{"id":49045,"date":"2026-04-22T07:56:51","date_gmt":"2026-04-22T10:56:51","guid":{"rendered":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2026\/04\/22\/quando-historias-indigenas-ocupam-espacos-sonhos-reacendem-em-mato-grosso-do-sul-agencia-de-noticias-do-governo-de-mato-grosso-do-sul\/"},"modified":"2026-04-22T07:56:51","modified_gmt":"2026-04-22T10:56:51","slug":"quando-historias-indigenas-ocupam-espacos-sonhos-reacendem-em-mato-grosso-do-sul-agencia-de-noticias-do-governo-de-mato-grosso-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/2026\/04\/22\/quando-historias-indigenas-ocupam-espacos-sonhos-reacendem-em-mato-grosso-do-sul-agencia-de-noticias-do-governo-de-mato-grosso-do-sul\/","title":{"rendered":"Quando hist\u00f3rias ind\u00edgenas ocupam espa\u00e7os, sonhos reacendem em Mato Grosso do Sul \u2013 Ag\u00eancia de Noticias do Governo de Mato Grosso do Sul"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>No m\u00eas em que o Pa\u00eds volta o olhar para o 19 de abril, Dia dos Povos Ind\u00edgenas, hist\u00f3rias que antes permaneciam restritas aos territ\u00f3rios ganham voz, corpo e presen\u00e7a. Em Mato Grosso do Sul, elas n\u00e3o falam apenas de resist\u00eancia, como tamb\u00e9m de protagonismo. S\u00e3o trajet\u00f3rias que atravessam dificuldades, constroem caminhos pr\u00f3prios e hoje ocupam espa\u00e7os, inspirando quem est\u00e1 dentro e tamb\u00e9m fora das aldeias.<\/p>\n<p>Foi nesse contexto que a Secretaria de Estado da Cidadania promoveu o painel \u201cInd\u00edgenas que inspiram: Ind\u00edgenas na Educa\u00e7\u00e3o, na Sa\u00fade, no Agroneg\u00f3cio e na Justi\u00e7a \u2014 Minha hist\u00f3ria, minha trajet\u00f3ria: como posso inspirar?\u201d<\/p>\n<p>A proposta nasceu de uma constata\u00e7\u00e3o simples, mas potente: existem muitas hist\u00f3rias ind\u00edgenas que ainda n\u00e3o s\u00e3o conhecidas, narrativas que ficaram restritas \u00e0s comunidades, \u00e0s fam\u00edlias, aos territ\u00f3rios. Ao coloc\u00e1-las em evid\u00eancia, o painel n\u00e3o apenas valoriza trajet\u00f3rias, como tamb\u00e9m amplia o horizonte de quem ainda est\u00e1 come\u00e7ando.<\/p>\n<p>Quatro convidados, de \u00e1reas diferentes, representaram esse conjunto maior. N\u00e3o como exce\u00e7\u00f5es, mas como parte de um movimento que cresce silenciosamente e, agora, come\u00e7a a ser visto.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Educa\u00e7\u00e3o que transforma e devolve<\/h2>\n<p>A trajet\u00f3ria do educador e lideran\u00e7a ind\u00edgena Flaviano Franco \u00e9 atravessada por aprendizados e escolhas que nasceram, muitas vezes, da necessidade. Criado pelos av\u00f3s, ele cresceu em um contexto de limita\u00e7\u00f5es materiais, mas cercado por refer\u00eancias que moldaram sua forma de ver o mundo. Foi na escola que encontrou uma possibilidade concreta de mudan\u00e7a, n\u00e3o como ruptura com sua origem, e sim como continuidade.<\/p>\n<p>\u201cEu sempre digo que o importante n\u00e3o \u00e9 como a gente come\u00e7a, \u00e9 como a gente vai terminar. E, para mim, foi o estudo que mudou o rumo da minha vida.\u201d<\/p>\n<p>Antes de chegar \u00e0 universidade, sua caminhada passou por diferentes of\u00edcios. Foi pedreiro, cortador de cana, trabalhador em espa\u00e7os onde, mais do que exercer uma fun\u00e7\u00e3o, precisava reafirmar diariamente sua capacidade. Experi\u00eancias que revelaram, de forma direta, as barreiras que ainda se imp\u00f5em \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. \u201cEu precisei provar que era capaz mesmo j\u00e1 tendo qualifica\u00e7\u00e3o. Foi ali que entendi que n\u00e3o era s\u00f3 sobre forma\u00e7\u00e3o, era sobre preconceito.\u201d<\/p>\n<p>Justamente desse inc\u00f4modo surgiu o impulso para seguir pela \u00e1rea da linguagem. Ao perceber que muitas das desigualdades tamb\u00e9m se manifestam na forma como os ind\u00edgenas s\u00e3o vistos e representados, Flaviano encontrou na educa\u00e7\u00e3o e na pesquisa um caminho de enfrentamento e de reconstru\u00e7\u00e3o de narrativas.<\/p>\n<p>\u201cSe a gente n\u00e3o ocupar esses espa\u00e7os, v\u00e3o continuar falando por n\u00f3s. A gente precisa ensinar o sistema, porque o sistema n\u00e3o sabe nada sobre n\u00f3s.\u201d<\/p>\n<p>Hoje, sua atua\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m da sala de aula. Como educador, pesquisador e lideran\u00e7a, ele trabalha para fortalecer a educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena como um espa\u00e7o que n\u00e3o apenas transmite conte\u00fado, mas preserva saberes, valores e formas pr\u00f3prias de existir.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Caminhos que come\u00e7am cedo<\/h2>\n<p>A trajet\u00f3ria da m\u00e9dica ind\u00edgena Laysa Moreira Dorneles, do povo Terena, come\u00e7a muito antes da universidade. Come\u00e7a na inf\u00e2ncia, em uma realidade onde o trabalho n\u00e3o era escolha, mas necessidade, onde ela aprendeu a conciliar responsabilidades, ajudando a fam\u00edlia e, ao mesmo tempo, alimentando um sonho que ainda parecia distante.<\/p>\n<p>\u201cDesde cedo eu aprendi que, se eu quisesse conquistar algo, eu precisaria trabalhar, me esfor\u00e7ar e n\u00e3o desistir.\u201d<\/p>\n<p>Ainda crian\u00e7a, passou por diferentes atividades, desde venda de produtos, trabalho como bab\u00e1, atua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da beleza, e fazendo o que fosse poss\u00edvel para seguir estudando. Esse movimento cont\u00ednuo de esfor\u00e7o n\u00e3o parou com a chegada \u00e0 universidade. Pelo contr\u00e1rio, se intensificou.<\/p>\n<p>Durante a gradua\u00e7\u00e3o em Medicina, Laysa precisou equilibrar rotina acad\u00eamica, trabalho e dificuldades financeiras. Para se manter, continuou atendendo clientes, organizando hor\u00e1rios e adaptando sua realidade para n\u00e3o abandonar o curso.<\/p>\n<p>\u201cEu precisei conciliar o trabalho com os estudos para conseguir me manter durante a faculdade. N\u00e3o foi f\u00e1cil. Teve dificuldades financeiras, teve cansa\u00e7o, teve momentos em que parecia que n\u00e3o ia dar.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos desafios materiais, havia tamb\u00e9m o peso do preconceito e dos estere\u00f3tipos que ainda cercam a identidade ind\u00edgena. \u201cMuitas pessoas ainda t\u00eam um estere\u00f3tipo do que \u00e9 ser ind\u00edgena, como se existisse um padr\u00e3o \u00fanico. Mas ser ind\u00edgena n\u00e3o \u00e9 apar\u00eancia. \u00c9 pertencimento, \u00e9 cultura, \u00e9 comunidade.\u201d<\/p>\n<p>Formada recentemente, Laysa hoje atua na \u00e1rea da sa\u00fade e segue ampliando sua atua\u00e7\u00e3o profissional, carregando consigo n\u00e3o apenas uma conquista individual, mas um significado coletivo. \u201cHoje eu sou uma mulher ind\u00edgena, m\u00e9dica, ocupando um espa\u00e7o que n\u00e3o foi pensado para n\u00f3s.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Saberes que se encontram<\/h2>\n<p>Na \u00e1rea do agroneg\u00f3cio, a trajet\u00f3ria da engenheira agr\u00f4noma Tainara Terena revela um caminho constru\u00eddo entre diferentes formas de conhecimento. Formada pela UFGD, ela rapidamente percebeu que o diploma n\u00e3o encerrava os desafios, pelo contr\u00e1rio, era apenas o in\u00edcio de uma caminhada ainda mais complexa.<\/p>\n<p>\u201cMulher ind\u00edgena e engenheira agr\u00f4noma n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. A gente acha que depois de formada vai ser mais simples, mas n\u00e3o \u00e9.\u201d<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o, come\u00e7ou a atuar diretamente com sua comunidade. Mas a realidade do mercado de trabalho trouxe obst\u00e1culos que exigiram adapta\u00e7\u00e3o, deslocamento e persist\u00eancia. Foi nesse movimento que Tainara passou a construir sua atua\u00e7\u00e3o, unindo o conhecimento t\u00e9cnico adquirido na universidade com os saberes tradicionais aprendidos com a fam\u00edlia e com a viv\u00eancia na aldeia. Um encontro que orienta sua pr\u00e1tica at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>\u201cEu sempre procuro unir o conhecimento t\u00e9cnico com aquilo que a gente j\u00e1 sabe, que vem dos nossos pais, dos nossos av\u00f3s.\u201d<\/p>\n<p>Com mais de 14 anos de atua\u00e7\u00e3o, ela trabalha diretamente com produtores ind\u00edgenas, orientando pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis, fortalecendo a agricultura familiar e incentivando a gera\u00e7\u00e3o de renda dentro das comunidades. \u201cA ideia \u00e9 mostrar que n\u00f3s, ind\u00edgenas, somos capazes de produzir, de plantar, de comercializar, e ainda fazer isso de forma org\u00e2nica.\u201d<\/p>\n<p>O cotidiano, no entanto, n\u00e3o \u00e9 simples. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a falta de investimento e as dificuldades estruturais impactam diretamente a produ\u00e7\u00e3o nas aldeias. \u201cHoje a gente v\u00ea produtores que n\u00e3o conseguem mais colher como colhiam antes. O clima mudou, a realidade mudou.\u201d<\/p>\n<p>Diante disso, seu trabalho tamb\u00e9m passa por adapta\u00e7\u00e3o. Buscar alternativas, orientar t\u00e9cnicas e, principalmente, respeitar o tempo e as condi\u00e7\u00f5es de cada territ\u00f3rio. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 aplicar t\u00e9cnica. \u00c9 entender a realidade de cada comunidade.\u201d<\/p>\n<p>Ainda assim, \u00e9 nesse cen\u00e1rio que ela reafirma uma convic\u00e7\u00e3o que atravessa sua trajet\u00f3ria: \u00e9 poss\u00edvel desenvolver, inovar e crescer sem abrir m\u00e3o da identidade. \u201cEu quero mostrar que n\u00f3s somos capazes, sem deixar de lado aquilo que somos.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Presen\u00e7a que transforma institui\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>No campo da Justi\u00e7a, a trajet\u00f3ria do promotor Fernando J\u00fanior carrega n\u00e3o apenas uma conquista individual, mas o peso e o significado de uma presen\u00e7a que ainda \u00e9 rara em espa\u00e7os institucionais. Natural de Dourados, da aldeia Jaguapiru, ele come\u00e7ou a sonhar com o Direito ainda crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Com o tempo, esse sonho ganhou contornos mais definidos. O que antes parecia distante se transformou em objetivo concreto, sustentado por estudo, disciplina e muitas ren\u00fancias ao longo da juventude.<\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o em um dos concursos mais concorridos do pa\u00eds o levou ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Par\u00e1, onde hoje atua como promotor de Justi\u00e7a. Um lugar que, como ele pr\u00f3prio reconhece, n\u00e3o foi historicamente pensado para ind\u00edgenas. \u201cEsses espa\u00e7os n\u00e3o foram pensados para n\u00f3s. Existem muros invis\u00edveis, como o preconceito e a dificuldade de acesso.\u201d<\/p>\n<p>Sua atua\u00e7\u00e3o hoje envolve uma rotina intensa, lidando com diferentes \u00e1reas e demandas da sociedade. Mas, mesmo distante de Mato Grosso do Sul, sua trajet\u00f3ria segue conectada \u00e0 origem e ao compromisso com as comunidades ind\u00edgenas. \u201cQuando a gente chega nesses espa\u00e7os, a gente carrega uma responsabilidade. A gente n\u00e3o chega sozinho.\u201d<\/p>\n<p>Essa responsabilidade se traduz em uma ideia que atravessa toda a sua fala: a de multiplicar caminhos. \u201cA gente quer que outros tamb\u00e9m cheguem. A gente quer ensinar, ajudar, diminuir esses caminhos.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ocupar espa\u00e7os, a presen\u00e7a ind\u00edgena nas institui\u00e7\u00f5es representa uma mudan\u00e7a de perspectiva. Um movimento que n\u00e3o apenas amplia a participa\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios, mas tamb\u00e9m tensiona e transforma esses ambientes. \u201cHoje a gente mostra que \u00e9 poss\u00edvel chegar e continuar sendo quem a gente \u00e9.\u201d<\/p>\n<p><em>Paula Maciulevicius, da Comunica\u00e7\u00e3o da Cidadania<br \/>Foto de capa e internas: Matheus Carvalho\/SEC<br \/>Galeria: Paula Maciulevicius<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No m\u00eas em que o Pa\u00eds volta o olhar para o 19 de abril, Dia dos Povos Ind\u00edgenas, hist\u00f3rias que antes permaneciam restritas aos territ\u00f3rios ganham voz, corpo e presen\u00e7a. Em Mato Grosso do Sul, elas n\u00e3o falam apenas de resist\u00eancia, como tamb\u00e9m de protagonismo. S\u00e3o trajet\u00f3rias que atravessam dificuldades, constroem caminhos pr\u00f3prios e hoje [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-49045","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49045","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49045"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49045\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49045"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/novasdodia.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}