{"id":42206,"date":"2025-09-03T18:21:55","date_gmt":"2025-09-03T21:21:55","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2025\/09\/03\/brincadeira-de-crianca-virou-paixao-e-biologo-se-tornou-curador-do-maior-aquario-de-agua-doce-do-mundo\/"},"modified":"2025-09-03T18:21:55","modified_gmt":"2025-09-03T21:21:55","slug":"brincadeira-de-crianca-virou-paixao-e-biologo-se-tornou-curador-do-maior-aquario-de-agua-doce-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2025\/09\/03\/brincadeira-de-crianca-virou-paixao-e-biologo-se-tornou-curador-do-maior-aquario-de-agua-doce-do-mundo\/","title":{"rendered":"Brincadeira de crian\u00e7a virou paix\u00e3o e bi\u00f3logo se tornou curador do maior aqu\u00e1rio de \u00e1gua doce do mundo"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Aos 6 anos de idade, um tanque de lavar roupa cheio de \u00e1gua e tr\u00eas peixinhos de brinquedo foram suficientes para despertar uma paix\u00e3o avassaladora que virou profiss\u00e3o. Hoje, aos 38 anos, o bi\u00f3logo curador do Bioparque Pantanal, Heriberto Gim\u00eanes Junior, garante que uma brincadeira de crian\u00e7a, despretensiosamente orquestrada por seus pais, foi tudo que ele poderia desejar na vida.<\/p>\n<p>Ilustrada por muito conhecimento e determina\u00e7\u00e3o, sua hist\u00f3ria \u00e9 relembrada nesta quarta-feira (3), no Dia do Bi\u00f3logo, em \u201cBioparque Pantanal: hist\u00f3rias que inspiram\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEu me lembro muito bem. Eu estava em um tanque de lavar roupa, cheio de \u00e1gua, e meus pais colocaram peixinhos de brinquedo. Eu dava corda neles e eles saiam nadando. Eu fiquei encantado\u201d, relembra com alegria.<\/p>\n<p>Entre tantas mem\u00f3rias, Heriberto relata que todas eram inundadas dos fascinantes animais aqu\u00e1ticos, com o perd\u00e3o do trocadilho. No anivers\u00e1rio de 8 anos, o bi\u00f3logo ganhou seu primeiro aqu\u00e1rio e a festa, cheia de convidados, bolo e docinhos, virou s\u00f3 um detalhe.<\/p>\n<p>\u201cEu passei a festa inteira olhando para os animais e n\u00e3o conversei com ningu\u00e9m. Foi at\u00e9 um problema para os meus pais\u201d, brinca o bi\u00f3logo. \u201cDesde pequeno sempre fui apaixonado por animais, mas especificamente por peixes. J\u00e1 s\u00e3o 30 anos em contato com esses animais\u201d.<\/p>\n<p>Da inf\u00e2ncia \u00e0 adolesc\u00eancia, a paix\u00e3o aumentava e o entusiasmo foi tomando novas propor\u00e7\u00f5es, lembra Heriberto. Aos 12 anos ele j\u00e1 sabia com afinco o que almejava e naquele momento at\u00e9 mesmo a fam\u00edlia precisava encarar sua paix\u00e3o. Os pais de Heriberto, ao voltarem de uma viagem, encontraram em casa uma piscina de pl\u00e1stico e uma caixa d\u2019\u00e1gua cheias de peixes, lembra ele entre risos.<\/p>\n<p>O menino apaixonado por peixes deixava de lanchar na escola para alimentar uma paix\u00e3o. O dinheiro do \u00f4nibus se transformava em longas caminhadas at\u00e9 as lojas de animais e sua cole\u00e7\u00e3o aumentava cada dia mais.<\/p>\n<p>\u201cEu guardava o dinheiro da minha merenda da escola, eu deixava de comer, e economizava o dinheiro do \u00f4nibus tamb\u00e9m, e ia andando at\u00e9 as lojas para comprar peixes. Foi assim por muitos e muitos anos. Onde desse para colocar em casa, eu colocava. E quando eu disse que queria fazer biologia para trabalhar com esses animais, meus pais tiveram essa sensibilidade de me estimular com essa paix\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cascudos<\/strong><\/p>\n<p>Em determinado momento, ainda na adolesc\u00eancia, uma esp\u00e9cie passou a lhe chamar mais aten\u00e7\u00e3o, o cascudo. \u201cEu coletava peixes pr\u00f3ximo da minha casa, al\u00e9m daqueles que eu comprava. E eu sempre coletei cascudo e ent\u00e3o nasceu essa minha paix\u00e3o especial por essa esp\u00e9cie\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_520520\" aria-describedby=\"caption-attachment-520520\" style=\"width: 1600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption id=\"caption-attachment-520520\" class=\"wp-caption-text\">Bi\u00f3logo em expedi\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o de Bonito (MS). Foto: Eduardo Coutinho.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Heriberto conta que ganhou os primeiros cascudos, coloridos, da av\u00f3. \u201cNa \u00e9poca, compramos pela internet, e ali eu tive certeza que faria biologia para poder trabalhar com esse grupo de peixes\u201d.<\/p>\n<p><strong>Vida acad\u00eamica e profissional<\/strong><\/p>\n<p>Em 2005 Heriberto ingressou em Ci\u00eancia Biol\u00f3gicas, na Universidade Anhanguera Uniderp e no \u00faltimo ano do curso surgiu uma oportunidade profissional que n\u00e3o foi desperdi\u00e7ada.<\/p>\n<figure id=\"attachment_520527\" aria-describedby=\"caption-attachment-520527\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><figcaption id=\"caption-attachment-520527\" class=\"wp-caption-text\">A temporada no Par\u00e1 agregou experi\u00eancia e aprendizado na vida profissional do bi\u00f3logo. Foto: Arquivo pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cTranquei a faculdade porque surgiu a possibilidade de trabalhar com cascudos no Par\u00e1, na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Novamente meus pais me apoiaram. Ent\u00e3o eu passei um ano trabalhando com esses animais e com pesquisadores especializados nesse grupo de peixes (cascudos) na regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Ao voltar para Campo Grande, Heriberto terminou o curso de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e iniciou o mestrado em Biologia Animal, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).<\/p>\n<figure id=\"attachment_520524\" aria-describedby=\"caption-attachment-520524\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><figcaption id=\"caption-attachment-520524\" class=\"wp-caption-text\">Equipe de manejo do Bioparque Pantanal. Foto: Arquivo pessoal.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cFiz meu mestrado e trabalhei com monitoramento de peixes, e sempre com aqu\u00e1rios em casa, sempre com esse foco. Trabalhei em lojas de aqu\u00e1rio e gastava meu sal\u00e1rio comprando novos moradores para o aqu\u00e1rio e, \u00e0s vezes, nem recebia meu sal\u00e1rio porque gastava tudo com os eles\u201d<\/p>\n<p>Hoje ele comanda, no maior aqu\u00e1rio de \u00e1gua doce do mundo, 19 t\u00e9cnicos &#8211; bi\u00f3logos, zootecnista, m\u00e9dico veterin\u00e1rio, ocean\u00f3grafo, qu\u00edmico e engenheiro de aquicultura.<\/p>\n<p>\u201cHoje a minha fun\u00e7\u00e3o \u00e9 gerenciar toda essa equipe que cuida de todo esse acervo de peixes, n\u00e3o s\u00f3 da exposi\u00e7\u00e3o (circuito externo), mas tamb\u00e9m da parte de pesquisa do Centro de Conserva\u00e7\u00e3o. Cuidamos de 468 esp\u00e9cies, cerca de 40 mil animais que habitam o Bioparque Pantanal\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ele, o trabalho \u00e9 espec\u00edfico para atender as necessidades nutricionais, comportamentais, sanit\u00e1rias e at\u00e9 a qualidade de \u00e1gua, tudo para trazer qualidade de vida para os peixes e os outros animais.<\/p>\n<p><strong>Heriberto x Bioparque<\/strong><\/p>\n<p>Antes mesmo do Bioparque Pantanal existir, como conhecemos hoje, havia um projeto antigo de aqu\u00e1rio para a Capital. \u201cNessa \u00e9poca ainda nem estava na faculdade, mas j\u00e1 dizia que gostaria de trabalhar no aqu\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 formado, em 2011, Heriberto foi chamado para trabalhar em um programa chamado \u201cBiota MS\u201d (Programa Estadual de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o) para trabalhar em uma lista de esp\u00e9cies que iriam compor o ent\u00e3o aqu\u00e1rio de \u00e1gua doce, que viria a ser o Bioparque.<\/p>\n<figure id=\"attachment_520522\" aria-describedby=\"caption-attachment-520522\" style=\"width: 1316px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><figcaption id=\"caption-attachment-520522\" class=\"wp-caption-text\">O profissional dedica boa parte de sua vida aos aos peixes, por quem tem grande admira\u00e7\u00e3o e respeito. Foto: Bruno Rezende.<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEm 2014 come\u00e7amos a receber alguns animais de coleta e ficamos at\u00e9 2022 cuidando desses animais em outro laborat\u00f3rio, que era o Laborat\u00f3rio de ictiologia do Imasul ((Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). Naquele momento ainda n\u00e3o sab\u00edamos se o Bioparque iria inaugurar ou n\u00e3o. Era uma incerteza. Mas quando soubemos que a obra realmente iria voltar e os peixes viriam para o aqu\u00e1rio foi muito marcante na minha vida, j\u00e1 que trar\u00edamos esses animais para o maior aqu\u00e1rio de \u00e1gua doce do mundo\u201d, conta.<\/p>\n<p>Heriberto se emociona ao dizer que \u201choje, quando as pessoas veem os animais no circuito, s\u00e3o animais com mais de 10 anos de idade. E para n\u00f3s, olhar para aqueles peixes e cuidar deles \u00e9 uma satisfa\u00e7\u00e3o sem precedentes\u201d.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo, apaixonado, garante que muito estudo o levaram \u00e0 fun\u00e7\u00e3o que ocupa hoje, e ele assegura que sua felicidade n\u00e3o poderia estar em outro local.<\/p>\n<p>\u201c Tive uma inf\u00e2ncia dif\u00edcil e me senti sozinho em muitos momentos e os peixes fizeram com que eu n\u00e3o me sentisse assim. De alguma forma me conectei com esses animais e aquilo me trazia um acalento, um acolhimento que eu n\u00e3o tinha como explicar. Jamais seria feliz atr\u00e1s de uma mesa, esperando um hor\u00e1rio para ir embora. Se n\u00e3o existisse o Bioparque, eu, com certeza, estaria em uma universidade fazendo pesquisa, mas com peixes, com certeza, sempre com eles\u201d.<\/p>\n<p><em>Luciana Brazil, Comunica\u00e7\u00e3o Bioparque Pantanal<br \/><\/em><em>Foto de capa: Bruno Rezende\/Secom<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 6 anos de idade, um tanque de lavar roupa cheio de \u00e1gua e tr\u00eas peixinhos de brinquedo foram suficientes para despertar uma paix\u00e3o avassaladora que virou profiss\u00e3o. Hoje, aos 38 anos, o bi\u00f3logo curador do Bioparque Pantanal, Heriberto Gim\u00eanes Junior, garante que uma brincadeira de crian\u00e7a, despretensiosamente orquestrada por seus pais, foi tudo que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-42206","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42206"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42206\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}