{"id":46576,"date":"2026-02-25T08:18:38","date_gmt":"2026-02-25T11:18:38","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2026\/02\/25\/em-formato-inedito-clube-de-leitura-humaniza-a-pena-e-fortalece-a-ressocializacao-em-unidades-prisionais-de-corumba\/"},"modified":"2026-02-25T08:18:38","modified_gmt":"2026-02-25T11:18:38","slug":"em-formato-inedito-clube-de-leitura-humaniza-a-pena-e-fortalece-a-ressocializacao-em-unidades-prisionais-de-corumba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2026\/02\/25\/em-formato-inedito-clube-de-leitura-humaniza-a-pena-e-fortalece-a-ressocializacao-em-unidades-prisionais-de-corumba\/","title":{"rendered":"Em formato in\u00e9dito, clube de leitura humaniza a pena e fortalece a ressocializa\u00e7\u00e3o em unidades prisionais de Corumb\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Uma iniciativa realizada no sistema prisional de Mato Grosso do Sul est\u00e1 transformando celas em espa\u00e7os de di\u00e1logo, reflex\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de novos sentidos. O projeto de extens\u00e3o \u201cA Literatura Liberta\u201d acontece simultaneamente no pres\u00eddio masculino e no feminino de Corumb\u00e1, ambos de regime fechado, em formato de clube de leitura, com a participa\u00e7\u00e3o de 120 pessoas privadas de liberdade.<\/p>\n<p>Desenvolvida pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em parceria com a Agepen (Ag\u00eancia Estadual de Administra\u00e7\u00e3o do Sistema Penitenci\u00e1rio) e o Conselho da Comunidade de Corumb\u00e1, a iniciativa representa uma pr\u00e1tica inovadora de assist\u00eancia penitenci\u00e1ria e tem atra\u00eddo bastante interesse e engajamento dos participantes.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright\"><\/figure>\n<\/div>\n<p>Diferente de outros projetos de leitura j\u00e1 realizados nas unidades prisionais do estado, nos quais a leitura \u00e9 individual, a nova proposta trata-se de um clube liter\u00e1rio, formato in\u00e9dito no sistema prisional sul-mato-grossense. Re\u00fane os participantes para lerem a mesma obra e, sob media\u00e7\u00e3o especializada, compartilharem percep\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias e reflex\u00f5es. A participa\u00e7\u00e3o garante remi\u00e7\u00e3o de at\u00e9 48 dias de pena por ano, conforme a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 391\/2021 do CNJ (Conselho Nacional de Justi\u00e7a) e a Portaria Conjunta TJMS n\u00ba 004\/2025, de 13 de outubro.<\/p>\n<p>Coordenada pela professora doutora Elaine Dupas, do curso de Direito da UFMS Campus Pantanal, a a\u00e7\u00e3o conta com curadoria especial de 18 t\u00edtulos, incluindo oito obras de autores sul-mato-grossenses, valorizando e difundindo a literatura regional. O projeto foi fomentado pelo Conselho da Comunidade de Corumb\u00e1, com atua\u00e7\u00e3o de acad\u00eamicos de gradua\u00e7\u00e3o e mestrado, aproximando universidade e sistema prisional em uma experi\u00eancia formativa e cidad\u00e3.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um instrumento indispens\u00e1vel para a ressocializa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma das fun\u00e7\u00f5es da pena. A novidade \u00e9 ser um clube de leitura, ou seja, leitura coletiva, todos lendo a mesma obra. Isso vai al\u00e9m da leitura individual tradicional e permite outras percep\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es\u201d, destacou a coordenadora Elaine Dupas, que j\u00e1 planeja ampliar as turmas em Corumb\u00e1 e apoiar a replica\u00e7\u00e3o do modelo em outras unidades prisionais do Estado.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><\/figure>\n<\/div>\n<p>A media\u00e7\u00e3o das discuss\u00f5es fica a cargo de especialistas como Marcelle Saboya, refer\u00eancia em clubes de leitura e mediadora do Clube Leituras di Macondo, existente h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada na capital pantaneira. A capacita\u00e7\u00e3o para implementa\u00e7\u00e3o de clubes de leitura no sistema prisional foi ofertada pelo coletivo \u201cRemi\u00e7\u00e3o em Rede\u201d, com foco na democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 literatura e na qualifica\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas de remi\u00e7\u00e3o pela leitura.<\/p>\n<p>Uma biblioteca itinerante assegura a circula\u00e7\u00e3o das obras entre as duas unidades prisionais, garantindo acesso organizado e cont\u00ednuo aos livros selecionados. Entre as refer\u00eancias que fundamentam a metodologia est\u00e1 a obra \u201cUma aposta nas pequenas revolu\u00e7\u00f5es\u201d, publicada pela parceria entre o Selo Em\u00edlia e a Solisluna Editora, que apresenta os princ\u00edpios centrais dos clubes de leitura, ou seja, a literatura como fio condutor, o acolhimento, a escuta atenta e livre de preconceitos, e o protagonismo de cada participante nas rodas de conversa.<\/p>\n<p>Para a diretora de Assist\u00eancia Penitenci\u00e1ria da Agepen, Maria de Lourdes Delgado Alves, a iniciativa traduz, na pr\u00e1tica, a pol\u00edtica de humaniza\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o penal adotada em Mato Grosso do Sul. \u201cO sistema prisional sul-mato-grossense tem investido em a\u00e7\u00f5es estruturadas que promovem educa\u00e7\u00e3o, cultura e oportunidades reais de transforma\u00e7\u00e3o. O clube de leitura est\u00e1 em conson\u00e2ncia com o nosso compromisso com a ressocializa\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel, com respaldo legal e acompanhamento t\u00e9cnico, mostrando que \u00e9 poss\u00edvel unir seguran\u00e7a e dignidade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A dirigente destaca que o projeto s\u00f3 se concretiza gra\u00e7as ao trabalho integrado de policiais penais e das dire\u00e7\u00f5es das unidades, que organizam rotinas, asseguram a log\u00edstica e garantem a seguran\u00e7a necess\u00e1ria para a realiza\u00e7\u00e3o dos encontros. \u201cA atua\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e comprometida desses profissionais demonstra que o sistema prisional de Mato Grosso do Sul avan\u00e7a n\u00e3o apenas na seguran\u00e7a, mas tamb\u00e9m na implementa\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas inovadoras de assist\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o\u201d, apontou Maria de Lourdes.<\/p>\n<p>A chefe da Divis\u00e3o de Assist\u00eancia Educacional da Agepen, Rita de C\u00e1ssia Argolo Fonseca, tamb\u00e9m ressalta o car\u00e1ter inovador da proposta. \u201cEstamos falando de uma metodologia que promove pertencimento, di\u00e1logo e desenvolvimento cr\u00edtico. Ao garantir o direito \u00e0 literatura e integrar universidade, comunidade e sistema prisional, fortalecemos uma pol\u00edtica p\u00fablica consistente, baseada em evid\u00eancias e alinhada \u00e0s diretrizes nacionais da execu\u00e7\u00e3o penal\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Para o acad\u00eamico Adriano Ojeda, aluno de Direito do Campus Pantanal da UFMS, a experi\u00eancia amplia horizontes. \u201c\u00c9 essencial para minha forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, humana e social, permitindo vivenciar a execu\u00e7\u00e3o penal na pr\u00e1tica\u201d, finalizou.<\/p>\n<p><em>Keila Oliveira, Comunica\u00e7\u00e3o Agepen<\/em><br \/><em>Fotos: Agepen\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma iniciativa realizada no sistema prisional de Mato Grosso do Sul est\u00e1 transformando celas em espa\u00e7os de di\u00e1logo, reflex\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de novos sentidos. 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