho, as promessas sendo renovadas\u2026 tudo isso me fez entender que a identidade corumbaense \u00e9 tecida entre f\u00e9, afeto e comunidade\u201d, reflete Thayn\u00e1 Cambar\u00e1, que tamb\u00e9m \u00e9 umbandista e viveu o processo de cria\u00e7\u00e3o do filme n\u00e3o apenas como cineasta, mas como filha de santo, adepta e devota.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p dir=\"ltr\">O filme nasceu do desejo de dar continuidade \u00e0 webs\u00e9rie Encruzilhada de Est\u00f3rias: Registro das Festividades Afro Brasileiras de Corumb\u00e1 e Lad\u00e1rio, em que Thayn\u00e1 documentou outras festas religiosas de matriz africana da regi\u00e3o. Mas foi em meio \u00e0 pandemia que a necessidade de filmar Cosme e Dami\u00e3o se imp\u00f4s como urg\u00eancia espiritual e pessoal. \u201cEu tive o meu milagre, que \u00e9 o bem-estar da minha filha. Ent\u00e3o somou a vontade de continuar o projeto com a promessa pessoal que eu tinha a cumprir\u201d, conta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">Por\u00e9m, o caminho n\u00e3o foi f\u00e1cil. Gravado entre 2021 e 2022, o filme passou por anos de desafios, tentativas frustradas de lan\u00e7amento e bloqueios criativos. \u201cFoi muito dif\u00edcil eu, enquanto m\u00e9dium, me concentrar e entender qual era a mensagem que eu tinha que trazer. N\u00f3s t\u00ednhamos muitas horas de entrevistas\u2026 e como condensar tudo isso numa hist\u00f3ria que as pessoas pudessem entender?\u201d, lembra.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Essa imers\u00e3o profunda tamb\u00e9m exigiu escolhas est\u00e9ticas cuidadosas. Thayn\u00e1 optou por um h\u00edbrido entre o cinema-direto e o cinema-verdade, respeitando o tempo das pessoas, dos rituais, da rua. \u201cA oralidade e o improviso fazem parte da ess\u00eancia dessa tradi\u00e7\u00e3o. Era importante que o filme tivesse o ritmo da rua, do barrac\u00e3o, da entrega\u2026 Que fosse sensorial, vivo. A escolha do formato partiu do desejo de escutar e ver sem dominar\u201d, explica.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">Em meio a sil\u00eancios, c\u00e2nticos, brincadeiras de rua e gestos de cuidado, \u201cLouva\u00e7\u00e3o \u00e0 Ibejada\u201d revela como a espiritualidade afro-brasileira pulsa na vida corumbaense e como essa cultura resiste e floresce mesmo em tempos de intoler\u00e2ncia. \u201cContar essa hist\u00f3ria \u00e9 um ato de afirma\u00e7\u00e3o. Em tempos em que religi\u00f5es de matriz africana ainda enfrentam preconceito e viol\u00eancia, mostrar a beleza, a do\u00e7ura e a profundidade dessa tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 um gesto pol\u00edtico e afetivo. \u00c9 dizer que essa f\u00e9 tamb\u00e9m educa, forma e transforma\u201d, afirma a diretora.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na geografia pantaneira, onde as \u00e1guas, ventos e matas s\u00e3o orix\u00e1s em movimento, o filme costura a paisagem natural ao corpo, ao batuque, ao gesto coletivo de f\u00e9. \u201cEm Corumb\u00e1, a natureza \u00e9 sagrada. As religi\u00f5es de matriz africana celebram os elementos da cria\u00e7\u00e3o porque cultuam orix\u00e1s que s\u00e3o, em si, for\u00e7as da natureza. No dia 27, quando celebramos S\u00e3o Cosme e Dami\u00e3o, Corumb\u00e1 se transforma \u2014 a cidade inteira se torna um grande terreiro, onde a do\u00e7ura, a f\u00e9 e o ax\u00e9 se espalham pelas ruas\u201d, descreve Thayn\u00e1, com olhos brilhantes de quem n\u00e3o apenas filmou, mas viveu cada cena.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\n<blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cLouva\u00e7\u00e3o \u00e0 Ibejada\u201d quer provocar o p\u00fablico a olhar mais fundo, para al\u00e9m do folclore, do estigma e do preconceito. Enxergar nas festas, nas ruas, nas partilhas, as ra\u00edzes de uma identidade que \u00e9 coletiva, m\u00faltipla e vibrante. \u201cEspero que o filme provoque um olhar mais atento para aquilo que muitas vezes passa despercebido: o quanto a cultura afro-brasileira est\u00e1 presente no nosso dia a dia, nos gestos de cuidado, na m\u00fasica, na f\u00e9, na comida, na forma como nos relacionamos com o sagrado e com a comunidade. Aqui o povo reza junto, celebra junto, presta caridade junto, independente da religi\u00e3o. Essa conviv\u00eancia mostra que um povo com hist\u00f3ria \u00e9 um povo que respeita, que compartilha e que entende que identidade se constr\u00f3i coletivamente\u201d, conclui.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p dir=\"ltr\">A produ\u00e7\u00e3o tem investimento da Lei Paulo Gustavo, do MinC (Minist\u00e9rio da Cultura), por meio de edital da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura da Prefeitura Municipal de Corumb\u00e1. O filme ser\u00e1 lan\u00e7ado ainda durante este m\u00eas no canal do Youtube da Bela Oy\u00e1 Pantanal (<span style=\"color: #0000ff;\">https:\/\/www.youtube.com\/@<wbr>belaoyapantanal<\/wbr><\/span>) e ter\u00e1 recursos de acessibilidade como legenda e interpreta\u00e7\u00e3o de libras.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Rios de Mem\u00f3ria Afro-brasileira<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">As vozes, mem\u00f3rias e express\u00f5es afro-brasileiras estar\u00e3o em evid\u00eancia no Festival Am\u00e9rica do Sul Pantanal, que acontece de 15 a 18 de maio, em Corumb\u00e1. Com uma programa\u00e7\u00e3o que atravessa o cinema, a m\u00fasica, as artes c\u00eanicas, as artes visuais e a ancestralidade, a presen\u00e7a negra reafirma sua for\u00e7a na narrativa pantaneira, abrindo espa\u00e7os para reflex\u00f5es sobre identidade, territ\u00f3rio e pertencimento. A pr\u00e9-estreia do document\u00e1rio \u201cLouva\u00e7\u00e3o \u00e0 Ibejada\u201d integra a programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Antes da exibi\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio, a programa\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 cultura afro-brasileira inclui atividades formativas e art\u00edsticas que dialogam com o corpo, a palavra e o ritmo. \u00c0s 14h do s\u00e1bado (17), acontece a mesa de di\u00e1logos \u201cRa\u00edzes, Identidade e Mestres do Saber\u201d, que participam Profa. Mestre Rosiane Albuquerque (Corumb\u00e1\/MS), Prof. Dr. M\u00e1rio S\u00e1 (UFGD\/FADIR) \u2014 pesquisador e refer\u00eancia em estudos sobre cultura afro-brasileira, M\u00e3e Elenir Batista (Corumb\u00e1\/MS) e M\u00e3e Alexandra de Oy\u00e1 (Campo Grande\/MS) \u2014 ambas reconhecidas como Mestras do Saber pela PNAB, e ser\u00e1 mediada por Thayn\u00e1 Cambar\u00e1. A atividade visa promover uma troca intergeracional sobre identidade, tradi\u00e7\u00e3o e pertencimento, conectando saberes acad\u00eamicos e ancestrais na constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas culturais de valoriza\u00e7\u00e3o da afro-brasilidade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">No mesmo dia e hor\u00e1rio haver\u00e1 programa\u00e7\u00e3o para os pequenos com a escritora Sarah Muricy, autora do livro \u201cO Reino M\u00e1gico dos Orix\u00e1s\u201d. Ela far\u00e1 uma leitura do livro, com dramatiza\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o com as crian\u00e7as. Al\u00e9m disso, haver\u00e1 uma atividade pr\u00e1tica, j\u00e1 que o livre conta com um encarte para colorir, tratando da tem\u00e1tica do sincretismo religioso.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No domingo (18), a partir das 15h, haver\u00e1 uma Roda de Curimba e Oficina de Capoeira, que ir\u00e1 integrar m\u00fasica, ancestralidade e movimento corporal na pr\u00e1tica coletiva que valoriza a capoeira como ferramenta cultural e pedag\u00f3gica. Este evento acontece na Orla do Porto Geral, pr\u00f3ximo a \u00e2ncora. Para acompanhar a programa\u00e7\u00e3o e mais informa\u00e7\u00f5es acesse o perfil da Bela Oy\u00e1 Pantanal no Instagram:\u00a0<span style=\"color: #0000ff;\">https:\/\/www.instagram.com\/<wbr>belaoyapantanal\/<\/wbr><\/span>.\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Programa\u00e7\u00e3o Rios de Mem\u00f3ria Afro-brasileira \u2013 Festival Am\u00e9rica do Sul Pantanal 2025<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"text-decoration: underline;\">S\u00e1bado, 17\/05<\/span><\/p>\n<ul>\n<li dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\" role=\"presentation\">14h \u00e0s 16h \u2013 Mesa de Di\u00e1logos: Ra\u00edzes, Identidade e Mestres do Saber;<br \/>Local: Audit\u00f3rio do Centro de Conven\u00e7\u00f5es do Pantanal, R. Domingos Sahib, 570 \u2013 Centro, Corumb\u00e1.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\" role=\"presentation\">14 \u00e0s 16h \u2013 O Reino M\u00e1gico dos Orix\u00e1s\u201d com Sarah Muricy \u2013 Uma Jornada de Aprendizado e Diversidade;<br \/>Local: Sala de apoio no Centro de Conven\u00e7\u00f5es do Pantanal, R. Domingos Sahib, 570 \u2013 Centro, Corumb\u00e1.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\" role=\"presentation\">16h \u2013 Lan\u00e7amento Document\u00e1rio Louva\u00e7\u00e3o \u00e0 Ibejada: Minha F\u00e9 em Curumim<br \/>Local: Audit\u00f3rio do Centro de Conven\u00e7\u00f5es do Pantanal, R. Domingos Sahib, 570 \u2013 Centro, Corumb\u00e1.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p dir=\"ltr\"><span style=\"text-decoration: underline;\">Domingo, \/05<\/span><\/p>\n<ul>\n<li>15h\u00a0\u00e0s 17h\u00a0\u2013 Roda de Curimba e Oficina de Capoeira \u2013 T\u00e9cnicas de Capit\u00e3es de Areia;<br \/>Local: Orla do Porto Geral, pr\u00f3ximo a \u00e2ncora.<\/li>\n<\/ul>\n<p><em>Lucas Arruda e Aline Lira, Ascom FAS 2025<br \/>Fotos: Thayn\u00e1 Cambar\u00e1\/Ascom FAS 2025<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Corumb\u00e1, no cora\u00e7\u00e3o do Pantanal, h\u00e1 uma cidade inteira que, ao som dos atabaques e do perfume dos doces coloridos, vira terreiro. 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