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Estação Cabo Branco fortalece artes visuais e amplia espaço para artistas paraibanos

Antes um equipamento focado em experimentos científicos e atividades socioeducativas. Hoje, um espaço onde arte, cultura e ciência convivem e que, cada vez mais, aproxima o público dos artistas paraibanos. A Estação Cabo Branco – Ciências, Cultura e Artes passou por muitas transformações ao longo dos últimos 18 anos da sua fundação. Atualmente, 80% de suas exposições são de artistas locais, que encontram no equipamento projetado pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer uma vitrine para apresentar seus trabalhos ao público.

Nomes veteranos como o artista plástico Flávio Tavares, com mais de 50 anos de carreira, que cria telas ressaltando nosso folclore, nossa cultura e história. Sua obra ‘O Reinado do Sol’ faz parte do acervo permanente da Estação, ocupando a entrada do complexo administrativo e é uma das mais elogiadas pelos visitantes.

Mas a Estação Cabo Branco também abre as portas para artistas que estão surgindo no cenário local. Nomes como João Neto, com obras que falam do cotidiano e da vida numa conotação emocional; e George Paiva, artista LGBTQIA+, negro, professor, que desenvolve esculturas que abordam ancestralidade, universo feminino e suas experiências pessoais.

Quem visitar o espaço neste final de semana vai ter a oportunidade de conhecer o trabalho do artista plástico, escritor, professor e pesquisador paraibano Nivalson Miranda (1927–2013). Sua obra ‘Brasil em Miniaturas’ reúne pequenas aquarelas de paisagens, monumentos, igrejas e cenários urbanos da Paraíba e do Brasil.

As miniaturas funcionam como registros da memória e do patrimônio. Em pequenas dimensões, preservam detalhes, histórias e elementos da identidade cultural. É um convite para que o visitante desacelere o olhar e se aproxime para observar os detalhes.

Foi essa exposição que chamou a atenção da pequena Luisa Souza, de 6 anos. Ela, a irmã Beatriz e os pais, Ana Cláudia Porto e Ricardo Souza, são turistas de São Paulo e estão passando férias em João Pessoa. “A gente sempre procura incluir esse passeio cultural quando estamos viajando. É muito importante para nós conhecermos um pouco mais da cultura local de cada cidade que visitamos”, ressalta a publicitária Ana Cláudia Porto.

Estrutura – A torre principal da Estação Cabo Branco conta com 12 espaços expositivos ativos, onde são realizadas, em média, 24 exposições por ano — duas por mês. Ou seja, o visitante vai entrar e contemplar diversos tipos de obras de arte, com diferentes modalidades, expressões e conceitos. Já o acervo permanente da casa ocupa outros cinco ambientes, com esculturas, telas, audiovisual, intervenções e aquarelas. Muita diversidade no ramo das artes plásticas.

A arquiteta Amanda Costa, que atua como curadora na Estação Cabo Branco, conta que os artistas paraibanos abraçaram a ideia de manter a Estação viva e ativa. “Nunca faltam artistas para expor aqui. Na verdade, tem sido mesmo difícil coordenar essa pauta para que a gente não exclua quem realmente tem capacidade de estar expondo na Estação”, revela.

As exposições apresentadas são selecionadas pela curadoria por meio de livre demanda. Ou seja, não há edital de participação. A lista geralmente é definida um ano antes. Quando há desistência, a curadoria aciona o cadastro de espera.

“As aberturas das exposições sempre lotam. A gente recebe, em média, 100 pessoas a cada abertura, o que consideramos um resultado muito bom. Os livros de presença também costumam fechar com números expressivos, entre 1.500 e 2 mil assinaturas por exposição. E a gente sabe que apenas cerca de 3% das pessoas que circulam pelos museus costumam assinar esses livros, então entendemos que o número real de visitantes é muito maior. Isso tem deixado a gente muito feliz”, comenta Amanda.

Exposição com trabalhos de crianças – A Estação Cabo Branco também tem valorizado a produção artística na infância. Uma das exposições realizadas no local reúne trabalhos produzidos por crianças dos Centros Municipais de Educação Infantil (CEMAI) da Prefeitura de João Pessoa.

Neste ano, 13 unidades participam da mostra, que tem toda a estrutura expositiva pensada especialmente para o público infantil. A iniciativa chega à quinta edição, sendo a quarta realizada na Estação Cabo Branco.

Parcerias e artistas de outros lugares – Embora a maioria das exposições seja dedicada aos artistas paraibanos, a Estação Cabo Branco também abre espaço para produções de outros estados e países. Entre as iniciativas recentes está uma parceria com a Aliança Francesa de Recife, que resultou na realização de duas exposições.

O equipamento também recebeu o coletivo curitibano Natureza Geométrica, formado por 12 artistas, que trouxe mais de 50 trabalhos de uma mostra que já havia circulado por diferentes regiões do Brasil. A programação contou ainda com uma exposição do artista português Fernando Pina e uma homenagem à artista Nádia Anjos, que, segundo a curadoria, teve grande visitação.

Mirante – Falar da Estação Cabo Branco e não citar o mirante é o mesmo que ir à praia e não ver o mar. O espaço é um dos mais visitados porque oferece uma visão de todas as praias do norte da cidade de João Pessoa. “É um divisor de águas na nossa vista: de um lado, o bosque e, do outro, as praias do norte. Uma paisagem ainda mais bela no pôr do sol”, comenta Amanda Costa.

Serviço – Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes

Endereço: Avenida João Cirilo da Silva, s/n – Altiplano.

Visitação: terça a sexta, 9h às 18h | sábado e domingo, 10h às 18h.