{"id":43887,"date":"2025-10-14T15:05:41","date_gmt":"2025-10-14T18:05:41","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2025\/10\/14\/historias-inspiradoras-florescem-junto-a-terra-na-escola-agricola-de-rochedinho-cgnoticias\/"},"modified":"2025-10-14T15:05:41","modified_gmt":"2025-10-14T18:05:41","slug":"historias-inspiradoras-florescem-junto-a-terra-na-escola-agricola-de-rochedinho-cgnoticias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2025\/10\/14\/historias-inspiradoras-florescem-junto-a-terra-na-escola-agricola-de-rochedinho-cgnoticias\/","title":{"rendered":"hist\u00f3rias inspiradoras florescem junto \u00e0 terra na Escola Agr\u00edcola de Rochedinho \u2013 CGNot\u00edcias"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Na zona rural de Rochedinho, distrito acolhedor de Campo Grande, o som das risadas infantis se mistura ao canto dos p\u00e1ssaros e ao cheiro de terra \u00famida. O cen\u00e1rio \u00e9 o da Escola Municipal Agr\u00edcola Bar\u00e3o do Rio Branco, onde o aprendizado ultrapassa os muros da sala de aula e se espalha pelos tr\u00eas campos que comp\u00f5em o espa\u00e7o. Era Dia do Cabelo Maluco, em comemora\u00e7\u00e3o ao Dia do Professor, e a alegria tomava conta da quadra de esportes. Entre tran\u00e7as coloridas, aranhas de brinquedo e tintas no cabelo, a festa unia alunos e professores.<\/p>\n<p>\u201cFazer a felicidade deles n\u00e3o tem pre\u00e7o. Quando a gente cria v\u00ednculo, o ensino flui. Eu gosto de estar com eles, de participar da bagun\u00e7a, ensinar e aprender junto\u201d, confessa, aos risos, a professora Lisandra Rafaela Arc\u00e2ngelo Ribeiro, de 38 anos, moradora do bairro Coronel Antonino, que h\u00e1 tr\u00eas anos se dedica \u00e0 horta e \u00e0s pr\u00e1ticas do campo. Dentro do clima de descontra\u00e7\u00e3o, ela tamb\u00e9m entrou na brincadeira e estava com uma \u201caranha\u201d no cabelo maluco.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<p>Em uma semana t\u00e3o especial, Lisandra conta que herdou da m\u00e3e o amor pelo ensino. Filha de uma professora, escolheu a educa\u00e7\u00e3o como profiss\u00e3o. \u201cMinha m\u00e3e \u00e9 professora aposentada, 33 anos de carreira. Sempre achei lindo o que ela fazia. Aqui, aprendo mais do que ensino. Nossos alunos trazem saberes do campo, e isso enriquece nossas aulas\u201d.<\/p>\n<p>Hoje, Lisandra cuida de um horto medicinal com mais de 57 esp\u00e9cies de plantas, projeto iniciado por ela, que re\u00fane ervas medicinais, arom\u00e1ticas e condimentares. \u201cA Stevia \u00e9 uma das nossas estrelas. Ela \u00e9 usada como ado\u00e7ante natural e em ch\u00e1s medicinais\u201d, explica, orgulhosa, a professora.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<p><strong>Uma hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Com uma hist\u00f3ria marcada pela supera\u00e7\u00e3o, o diretor da escola, Francisley Galdino da Silva, de 46 anos, residente no bairro \u00c1gua Limpa, revela que chegou \u00e0 unidade h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas e lembra, com clareza, o in\u00edcio de sua jornada ainda como professor no come\u00e7o da carreira. \u201cQuando eu comecei aqui na escola agr\u00edcola, a estrada era de ch\u00e3o. Eu n\u00e3o tinha carro e vinha de carona de Campo Grande para c\u00e1, \u00e0s vezes em cima da carroceria de caminhonete. J\u00e1 cheguei a pegar tr\u00eas caronas para conseguir chegar \u00e0 escola\u201d.<\/p>\n<p>Nos primeiros anos, Francisley dormia em um pequeno alojamento improvisado dentro da escola, junto com outros professores. \u201c\u00c0s vezes, quando fechava a escola, a gente jogava at\u00e9 uma bola. Mas dorm\u00edamos cedo porque n\u00e3o tinha internet nem televis\u00e3o. No outro dia, antes do sol nascer, j\u00e1 est\u00e1vamos de p\u00e9 para dar aula. Era dif\u00edcil, mas nunca pensei em desistir\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<p>Hoje, a Escola Agr\u00edcola atende mais de 350 alunos, do infantil ao ensino m\u00e9dio, e mant\u00e9m uma fila de espera com mais de cem estudantes. A estrutura cresceu junto com o projeto pedag\u00f3gico, que inclui tr\u00eas \u00e1reas agr\u00edcolas, conhecidas como \u201ccampos\u201d, destinadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de hortali\u00e7as, piscicultura, avicultura, floricultura e manejo de su\u00ednos e equinos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um orgulho ver o quanto a escola se desenvolveu. Quando come\u00e7amos, era tudo muito simples. Hoje, \u00e9 refer\u00eancia. Esse lugar faz parte da minha hist\u00f3ria, e eu fa\u00e7o parte da dele\u201d, resume o diretor.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<p><strong>Novos frutos surgem<\/strong><\/p>\n<p>Os alunos, vindos tanto da zona rural quanto da cidade, reconhecem a import\u00e2ncia da escola e dos professores. Pelos corredores, o entusiasmo dos estudantes revela o impacto positivo das hist\u00f3rias e o exemplo dos educadores. O carinho e a admira\u00e7\u00e3o aparecem em cada resposta.<\/p>\n<p>Para Rafaela Ara\u00fajo de Almeida, 12 anos, aluna do 6\u00ba ano, o esfor\u00e7o di\u00e1rio vale a pena. Ela acorda todos os dias \u00e0s 5h30 para pegar o \u00f4nibus que sai do bairro Santa Luzia rumo \u00e0 escola. \u201cEu amo estar aqui. Gosto da biblioteca e da colheita, mas o que eu mais gosto s\u00e3o as aulas da professora L\u00e9o. Ela \u00e9 muito legal, explica bem e faz a gente rir. A melhor professora de todas!\u201d, conta, sorrindo.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<p>J\u00e1 Luana Domingos Recalcati, 13 anos, do 8\u00ba ano e moradora de Campo Grande, descobriu em Rochedinho um novo jeito de aprender. \u201cTenho parentes que estudaram aqui e sempre falaram muito bem. Quando soube que tinha vaga, quis vir tamb\u00e9m. Aqui \u00e9 diferente. A gente n\u00e3o fica s\u00f3 na sala. Aprende a plantar, cuidar dos bichos, ver as coisas crescerem. \u00c9 um aprendizado que a gente leva pra vida. A professora L\u00e9o \u00e9 divertida e ensina com paci\u00eancia. Quando a gente erra, ela fala de um jeito que a gente entende. \u00c9 firme, mas faz tudo com carinho. Aprendi a respeitar os animais, a cuidar das plantas e a trabalhar em grupo. Aqui, a gente aprende sobre a vida tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<p>Ana Alieta Adora Colhavi Quais, de 13 anos, do 8\u00ba ano, exibia com orgulho o cabelo colorido de arco-\u00edris, afinal, era o \u201cDia do Cabelo Maluco\u201d na escola. Mas conta, com carinho, a experi\u00eancia de estudar ali. \u201c\u00c9 simplesmente maravilhosa! Tenho muitos amigos, a gente brinca bastante nos recreios e os professores explicam tudo direitinho. A gente vai l\u00e1, cuida de todos os animais. Eu amo os animais, principalmente as borboletas. Cuidamos de tudo, dos porquinhos tamb\u00e9m. Ano passado a gente at\u00e9 ajudou a capar alguns. Aprendi tudo isso aqui! Eu gosto muito do professor Vanjir \u2014 ele \u00e9 diferente, ajuda as meninas no futebol, incentiva todo mundo a participar e da professora L\u00e9o. Aqui na escola a gente aprende de um jeito divertido. \u00c9 um lugar que ensina de verdade e faz a gente ser feliz\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<p>Outra que chamava aten\u00e7\u00e3o pelo figurino no \u201ccabelo maluco\u201d era a estudante Vit\u00f3ria Batista dos Santos, de 15 anos, aluna do 8\u00ba ano, que sonha em ser veterin\u00e1ria. \u201cAqui na escola agr\u00edcola \u00e9 muito bom mesmo. Pra quem vem da cidade, como eu, \u00e9 uma oportunidade de aprender coisas que a gente nunca aprendeu l\u00e1. A gente aprende como plantar, como cuidar das coisas, como ter o h\u00e1bito aqui do interior. \u00c9 muito \u00f3timo, porque a gente aprende coisas que nunca teve no\u00e7\u00e3o. O ano passado, por exemplo, a gente capou porquinhos com o s\u00e9timo ano. \u00c9 uma experi\u00eancia que a gente leva pra vida. Eu quero me formar em veterin\u00e1ria de porte grande. Isso aqui vai influenciar na minha vida profissional, com certeza. Tenho dois professores que gosto muito: a professora Cr\u00edcia e a professora L\u00e9o, de pr\u00e1ticas agr\u00edcolas. Elas ensinam com carinho e paci\u00eancia, e a gente aprende fazendo. Estudar aqui muda a gente. Ensina a cuidar, a respeitar e a valorizar o que vem da terra\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<p><strong>Professora L\u00e9o, a guardi\u00e3 dos animais e dos afetos<\/strong><\/p>\n<p>A professora Leuilza Terezinha de Souza Fay, de 38 anos, \u00e9 chamada carinhosamente de professora L\u00e9o pelos alunos. Desde 2019, ensina pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e zoot\u00e9cnicas. \u201cAqui, o aprendizado \u00e9 70% pr\u00e1tico. Eles plantam, tratam dos animais, colhem, produzem. \u00c9 m\u00e3o na massa o tempo todo\u201d, explica, enquanto mostra o galinheiro onde as crian\u00e7as cuidam das aves de corte e postura.<\/p>\n<p>\u201cA gente produz pra escola, e o que sobra, vendemos no emp\u00f3rio. Assim, eles aprendem tamb\u00e9m o valor do empreendedorismo: produzir, vender, reinvestir. \u00c9 uma li\u00e7\u00e3o pra vida\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<p>L\u00e9o conta que nasceu em uma fam\u00edlia de professores. \u201cNo come\u00e7o, eu nem pensava em ser professora, mas me apaixonei pela conviv\u00eancia com os alunos. Eles ficam mais comigo do que com os pais. Tem crian\u00e7a que sai de casa \u00e0s 5h da manh\u00e3 e s\u00f3 volta \u00e0s 5h da tarde. Eu acabo sendo m\u00e3e, psic\u00f3loga, amiga. Ser professora \u00e9 cuidar\u201d.<\/p>\n<p>Ela diz que conhece cada aluno pelo olhar. \u201c\u00c0s vezes, ele chega diferente, percebo e j\u00e1 pergunto: \u2018Aconteceu alguma coisa, n\u00e9?\u2019. A gente tem esse v\u00ednculo. E \u00e9 isso que d\u00e1 sentido a tudo\u201d.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<p>Assim, entre hortas, galinheiros e risadas, a Escola Municipal Agr\u00edcola Bar\u00e3o do Rio Branco \u00e9 muito mais que um espa\u00e7o de ensino. \u00c9 uma comunidade que cultiva sonhos, valores e v\u00ednculos. Francisley, Lisandra e L\u00e9o s\u00e3o o retrato vivo de uma voca\u00e7\u00e3o que transforma vidas: a de ensinar com o cora\u00e7\u00e3o. E, na Semana dos Professores, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o reconhecer que, nesse ch\u00e3o de Rochedinho, o conhecimento floresce com o mesmo cuidado com que se cultiva uma semente.<\/p>\n<p><em>#ParaTodosVerem: Foto de capa com as crian\u00e7as ao lado das professoras durante a comemora\u00e7\u00e3o do Dia do Cabelo Maluco. Em seguida, imagens da professora Lisandra Rafaela Arc\u00e2ngelo Ribeiro. Na sequ\u00eancia, o professor e diretor Francisley Galdino da Silva. Imagem da fachada da Escola Municipal Agr\u00edcola Bar\u00e3o do Rio Branco. Fotos das estudantes Rafaela Ara\u00fajo de Almeida, Luana Domingos Recalcati, Ana Alieta Adora Colhavi Quais e Vit\u00f3ria Batista dos Santos. A professora Leuilza Terezinha de Souza Fay (professora L\u00e9o) aparece cuidando dos animais e das plantas. Ao lado, uma galeria de fotos complementa os momentos registrados na escola.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><script async defer async defer src=\"https:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/sdk.js?ver=1#xfbml=1&amp;version=v3.2\" id=\"prefeitura-campogrande-script-facebook-sdk-js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na zona rural de Rochedinho, distrito acolhedor de Campo Grande, o som das risadas infantis se mistura ao canto dos p\u00e1ssaros e ao cheiro de terra \u00famida. 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