{"id":44800,"date":"2025-11-10T17:57:52","date_gmt":"2025-11-10T20:57:52","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2025\/11\/10\/formacao-vira-a-chave-em-aldeia-e-indigenas-de-ms-lucram-mais-de-2-mil-reais-em-uma-semana-de-trabalho\/"},"modified":"2025-11-10T17:57:52","modified_gmt":"2025-11-10T20:57:52","slug":"formacao-vira-a-chave-em-aldeia-e-indigenas-de-ms-lucram-mais-de-2-mil-reais-em-uma-semana-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2025\/11\/10\/formacao-vira-a-chave-em-aldeia-e-indigenas-de-ms-lucram-mais-de-2-mil-reais-em-uma-semana-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Forma\u00e7\u00e3o \u2018vira a chave\u2019 em aldeia e ind\u00edgenas de MS lucram mais de 2 mil reais em uma semana de trabalho"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Nem o frio e nem a chuva que mudaram o tempo repentinamente conseguiu desanimar quem estava decidido a encarar o desafio do Empretec Ind\u00edgena, na aldeia Marangatu, em Ant\u00f4nio Jo\u00e3o (MS). O semin\u00e1rio realizado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado da Cidadania, em parceria com o Sebrae e apoio da Prefeitura de Ant\u00f4nio Jo\u00e3o, terminou no pen\u00faltimo s\u00e1bado (1\u00ba), com hist\u00f3rias que mostram como o conhecimento pode transformar vidas e gerar renda.<\/p>\n<p>Uma das participantes que mais se destacaram foi a professora de Qu\u00edmica, J\u00e9ssica Barbosa de Carvalho, de 32 anos. No in\u00edcio, ela nem pensava em fazer o curso. \u201cEu falei pro professor: \u2018pra que eu vou fazer se n\u00e3o tenho nada pra vender\u2019?\u201d, relembra. Desafiada pelos colegas, acabou aceitando o convite, e saiu do Empretec com uma nova vis\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\">&#13;<figcaption class=\"wp-element-caption\">&#8220;Esta\u00e7\u00e3o do Sabor&#8221; foi a empresa vencedora que conseguiu arrecadar mais de R$ 2 mil em uma semana de trabalho.<\/figcaption>&#13;<br \/>\n<\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image alignleft size-large is-resized\">&#13;<figcaption class=\"wp-element-caption\">J\u00e9ssica nem pensava em fazer o Empretec, mas topou ao ser desafiada e relata o qu\u00e3o significativo foi participar do semin\u00e1rio. (Foto: Paula Maciulevicius\/SEC)<\/figcaption>&#13;<br \/>\n<\/figure>\n<p>\u201cEu entendi que empreender \u00e9 muito mais do que vender alguma coisa. \u00c9 sobre atitude, persist\u00eancia, comprometimento. Aprendi que o medo \u00e9 o que mais impede a gente de tentar\u201d, contou.<\/p>\n<p>Durante a forma\u00e7\u00e3o, J\u00e9ssica integrou o grupo respons\u00e1vel pela \u201cEsta\u00e7\u00e3o do Sorvete\u201d, uma empresa criada dentro do semin\u00e1rio para simular um neg\u00f3cio real. A ideia inicial era abrir uma sorveteria, mas o frio e a chuva dos primeiros dias mudaram os planos. \u201cA gente pensou: se o tempo muda, o card\u00e1pio tamb\u00e9m pode mudar. Ent\u00e3o criamos a Esta\u00e7\u00e3o do Sabor, pra vender de tudo um pouco: doce, caldo, pocheirada\u201d, explicou.<\/p>\n<p>De casa em casa, o grupo enfrentou o barro, a chuva e o cansa\u00e7o para oferecer seus produtos na comunidade. O resultado surpreendeu at\u00e9 as pr\u00f3prias empreendedoras.<\/p>\n<p>\u201cA gente come\u00e7ou entregando embaixo de chuva, e mesmo assim deu certo. Em cinco dias, faturamos R$ 2.408, quase metade do sal\u00e1rio que eu ganho como professora. Isso mostrou que \u00e9 poss\u00edvel, que a gente tem cabe\u00e7a e capacidade pra fazer acontecer\u201d, comemorou J\u00e9ssica.<\/p>\n<p>E para quem nunca havia batido de porta em porta e achava que poderia ser at\u00e9 humilhante tentar vender alguma coisa, o exerc\u00edcio foi transformador. \u201cPercebi que eu consigo convencer as pessoas, consigo fazer acontecer. Agora quero continuar com o projeto\u201d, disse.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\">&#13;<figcaption class=\"wp-element-caption\">No encerramento, analista que conduziu a forma\u00e7\u00e3o fala que a partir daquele momento, novas ideias florescem. (Foto: Paula Maciulevicius\/SEC)<\/figcaption>&#13;<br \/>\n<\/figure>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Empretec Ind\u00edgena<\/h2>\n<p>Criado pela ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas) e aplicado no Brasil pelo Sebrae, o Empretec \u00e9 uma metodologia que desenvolve o comportamento empreendedor.\u00a0<\/p>\n<p>Desde 2024, o Governo do Estado passou a realizar a vers\u00e3o \u201cInd\u00edgena\u201d. In\u00e9dito no Pa\u00eds, o primeiro foi realizado em abril do ano passado, com os Ofai\u00e9, no munic\u00edpio de Brasil\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Durante seis dias intensos, os participantes vivenciam desafios pr\u00e1ticos e reflex\u00f5es que estimulam a autoconfian\u00e7a, a capacidade de planejamento e a busca por resultados. Voltado a despertar o potencial e transformar atitudes, o Empretec prop\u00f5e uma verdadeira imers\u00e3o para quem deseja empreender com prop\u00f3sito e protagonismo.<\/p>\n<p>No encerramento do semin\u00e1rio realizado na Marangatu, em Ant\u00f4nio Jo\u00e3o, o analista do Sebrae e facilitador Empretec, Francisco J\u00fanior, falou sobre o significado simb\u00f3lico da forma\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia de os participantes reconhecerem sua pr\u00f3pria for\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cVamos dizer que este \u00e9 o encerramento de uma maneira de viver que voc\u00eas estavam levando at\u00e9 agora \u2014 e o in\u00edcio de algo novo, de um tempo em que voc\u00eas v\u00e3o poder dizer: valeu a pena mudar, essa experi\u00eancia chegou na hora certa. E o mais importante \u00e9 lembrar que as \u00fanicas pessoas que podem dizer se voc\u00eas podem ou n\u00e3o fazer algo, s\u00e3o voc\u00eas mesmos. Todos os dias, olhem para si e digam: eu consegui chegar at\u00e9 aqui, imagina o que posso alcan\u00e7ar daqui pra frente\u201d, provocou Francisco.<\/p>\n<p>Na semana que passaram juntos, imersos no aprendizado do empreendedorismo, o grupo de 27 ind\u00edgenas venceram desafios, e nas palavras do analista, superaram a si mesmos. \u201cMesmo com chuva, barro e cansa\u00e7o, voc\u00eas persistiram. Isso \u00e9 for\u00e7a, \u00e9 resili\u00eancia, \u00e9 acreditar. A partir de agora, a vida e a condu\u00e7\u00e3o s\u00e3o de voc\u00eas. Perguntem-se sempre: o que posso fazer melhor do que ontem? O que posso fazer para que minha comunidade cres\u00e7a comigo?\u201d, completou.\u00a0<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image alignleft size-large is-resized\">&#13;<figcaption class=\"wp-element-caption\">Vereadora de Ant\u00f4nio Jo\u00e3o e lideran\u00e7a da comunidade, Inaye tamb\u00e9m fez o Empretec, e recebeu o certificado das m\u00e3os do subsecret\u00e1rio Fernando Souza. (Foto: Paula Maciulevicius\/SEC)<\/figcaption>&#13;<br \/>\n<\/figure>\n<p>O subsecret\u00e1rio de Pol\u00edticas P\u00fablicas para Povos Origin\u00e1rios, Fernando Souza, destacou a emo\u00e7\u00e3o de ver o brilho nos olhos dos participantes e a import\u00e2ncia de levar o programa para dentro das aldeias:<\/p>\n<p>\u201cEu estou muito feliz por voc\u00eas. Quando estive aqui no primeiro dia, vi nos rostos uma certa d\u00favida sobre o que seria o Empretec. Hoje, apesar do cansa\u00e7o, vejo um brilho nos olhos, e isso nos alegra muito\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Em nome do Governo do Estado, Fernando contextualizou como foi o processo de trazer o Empretec para dentro do territ\u00f3rio ind\u00edgena. \u201cVencemos muitas barreiras, porque acreditamos no potencial e na for\u00e7a de trabalho de voc\u00eas. Enfrentamos resist\u00eancias, ouvimos questionamentos, como por exemplo: \u2018por que levar o Empretec para uma comunidade ind\u00edgena?\u2019, mas seguimos firmes, porque sabemos que temos capacidade de crescer. Eu sou prova disso. A gente pode evoluir, melhorar de vida, sem deixar de ser quem somos: Guarani, Kaiow\u00e1, Terena, Ofai\u00e9. O que queremos \u00e9 ver o nosso povo crescendo, se fortalecendo e construindo um futuro melhor.\u201d<\/p>\n<p>A vereadora do munic\u00edpio de Ant\u00f4nio Jo\u00e3o, lideran\u00e7a da Terra Ind\u00edgena Marangatu e tamb\u00e9m participante do Empretec, Inaye Lopes refor\u00e7ou que o semin\u00e1rio \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho antigo.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEsse curso era um sonho nosso desde o in\u00edcio. A comunidade precisava de uma forma\u00e7\u00e3o que mostrasse como usar o territ\u00f3rio de forma produtiva e sustent\u00e1vel. Agrade\u00e7o aos participantes que acreditaram e se inscreveram, mesmo com as dificuldades. Tivemos jovens, acad\u00eamicos e at\u00e9 o seu Carlos, com 78 anos, que nos d\u00e1 um exemplo lindo de que nada \u00e9 imposs\u00edvel quando a gente quer. Que venham mais cursos como este para fortalecer nossa juventude e o nosso territ\u00f3rio.\u201d<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\">&#13;<figcaption class=\"wp-element-caption\">Pai e filha, Ad\u00e3o e Karine j\u00e1 v\u00e3o colocar em pr\u00e1tica a doceria pensada durante o semin\u00e1rio. (Foto: Paula Maciulevicius\/SEC)<\/figcaption>&#13;<br \/>\n<\/figure>\n<p>Entre os participantes, um exemplo de uni\u00e3o familiar chamou aten\u00e7\u00e3o. Pai e filha decidiram transformar o aprendizado em neg\u00f3cio real. Durante o curso, Ad\u00e3o Benites, que \u00e9 diretor da escola onde o semin\u00e1rio aconteceu, e a herdeira Karine Benites, criaram uma empresa fict\u00edcia que j\u00e1 \u00e9 uma realidade.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA ideia \u00e9 vender doces, carne assada, frango caipira e caldos, produtos que j\u00e1 faz\u00edamos antes. Agora, com o que aprendemos, ganhamos confian\u00e7a para abrir de verdade a Soberana S.A., junto com minha esposa Cleusa e meu genro Adelso\u201d, conta o morador da localidade Soberana, uma das 12 divis\u00f5es da Aldeia Marangatu.\u00a0<\/p>\n<p>O nome da empresa vem do pr\u00f3prio lugar onde vivem, Soberana, e simboliza o orgulho de empreender com ra\u00edzes fincadas na terra ind\u00edgena que os viu crescer.<\/p>\n<p>Realizado pelo Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Estado da Cidadania, em parceria com o Sebrae\/MS e com apoio das prefeituras municipais, o Empretec Ind\u00edgena faz parte de uma agenda que valoriza o empreendedorismo como ferramenta de autonomia e transforma\u00e7\u00e3o social. Novas edi\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o confirmadas em outros territ\u00f3rios ind\u00edgenas e, de forma in\u00e9dita no Estado, ser\u00e1 realizado tamb\u00e9m o primeiro Empretec Quilombola, em Nioaque, ampliando o alcance da forma\u00e7\u00e3o e reafirmando o compromisso com o fortalecimento das comunidades tradicionais.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\">&#13;<figcaption class=\"wp-element-caption\">No encerramento, todos os alunos com o certificado de conclus\u00e3o do Empretec. (Foto: Paula Maciulevicius\/SEC)<\/figcaption>&#13;<br \/>\n<\/figure>\n<p><em>Paula Maciulevicius, Comunica\u00e7\u00e3o da Cidadania<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem o frio e nem a chuva que mudaram o tempo repentinamente conseguiu desanimar quem estava decidido a encarar o desafio do Empretec Ind\u00edgena, na aldeia Marangatu, em Ant\u00f4nio Jo\u00e3o (MS). 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